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Parece perigosa e faz bem: conheça a planta que queima ao tocar na pele, mas fornece vitaminas e minerais importantes ao corpo

Conhecida pela irritação que provoca quando tocada, planta reúne compostos bioativos e pode ser consumida após o processamento adequado

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 2 de setembro de 2026 às 06:00

Parece perigosa e faz bem: conheça a planta que queima ao tocar na pele, mas fornece vitaminas e minerais importantes ao corpo
Parece perigosa e faz bem: conheça a planta que queima ao tocar na pele, mas fornece vitaminas e minerais importantes ao corpo Crédito: Imagem gerada pela IA

Ela é conhecida por uma característica nada agradável: ao encostar na pele, provoca ardência e irritação. Mas, quando passa pelo processamento adequado, a urtiga (Urtica dioica) pode ser usada de outras formas — em chás, cápsulas e até preparações culinárias — e reúne uma série de compostos que despertam o interesse pelo potencial medicinal da planta.

Rica em substâncias bioativas, a urtiga se destaca principalmente pelas propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes. Segundo Natália Ipaves, coordenadora do curso de Nutrição da Faculdade Anhanguera Taboão da Serra, a planta também fornece vitaminas e minerais importantes. “Contém vitaminas A, C, K e B1, minerais como ferro, cálcio, magnésio e potássio, além de flavonoides e ácidos fenólicos com ação antioxidante. Esses compostos ajudam a reduzir inflamações e proteger as células do organismo”, explica.

A polpa do achachairú também pode ser usada no preparo de sucos, geleias, sorvetes e outras sobremesas por Guarandu/ Wikimedia Commons

Mas o que exatamente a planta pode fazer pelo organismo?

Confira os principais benefícios associados ao seu consumo:

  • 1. Pode ajudar nas dores articulares
    Entre os efeitos atribuídos à urtiga está a ação sobre processos inflamatórios. Por isso, seu consumo pode contribuir para aliviar desconfortos relacionados a condições como artrite, artrose e reumatismo. “A planta tem efeito anti-inflamatório e antioxidante, reduzindo a produção de citocinas inflamatórias. Estudos clínicos mostram que seu uso regular pode aliviar desconfortos e rigidez nas articulações”, afirma a professora.

  • 2. Pode contribuir para a saúde dos rins
    A urtiga também apresenta efeito diurético, ou seja, estimula a eliminação de líquidos pela urina. Segundo Natália, esse efeito pode contribuir para a saúde dos rins e auxiliar na prevenção de infecções urinárias. Os compostos antioxidantes presentes na planta também ajudariam a proteger o tecido renal contra danos oxidativos.

  • 3. Os efeitos podem ir além
    As propriedades da urtiga não se limitam às ações anti-inflamatória e diurética. De acordo com a especialista, a planta também pode estar associada a outros efeitos no organismo, como auxílio no controle da pressão arterial, regulação da glicemia, melhora da saúde da próstata e do equilíbrio hormonal, fortalecimento do sistema imunológico e alívio de cólicas menstruais e sintomas alérgicos. Esses possíveis benefícios estão relacionados à variedade de compostos presentes na planta.

  • 4. Como preparar o chá
    Uma das formas mais conhecidas de consumo é o chá. Para prepará-lo, a orientação apresentada pela especialista é adicionar uma colher de sopa de folhas secas de urtiga a 250 ml de água fervente. A mistura deve ficar em infusão por aproximadamente 10 minutos. Depois, é só coar e consumir. Segundo Natália, a recomendação é de uma a duas xícaras por dia, sempre com orientação profissional, principalmente quando o consumo for contínuo ou ocorrer junto a outros tratamentos.

  • 5. Dá para consumir de outras maneiras
    O chá não é a única opção. Depois de devidamente processadas, as folhas de urtiga podem ser cozidas em sopas ou refogadas, de maneira semelhante ao espinafre. A planta também pode ser encontrada em diferentes apresentações, como cápsulas, extratos, cremes tópicos e tinturas naturais.

  • 6. Nem todo mundo deve consumir
    Apesar dos possíveis benefícios, a urtiga não é indicada indiscriminadamente. Gestantes, lactantes, pessoas com pressão baixa ou doenças renais graves devem evitar o uso, segundo a especialista. Também é necessário ter atenção à combinação com determinados medicamentos. O consumo pode potencializar os efeitos de diuréticos, anticoagulantes e remédios utilizados no tratamento de diabetes e hipertensão. Por isso, antes de transformar a planta em parte habitual da rotina, especialmente quando há uso de medicamentos ou alguma condição de saúde, é importante buscar orientação profissional.

A urtiga é um exemplo de como uma planta associada inicialmente a uma reação desagradável pode ter outras aplicações quando utilizada corretamente. “É fascinante perceber como uma planta que causa irritação ao toque pode oferecer tantos benefícios quando utilizada corretamente. O uso de fitoterápicos como a urtiga deve sempre ser acompanhado por um profissional da área da saúde, garantindo segurança e eficácia”, finaliza Natália.