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Perla Ribeiro
Publicado em 4 de julho de 2026 às 07:30
Quando as temperaturas caem, muita gente muda a rotina de cuidados com a pele sem perceber. O protetor solar fica esquecido na gaveta, os banhos ficam mais quentes e demorados e o hidratante deixa de ser prioridade. O problema é que esses hábitos, comuns no inverno, podem acelerar o envelhecimento da pele e favorecer o surgimento de ressecamento, coceira, descamação e dermatites. >
Segundo a dermatologista Marcela Cestari, do Hospital Sírio-Libanês, a ideia de que a pele sofre menos durante o frio é um dos maiores mitos da estação. "A pele não descansa no inverno. Ela apenas enfrenta desafios diferentes. Se no verão o principal agressor é a exposição intensa ao sol, nos meses frios o ressecamento provocado pelo ar seco, pelo vento e pelos banhos quentes passa a ser o maior inimigo", explica.>
Cuidados da pele e dermatologia
Um dos erros mais frequentes é abandonar o uso diário do protetor solar. A falsa sensação de que o risco desaparece quando o calor vai embora faz muita gente interromper um cuidado que continua sendo essencial. Isso acontece porque os raios UVB, responsáveis pelas queimaduras solares, realmente diminuem durante o inverno. Já os raios UVA permanecem praticamente constantes ao longo de todo o ano. Eles atravessam nuvens, vidros e atingem camadas profundas da pele, contribuindo para o aparecimento de rugas, manchas, flacidez e perda de elasticidade.>
Como esses danos acontecem de forma lenta e acumulativa, muita gente só percebe as consequências anos depois. Outro hábito típico do frio que merece atenção é aumentar a temperatura da água durante o banho. Apesar da sensação de conforto, a água muito quente remove parte da camada de gordura natural que protege a pele. "A barreira cutânea funciona como um escudo, impedindo a perda excessiva de água e protegendo contra agentes irritantes. Quando essa camada é comprometida, surgem o ressecamento, a coceira e, em alguns casos, até dermatites", afirma a especialista.>
Os primeiros sinais costumam aparecer de forma discreta: sensação de pele repuxando após o banho, aspereza, vermelhidão, descamação e ardência ao aplicar produtos que antes não causavam desconforto. Em situações mais intensas, podem surgir rachaduras nos lábios, mãos, pés e calcanhares.>
Nas redes sociais, técnicas como o chamado skin flooding, que promete hidratação intensa por meio da aplicação de várias camadas de produtos, ganharam popularidade. Para a dermatologista, porém, a eficácia está menos na quantidade de cosméticos e mais na forma como eles são utilizados.>
"O ideal é aplicar um bom hidratante logo após o banho, quando a pele ainda está úmida. Um único produto bem formulado costuma reunir os ingredientes necessários para restaurar a barreira cutânea. Muitas vezes, o excesso de etapas agrega mais marketing do que benefício real", explica.>
Outro equívoco comum é acreditar que quem tem pele oleosa não precisa hidratar. "É possível ter uma pele oleosa e, ao mesmo tempo, desidratada. Quando a hidratação é negligenciada, o organismo pode aumentar a produção de óleo como forma de compensação, agravando o problema", alerta.>
Para atravessar o inverno sem prejuízos para a pele, os especialistas recomendam manter hábitos simples, mas constantes: usar protetor solar diariamente, mesmo em dias nublados; optar por banhos mornos e rápidos; e aplicar hidratante todos os dias, especialmente logo após o banho. Segundo Marcela Cestari, a regularidade faz mais diferença do que rotinas longas e cheias de produtos. "Hábitos simples, quando mantidos diariamente, protegem muito mais a pele do que cuidados intensivos feitos apenas de vez em quando", conclui.>