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Agência Einstein
Publicado em 5 de agosto de 2026 às 08:47
Tradicionalmente associado ao envelhecimento, o câncer de estômago (ou gástrico) começa a aparecer em um novo perfil de pacientes. Um estudo internacional publicado em abril na revista científica Cancer Biology & Medicine identificou aumento da incidência da doença entre adultos jovens nos últimos anos, ao mesmo tempo em que os casos vêm diminuindo nas faixas etárias mais velhas em diferentes países. >
Atualmente, esse é o quinto tumor mais frequente no mundo, com quase 1 milhão de novos casos por ano. Apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento, a doença ainda costuma ser descoberta em fases avançadas, reduzindo as chances de cura e contribuindo para altas taxas de mortalidade, inclusive em nações de alta renda.>
Segundo a pesquisa, o Leste Asiático concentrou quase 54% dos cerca de 968 mil casos registrados mundialmente em 2022, além de 48% das aproximadamente 660 mil mortes associadas ao tumor. Os pesquisadores alertam que a mudança no perfil etário da doença levanta preocupações sobre fatores de risco emergentes e reforça a necessidade de estratégias de prevenção e diagnóstico precoce também entre populações mais jovens.>
Os autores avaliaram dados de 2003 a 2017 do GLOBOCAN 2022, que reúne informações de 185 nações. Nesse período, a incidência caiu de modo geral, mas aumentou em países como Nova Zelândia, África do Sul, além de regiões da Europa e das Américas. Também houve uma tendência de crescimento entre mulheres.>
“O aumento dos casos de câncer gástrico em adultos jovens tem chamado atenção internacionalmente. Hoje sabemos que pessoas nascidas entre as décadas de 1980 e 1990 apresentam taxas significativamente maiores do que gerações anteriores”, observa o oncologista Roberto Pestana, do Einstein Hospital Israelita.>
Essa faixa etária costuma apresentar condições como câncer gástrico difuso hereditário e síndrome de Lynch, mas elas explicam apenas cerca de 3% das ocorrências. “A maioria dos casos ocorre de forma esporádica e parece estar relacionada a mudanças comportamentais, ambientais, alimentares e metabólicas”, afirma Pestana.>
A bactéria Helicobacter pylori (H. pylori) continua sendo o principal fator de risco conhecido, responsável por aproximadamente 90% dos casos de câncer gástrico não cárdia, nome da região próxima à transição entre esôfago e estômago. Estudos mostram que sua erradicação pode reduzir em 40% a 50% a incidência desse tumor.>
Nos últimos 50 anos, medidas de prevenção relacionadas a higiene e melhores condições socioeconômicas levaram à queda da incidência desse tipo de câncer em pessoas mais idosas e em vários países asiáticos. “Melhorias sanitárias, maior acesso ao diagnóstico e mudanças nos hábitos alimentares, especialmente redução do consumo de sal e melhor conservação dos alimentos, também tiveram impacto importante”, diz o oncologista.>
No entanto, em contraste com a queda geral, a alta de casos no público com menos de 50 anos, especialmente nos países que apresentavam baixa incidência, pode ser atribuída a fatores como aumento da obesidade, refluxo gastroesofágico, alterações alimentares e no microbioma gástrico.>
Prevenção e tratamento>
O cenário atual traz novos desafios para prevenção, diagnóstico e tratamento. “Esses tumores de início precoce parecem ter características biológicas próprias e frequentemente apresentam comportamento mais agressivo”, destaca Roberto Pestana. “Além disso, como o câncer gástrico ainda é pouco suspeitado em pacientes jovens, muitos casos acabam diagnosticados em estágios avançados.”>
Além da H. pylori, outros fatores de risco importantes incluem tabagismo, consumo excessivo de álcool, dietas ricas em produtos processados, obesidade, infecção pelo vírus Epstein-Barr, histórico familiar e algumas síndromes genéticas hereditárias. Em relação à prevenção, a principal estratégia continua sendo identificar e tratar a infecção por H. pylori. Também são recomendadas medidas como reduzir o consumo de álcool, evitar o tabagismo, controlar o peso corporal e manter hábitos alimentares saudáveis.>