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Mariana Rios
Publicado em 18 de agosto de 2026 às 18:00
As mudanças climáticas podem expor pessoas idosas a períodos de calor perigoso mais longos e intensos do que as projeções anteriores indicavam. É o que aponta um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, e publicado nesta terça-feira (18) na revista científica The Lancet Planetary Health. A pesquisa também indica que os efeitos da umidade sobre a saúde de pessoas com mais de 60 anos podem ter sido subestimados. >
O trabalho ganha relevância em meio a um verão marcado por temperaturas excepcionalmente elevadas em partes da Europa e da América do Norte. Os pesquisadores analisaram como o avanço do aquecimento global poderá afetar a exposição da população idosa a condições consideradas perigosas até 2100.>
O estudo parte de um indicador conhecido como temperatura de bulbo úmido, que considera a combinação entre calor e umidade. Essa medida é importante porque uma mesma temperatura pode representar um risco maior quando o ar está mais úmido, dificultando a evaporação do suor e, consequentemente, a capacidade do corpo de se resfriar.>
Melhores cidades para idosos
Segundo os pesquisadores, parte dos estudos utilizados anteriormente para estimar os limites de tolerância ao calor foi baseada em experimentos com pessoas jovens e saudáveis. Pesquisas mais recentes envolvendo idosos, porém, indicam que esse grupo pode sofrer consequências graves em condições de calor e umidade inferiores às consideradas perigosas em estimativas anteriores.>
Ao incorporar essas novas evidências aos modelos climáticos e às projeções de envelhecimento da população mundial, os autores concluíram que o número de pessoas expostas a condições de calor intoleráveis poderá ser significativamente maior do que o estimado anteriormente.>
Em um cenário no qual o aquecimento global fique limitado a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais até 2100, cerca de 22% das pessoas com mais de 60 anos poderão enfrentar, todos os anos, mais de um mês de exposição a calor considerado perigoso, segundo os modelos analisados. Os autores ressaltam, contudo, que os resultados dependem de diferentes escolhas metodológicas.>
O risco tende a ser maior em países e regiões onde parte significativa da população não dispõe de recursos para se proteger das altas temperaturas, como sistemas de refrigeração e ambientes adequadamente climatizados.>
Os pesquisadores defendem, por isso, medidas de adaptação que ampliem o acesso a formas de proteção contra o calor, além de políticas destinadas à redução das emissões de gases de efeito estufa.>