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Osteoporose não é só coisa de mulher; entenda por que a doença também pode ser grave nos homens

Especialistas explicam como os hormônios influenciam a perda de massa óssea, por que homens costumam receber o diagnóstico mais tarde e quais hábitos ajudam a prevenir fraturas

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 5 de agosto de 2026 às 10:53

A osteoporose pode atingir mulheres e homens (Imagem: Ground Picture | Shutterstock)
Osteoporose não é só coisa de mulher; entenda por que a doença também pode ser grave nos homens Crédito: Imagem: Ground Picture | Shutterstock

A osteoporose costuma ser associada às mulheres após a menopausa, mas especialistas alertam que essa percepção pode esconder um problema importante: embora seja menos frequente no sexo masculino, a doença também afeta homens e, quando descoberta tardiamente, pode ter consequências ainda mais graves. Silenciosa, a osteoporose reduz a densidade dos ossos ao longo dos anos e aumenta o risco de fraturas, principalmente no quadril, na coluna e nos punhos.

Como geralmente não provoca sintomas até que ocorra uma fratura, o diagnóstico costuma acontecer apenas quando a doença já está em estágio avançado. Segundo Izabelle Gindri, especialista em saúde hormonal, PhD em Engenharia Biomédica pela University of Texas (Dallas), cientista, farmacêutica e CEO da Bio Meds Brasil, a principal diferença entre homens e mulheres está na forma como os hormônios atuam sobre o tecido ósseo.

Cuidados para evitar a osteoporose por Freepik

"O esqueleto está em constante renovação. Enquanto os osteoblastos formam tecido ósseo novo, os osteoclastos removem o tecido antigo. Esse equilíbrio depende de fatores como alimentação, atividade física, exposição ao sol e, principalmente, da ação hormonal", explica.

Por que as mulheres desenvolvem osteoporose mais cedo?

Nas mulheres, o estrogênio exerce papel fundamental na proteção dos ossos, reduzindo a atividade dos osteoclastos, células responsáveis pela reabsorção óssea. Durante a fase reprodutiva, essa proteção é eficiente. O cenário muda com a chegada da menopausa. Com a queda brusca dos níveis de estrogênio, a perda de massa óssea acelera significativamente.

Nos primeiros cinco a dez anos após a menopausa, muitas mulheres podem perder entre 10% e 20% da densidade mineral óssea, tornando-se mais vulneráveis a fraturas. Além da menopausa natural, o risco também aumenta em casos de menopausa precoce, retirada cirúrgica dos ovários e tratamentos oncológicos que reduzem os hormônios femininos.

E os homens? Nos homens, o processo costuma ser mais lento. A testosterona também ajuda na manutenção da massa óssea, tanto diretamente quanto por sua conversão parcial em estrogênio, hormônio que também exerce papel importante no metabolismo ósseo masculino. Como a queda hormonal acontece gradualmente, sem uma interrupção brusca como ocorre na menopausa, a osteoporose costuma aparecer em idade mais avançada. O problema é que muitos homens só descobrem a doença depois da primeira fratura.

"Embora a incidência seja menor entre os homens, as consequências podem ser ainda mais graves. Após fraturas de quadril, por exemplo, a mortalidade masculina é superior à observada entre mulheres, em parte porque eles costumam apresentar mais doenças associadas e recebem o diagnóstico mais tardiamente", afirma Izabelle.

Outros fatores aumentam o risco

Além do envelhecimento e das alterações hormonais, diversas condições favorecem a perda de massa óssea em ambos os sexos.

Entre elas estão:

  • doenças da tireoide;
  • hiperparatireoidismo;
  • deficiência de vitamina D;
  • doenças inflamatórias crônicas;
  • insuficiência renal;
  • tabagismo;
  • consumo excessivo de álcool;
  • uso prolongado de corticoides.

Nos homens, o hipogonadismo — redução importante da testosterona — está entre as principais causas de osteoporose secundária. Já nas mulheres, alterações hormonais que provocam ausência prolongada da menstruação, excesso de atividade física ou baixo peso corporal também aumentam o risco.

A prevenção começa antes dos 30 anos

Os especialistas lembram que a maior parte da massa óssea é construída até aproximadamente os 30 anos. Quanto maior essa reserva adquirida na juventude, menor tende a ser o impacto das perdas naturais provocadas pelo envelhecimento.

Entre as principais medidas preventivas estão:

  • alimentação rica em cálcio;
  • manter níveis adequados de vitamina D;
  • praticar exercícios físicos regularmente, principalmente atividades com impacto e fortalecimento muscular;
  • não fumar.
  • Quando fazer o exame? O principal exame para detectar a osteoporose é a densitometria óssea, capaz de identificar a redução da densidade mineral antes mesmo do surgimento das fraturas. A avaliação costuma ser indicada para:
  • mulheres após a menopausa;
  • homens a partir dos 70 anos;
  • pessoas mais jovens com fatores de risco importantes.

Quando a doença é confirmada, o tratamento pode incluir suplementação de cálcio e vitamina D, medicamentos que reduzem a perda óssea ou estimulam a formação de novo tecido ósseo e, em alguns casos, correção de alterações hormonais. Nas mulheres, a terapia hormonal pode ser indicada de forma individualizada, após avaliação médica.

"O envelhecimento da população torna ainda mais importante o diagnóstico precoce e a adoção de hábitos que preservem a saúde dos ossos ao longo da vida, reduzindo o número de fraturas e preservando a autonomia na terceira idade", afirma Izabelle Gindri.