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Quatro adolescentes brasileiras vencem competição internacional e terão pesquisa sobre câncer de mama realizada no espaço

Equipe de Jundiaí conquistou, pela primeira vez, o primeiro lugar no ISS Journey. Experimento sobre câncer de mama será realizado em microgravidade na Estação Espacial Internacional

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 8 de julho de 2026 às 13:44

Quatro adolescentes brasileiras vencem competição internacional e terão pesquisa sobre câncer de mama realizada no espaço
Quatro adolescentes brasileiras vencem competição internacional e terão pesquisa sobre câncer de mama realizada no espaço Crédito: Divulgação

Uma pesquisa desenvolvida por quatro estudantes do ensino fundamental de Jundiaí, no interior de São Paulo, será realizada na Estação Espacial Internacional (ISS) após conquistar, pela primeira vez para o Brasil, o primeiro lugar no ISS Journey, programa internacional que desafia alunos a criar experimentos científicos para serem executados em condições de microgravidade.

As vencedoras são Beatriz Marques Herculano, de 14 anos, Giovanna Machado Tasso, de 14, Lavínia Carboni Berti, de 14, e Sara Lourenço Panico, de 15, alunas do 8º e 9º anos do Colégio Ser. A missão que levará o experimento ao espaço está prevista para setembro ou outubro de 2026.

Bons hábitos podem ajudar a evitar o surgimento do câncer de esôfago (Imagem: ViDI Studio | Shutterstock) por Imagem: ViDI Studio | Shutterstock

Promovido pela International School, programa bilíngue da Arco Educação, em parceria com a The Michaelis Foundation, o ISS Journey reuniu mais de 70 equipes brasileiras nesta edição. Apenas dez chegaram à fase final. O projeto vencedor, batizado de "Análise de células mesenquimais no secretoma e do ducto mamário", pretende investigar como a ausência de gravidade interfere na comunicação entre células relacionadas ao câncer de mama. A expectativa é que os resultados contribuam para ampliar o conhecimento sobre a doença e auxiliem futuras pesquisas em busca de novos tratamentos.

A inspiração veio de dentro da escola

A ideia da pesquisa nasceu de uma experiência vivida pelas próprias estudantes. O grupo decidiu investigar o câncer de mama após acompanhar o tratamento de uma professora da escola. "Escolhemos o câncer de mama e a saúde feminina porque somos um grupo formado só por mulheres. A gente tem relação com o tema por causa de uma professora nossa com a doença. Foi um tema muito sensível por causa disso também", conta Lavínia Carboni Berti.

Segundo estimativas, uma em cada oito mulheres desenvolverá câncer de mama ao longo da vida, o que motivou as alunas a buscar uma contribuição científica para o tema. Além do resultado inédito, a conquista chama atenção pelo protagonismo feminino em áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM), onde a participação das mulheres ainda é menor.

Durante o desenvolvimento da pesquisa, as estudantes precisaram dominar conceitos de biologia, metodologia científica e apresentar todo o trabalho em inglês para especialistas internacionais. "O inglês abriu muitas portas para nós. Pudemos apresentar nosso projeto para cientistas e pesquisadores, algo que nunca imaginávamos viver", afirma Giovanna Machado Tasso.

Para Beatriz Marques Herculano, a conquista também pode incentivar outras meninas a seguirem carreira científica. "Desenvolver esse projeto abriu portas tanto para o inglês quanto para a ciência. Espero que nossa experiência inspire outras meninas e ajude mulheres que enfrentam o câncer de mama", diz.

Da sala de aula ao centro espacial da NASA

Como parte da premiação, as quatro estudantes participaram de uma imersão no Kennedy Space Center, nos Estados Unidos, onde conheceram cientistas, especialistas da área aeroespacial e astronautas. Agora, o próximo passo será acompanhar a realização do experimento na Estação Espacial Internacional. Enquanto uma versão da pesquisa será executada em ambiente de microgravidade, outra permanecerá na Terra para servir de comparação aos pesquisadores.

Segundo Sara Lourenço Panico, a conquista também representa um reconhecimento da capacidade científica do país. "É muito importante porque mostra que o Brasil é capaz de fazer ciência. Nós não somos apenas o país do futebol e do carnaval. Temos muito mais a mostrar e muito mais a oferecer", afirma.

A expectativa é que os resultados ajudem pesquisadores a compreender melhor como a microgravidade influencia a comunicação entre células ligadas ao câncer de mama, ampliando o conhecimento sobre processos biológicos que poderão contribuir para futuras pesquisas na área.