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Por que a mama pode voltar a cair depois da cirurgia plástica? Especialista explica o que influencia o resultado

Estudos apontam que até 23,2% das pacientes podem precisar de uma nova intervenção após mastopexia; qualidade dos tecidos, cicatrização e gravidade estão entre os fatores que influenciam a durabilidade

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 17 de agosto de 2026 às 16:17

Imagem Edicase Brasil
Por que a mama pode voltar a cair depois da cirurgia plástica? Especialista explica o que influencia o resultado  Crédito: (Imagem: BearFotos | Shutterstock)

A cirurgia plástica pode transformar a aparência das mamas e ajudar muitas mulheres a recuperar a autoestima. Mas existe uma questão que continua desafiando especialistas: por que, mesmo depois de uma mastopexia, as mamas podem voltar a apresentar flacidez com o passar do tempo?

Estudos apontam que a necessidade de uma nova cirurgia após o procedimento não é rara. Os índices de reintervenção variam de 8,7% a 23,2%, sendo a recorrência da ptose mamária — a queda ou flacidez das mamas — um dos principais motivos para uma nova intervenção.

Corpo de Margareth Serrão após procedimentos por Reprodução/Instagram

O impacto, porém, não é apenas físico. Para mulheres que recorrem à cirurgia com a expectativa de recuperar a autoestima, a perda do resultado ao longo do tempo pode provocar frustração e afetar a percepção geral de bem-estar. Segundo o cirurgião plástico Guilherme Graziosi, especialista em cirurgias mamárias e titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, entender os limites do próprio organismo é fundamental para pensar em resultados mais duradouros.

A gravidade continua agindo depois da cirurgia

Mesmo após o procedimento, os tecidos continuam submetidos à ação da gravidade. O processo de remodelamento da cicatriz também é longo e pode se estender de 21 dias a até dois anos. A longevidade em cirurgias de mama reside na própria qualidade dos tecidos”, afirma Graziosi, ao destacar que a gravidade atua continuamente durante o período de remodelamento da cicatriz". Ou seja, a cirurgia modifica a estrutura da mama, mas não interrompe os processos naturais de envelhecimento e alteração dos tecidos.

A cicatriz também tem um limite

Outro fator apontado pelo especialista é a capacidade de cicatrização do organismo. Segundo Graziosi, o tecido cicatrizado recupera cerca de 80% da resistência original quando comparado ao tecido que não sofreu uma intervenção. Caso a região seja submetida a uma nova lesão, essa resistência pode cair para níveis entre 60% e 70%.

Essa limitação biológica ajuda a explicar por que técnicas baseadas exclusivamente em suturas podem apresentar dificuldades para manter a sustentação das mamas no longo prazo. É nesse contexto que ganhou espaço o conceito de “sutiã interno”, que busca oferecer suporte estrutural adicional aos tecidos.

O que é o “sutiã interno”?

Uma das estratégias utilizadas nesse conceito envolve telas bioabsorvíveis, materiais desenvolvidos para oferecer sustentação durante o período mais crítico da cicatrização e que posteriormente são absorvidos pelo próprio organismo. Segundo o especialista, embora essas telas sejam cerca de 30% mais finas, elas mantêm aproximadamente 90% da força inicial durante a fase crítica de recuperação.

A absorção ocorre naturalmente por meio de um processo chamado hidrólise e pode levar aproximadamente 18 a 24 meses. “Estudos demonstram que o tecido resultante desse processo pode ser duas vezes mais forte que o tecido original, mantendo sua resistência mesmo após a absorção completa da tela”, destaca Graziosi.

A proposta é criar uma estrutura de sustentação que ajude a manter o formato da mama durante o processo de cicatrização e remodelamento.

Resultado duradouro depende de vários fatores

Apesar dos avanços nas técnicas de cirurgia mamária, o especialista ressalta que não existe uma fórmula capaz de garantir que o resultado permanecerá inalterado para sempre. A qualidade dos tecidos, o processo individual de cicatrização, a ação da gravidade e as características de cada paciente interferem diretamente na evolução.

Por isso, a cirurgia moderna busca equilibrar naturalidade, segurança e qualidade de vida, sem ignorar os limites biológicos do organismo. A avaliação individualizada antes do procedimento é fundamental para definir a técnica mais adequada e discutir expectativas realistas sobre o resultado e sua durabilidade.

Para Graziosi, compreender esses fatores é essencial tanto para o planejamento cirúrgico quanto para a segurança da paciente. A tecnologia pode oferecer novas alternativas de sustentação, mas a biologia de cada mulher continua sendo um dos principais elementos para determinar o resultado ao longo do tempo.