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Perla Ribeiro
Publicado em 24 de maio de 2026 às 07:00
Não é incomum ter um familiar ou conhecido que já enfrentou episódios de cálculos na vesícula biliar, popularmente conhecidos como pedras na vesícula. Os cálculos, que são depósitos sólidos formados na vesícula biliar, podem provocar inflamações (colecistite), pólipos e outras complicações. Já a doença da vesícula biliar (DVB) é considerada uma patologia comum e de alta prevalência global. De acordo com a literatura científica, a prevalência da doença na população geral varia entre 10% a 20%, mas, o risco é significativamente maior em indivíduos com excesso de peso. Para o cirurgião bariátrico José Afonso Sallet, o cenário exige atenção. >
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade corresponde ao acúmulo excessivo de gordura corporal e está associada a doenças como hipertensão, diabetes, apneia do sono, problemas articulares, cálculos biliares e até alguns tipos de câncer. “A obesidade deixou de ser uma questão apenas estética. Hoje sabemos que ela está diretamente relacionada ao surgimento de diversas comorbidades, incluindo os cálculos biliares. Precisamos ampliar esse debate e conscientizar a população sobre os impactos do excesso de peso na saúde como um todo”, afirma José Afonso Sallet.>
Gordão da XJ faz cirurgia para tirar pedras na vesícula
Embora o excesso de peso seja um importante fator de risco, especialistas reforçam que o desenvolvimento da doença biliar também pode estar relacionado a fatores genéticos, sedentarismo, alimentação hipercalórica, resistência à insulina, uso de certos medicamentos e até mesmo a perda rápida de peso que pode desequilibrar a concentração de bile.>
“O estilo de vida tem um papel importante nesse processo. Uma rotina marcada pelo sedentarismo e pelo consumo excessivo de alimentos ultraprocessados tende a favorecer não apenas o ganho de peso, mas também o aparecimento de doenças associadas”, explica Sallet.>
Estudos também sugerem relação entre a doença biliar e fatores ligados à obesidade, como circunferência abdominal, níveis elevados de colesterol e Índice de Massa Corporal (IMC), especialmente em mulheres com IMC acima dos 30. A fórmula do Índice de Massa Corpórea que relaciona peso e altura parece simples, mas seus resultados ajudam a orientar importantes condutas médicas, desde mudanças no estilo de vida até indicações de tratamentos clínicos ou cirúrgicos. Sallet lembra que a classificação tradicional auxilia no primeiro diagnóstico, mas reforça que o olhar clínico individualizado faz toda a diferença.>
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Outro ponto que chama a atenção do médico é o aumento da obesidade entre jovens e adolescentes, somado ao uso indiscriminado de medicamentos para emagrecimento sem acompanhamento médico adequado. “Estamos vivendo uma época em que cada vez mais pessoas buscam soluções rápidas para emagrecer. Mas, saúde exige acompanhamento, individualização e responsabilidade. O tratamento da obesidade não deve ser encarado de forma isolada ou simplificada, mas sim com seriedade e o apoio de uma equipe transdisciplinar”, conclui.>