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Os oito conselhos que todo pai gostaria de ter ouvido antes de criar um filho

Pediatra e psicanalista reúne mais de 20 anos de consultório para mostrar que a paternidade vai muito além de sustentar a casa. Presença, limites, exemplo e diálogo estão entre as atitudes que mais influenciam a formação dos filhos

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 9 de agosto de 2026 às 08:00

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Os oito conselhos que todo pai gostaria de ter ouvido antes de criar um filho Crédito: CANVAS

Ninguém nasce sabendo ser pai. A paternidade costuma ser aprendida na prática, entre acertos, erros e modelos herdados da própria família. Em meio à rotina de trabalho, às contas e ao cansaço, muitos homens descobrem apenas com o passar dos anos que educar um filho exige muito mais do que garantir o sustento financeiro.

É dessa experiência que parte o pediatra e psicanalista Fausto Flor Carvalho, autor do livro Bom pai, mau pai. Com base em mais de duas décadas de consultório, em conceitos da psicanálise e na própria vivência como pai de dois filhos, ele reúne reflexões sobre os desafios da paternidade e defende que nunca é tarde para rever comportamentos e fortalecer os vínculos familiares.

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Em vez de oferecer fórmulas prontas, o especialista apresenta orientações que podem ajudar pais de diferentes perfis a exercer a paternidade de forma mais consciente e menos marcada pela culpa.

  • 1. Estar presente é diferente de apenas estar por perto
    Dividir o mesmo ambiente não significa, necessariamente, estar disponível para um filho. Segundo o autor, um dos problemas mais comuns atualmente é o chamado "abandono virtual", quando o celular ocupa o espaço que deveria ser dedicado à convivência. Para ele, presença verdadeira exige atenção, conversa e tempo de qualidade. "A tecnologia aproxima quem está longe e afasta quem está perto", resume.

  • 2. Não seja neutro na educação
    Evitar conflitos pode parecer mais confortável, mas a neutralidade, na criação dos filhos, muitas vezes se transforma em omissão. Crianças e adolescentes precisam de adultos que estabeleçam limites claros e assumam responsabilidades educativas, mesmo quando isso gera descontentamento. Sem referências, o sentimento costuma ser de insegurança, e não de liberdade.

  • 3. Valorize as qualidades, não apenas os erros
    É comum que os pais percebam rapidamente aquilo que precisa ser corrigido e deixem passar despercebidas as atitudes positivas. Reconhecer características como generosidade, coragem, curiosidade e responsabilidade fortalece a autoestima e contribui para que esses comportamentos se desenvolvam ao longo da infância.

  • 4. Evite comparações entre irmãos
    O favoritismo raramente é explícito, mas pode aparecer em pequenos gestos, como a atenção dedicada, a paciência ou até a frequência com que um filho é elogiado. Segundo o especialista, tratar os filhos de maneira justa não significa agir exatamente da mesma forma com todos, mas garantir que nenhum se sinta menos amado ou menos importante.

  • 5. O exemplo educa mais do que o discurso
    Os filhos observam constantemente o comportamento dos pais. A maneira como um adulto lida com as frustrações, trata outras pessoas, cumpre compromissos e até utiliza o celular transmite ensinamentos muito mais fortes do que qualquer sermão.

  • 6. Ensine a lidar com a frustração
    Em uma época marcada pela busca por resultados imediatos, desenvolver o autocontrole tornou-se uma habilidade essencial. Para Fausto Flor Carvalho, aprender a esperar, ouvir um "não" e controlar os próprios impulsos são capacidades construídas dentro de casa, por meio da rotina e, principalmente, do exemplo dado pelos adultos.

  • 7. Pense no legado, não apenas na herança
    Mais importante do que os bens materiais que um pai deixa é a formação que transmite aos filhos. Valores, histórias, princípios e exemplos permanecem por muito mais tempo do que qualquer patrimônio financeiro e ajudam a moldar quem essas crianças se tornarão no futuro.

  • 8. Nunca é tarde para mudar
    O autor lembra que a paternidade é um aprendizado permanente. Reconhecer erros, pedir desculpas e modificar atitudes não representa fraqueza, mas maturidade. Independentemente da idade dos filhos, sempre há espaço para reconstruir relações e fortalecer os laços familiares. "Você não precisa ter sido um pai perfeito. Basta estar disposto a ser um pai melhor a partir de hoje", conclui o especialista.