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Perla Ribeiro
Publicado em 3 de outubro de 2026 às 07:05
Durante muito tempo, a musculação foi associada principalmente ao ganho de massa muscular e à estética. Mas os efeitos do treinamento de força vão muito além da aparência e podem estar relacionados à manutenção da força, da mobilidade e da autonomia ao longo da vida. >
Um estudo publicado no British Journal of Sports Medicine, com quase 150 mil adultos acompanhados por aproximadamente três décadas, encontrou uma associação entre a prática de 90 a 120 minutos semanais de musculação e um menor risco de morte. De acordo com os resultados, as pessoas que realizavam entre uma hora e meia e duas horas semanais de exercícios de força apresentaram 13% menos risco de morte por qualquer causa em comparação com aquelas que não praticavam esse tipo de atividade.>
Idoso de 102 anos que vai à academia de musculação todos os dias
Na mesma faixa de duração, também foram observadas associações com redução de 19% no risco de morte por doenças cardiovasculares e de 27% por doenças neurológicas. Os resultados mostram uma associação observada no estudo e não significam que a musculação, isoladamente, seja responsável por evitar mortes ou doenças.>
Quanto tempo de musculação por semana?>
Os 90 a 120 minutos semanais podem ser distribuídos de diferentes maneiras, dependendo da rotina e dos objetivos de cada pessoa. Para quem treina três vezes por semana, por exemplo, isso poderia representar sessões de aproximadamente 30 a 40 minutos. Quem está começando não precisa tentar atingir esse volume imediatamente. A orientação é iniciar de acordo com o nível de condicionamento e aumentar gradualmente.>
“Não existe uma duração única que funcione da mesma maneira para todas as pessoas. O tempo de treino precisa considerar idade, nível de condicionamento, objetivos, rotina e condições individuais”, explica Guilherme Reis, profissional de educação física e diretor técnico da Rede Alpha Fitness.>
Musculação não é apenas para ganhar músculos>
O treinamento de força também está relacionado à capacidade de realizar tarefas comuns do cotidiano. Subir escadas, carregar compras, levantar-se de uma cadeira e manter o equilíbrio são atividades que dependem de força e capacidade funcional. Com o envelhecimento, preservar a massa muscular e a força ganha ainda mais importância, já que a perda dessas capacidades pode comprometer a autonomia.>
Segundo Reis, esse é um dos motivos pelos quais o exercício de força deve ser encarado como parte de uma estratégia de cuidado com a saúde, e não apenas como uma ferramenta estética. “O treinamento de força oferece benefícios que vão muito além da estética. Ele contribui para a manutenção da massa muscular, melhora a força, a mobilidade e a autonomia, especialmente com o avanço da idade”, afirma.>
Quem é sedentário deve começar devagar>
Para quem ainda não pratica exercícios, tentar reproduzir imediatamente a rotina de alguém que já treina pode ser contraproducente. A adaptação deve considerar o condicionamento atual, com aumento progressivo da carga e do volume. “Para quem ainda é sedentário, começar com pouco e construir regularidade é uma estratégia muito mais sustentável do que tentar alcançar grandes volumes de exercício de uma só vez”, destaca o profissional. A musculação também pode ser combinada com exercícios aeróbicos, formando uma rotina mais ampla de atividade física.>
Regularidade importa mais que passar horas na academia>
A ideia de que é preciso passar muito tempo na academia para obter benefícios pode ser uma barreira para quem tem uma rotina apertada. Os resultados do estudo reforçam a importância de encontrar uma quantidade de exercício que seja possível manter de forma consistente. Ao mesmo tempo, o tempo ideal e a intensidade devem ser individualizados.>
“Mais do que buscar um número exato de minutos, é importante entender o exercício como parte de uma rotina de cuidados com a saúde. A musculação pode ser combinada com atividades aeróbicas e adaptada à realidade de cada pessoa. O objetivo deve ser construir uma rotina possível de manter no longo prazo”, conclui Reis.>