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Seu coração não precisa de treino pesado: veja o que realmente faz diferença

Sair do sedentarismo pode reduzir o risco cardiovascular; cardiologista explica quanto exercício fazer, quais hábitos protegem o coração e quais sintomas exigem atendimento imediato

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 22 de agosto de 2026 às 07:00

Seu coração não precisa de treino pesado: veja o que realmente faz diferença
Seu coração não precisa de treino pesado: veja o que realmente faz diferença Crédito: Imagem gerada pela IA

Quando o assunto é saúde do coração, a atividade física mais eficiente pode não ser a mais intensa, nem exigir academia, equipamentos ou treinos longos. Para o cardiologista Luiz Fernando Fagundes de Gouvêa Filho, professor de Medicina da Universidade Anhembi Morumbi, o ponto de partida é mais simples: deixar o sedentarismo para trás e encontrar uma atividade que possa ser mantida por muitos anos. “O melhor exercício para o coração é aquele que a pessoa consegue incorporar à sua vida e manter por muitos anos”, afirma.

Segundo o especialista, começar com caminhadas e aumentar gradualmente a duração e a intensidade já pode produzir benefícios importantes. A regularidade, nesse caso, pode ser mais relevante do que mudanças radicais que duram apenas algumas semanas. Estudos citados pelo cardiologista apontam que sair da inatividade e alcançar cerca de 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada está associado a uma redução estimada de 23% no risco de morte cardiovascular e de 17% na incidência de doenças cardiovasculares.

Média de vida em território japonês ultrapassa a expectativa de todo o planeta e as mulheres lá vivem, em média, 86 anos por KIMIMASA MAYAMA/AFP

“Existe uma mensagem que considero muito importante: qualquer atividade física é melhor do que nenhuma atividade física, e os maiores ganhos costumam ocorrer justamente quando uma pessoa passa do sedentarismo para algum nível de atividade regular”, explica Gouvêa.

Não basta apenas fazer exercício

A proteção cardiovascular não depende de um único hábito. Além da atividade física, é importante acompanhar fatores como pressão arterial, colesterol, glicemia e peso, especialmente para quem tem histórico familiar de doenças cardiovasculares. O alerta é importante porque hipertensão, colesterol elevado e diabetes podem permanecer durante anos sem provocar sintomas, enquanto contribuem para danos progressivos aos vasos sanguíneos.

A alimentação também tem papel importante nesse processo. Uma dieta com excesso de sal, açúcar, gorduras saturadas e alimentos ultraprocessados pode favorecer o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Em contrapartida, uma alimentação baseada predominantemente em frutas, verduras, legumes, grãos integrais, castanhas e fontes adequadas de proteínas contribui para um perfil cardiovascular mais saudável. “A saúde cardiovascular é construída no dia a dia. O que realmente faz diferença é a combinação destes fatores”, afirma o médico.

Fumar e beber também entram na conta

O tabagismo é outro fator de risco importante. Segundo o cardiologista, fumar aumenta significativamente as chances de infarto, AVC e outras doenças cardiovasculares. Parar de fumar, por outro lado, produz benefícios progressivos para o coração. O consumo de álcool também merece atenção. “Quanto maior o consumo, maior tende a ser o risco de diversos problemas cardiovasculares e de outras doenças”, explica.

Sono irregular e estresse completam a lista de fatores que podem prejudicar a saúde. Ambos podem contribuir para alterações da pressão arterial, do metabolismo, do comportamento alimentar e da saúde mental, além de dificultar o controle de outros fatores de risco.

Quando o coração dá sinais de alerta

Nem todo desconforto deve ser atribuído ao cansaço ou à falta de condicionamento físico. Dor ou pressão no peito, principalmente durante esforço, falta de ar desproporcional à atividade, palpitações acompanhadas de tontura ou desmaio, queda inexplicada da capacidade física, inchaço nas pernas e falta de ar ao deitar são sinais que merecem avaliação médica.

Uma situação de emergência ocorre quando a dor ou pressão intensa no peito aparece acompanhada de falta de ar, suor frio, náusea ou mal-estar, sintomas que podem estar relacionados a um infarto. Também é preciso ficar atento a sinais neurológicos súbitos, como alteração da fala, perda de força em um lado do corpo ou assimetria da face, que podem indicar um AVC.

“Uma dor ou pressão intensa no peito, especialmente se acompanhada de falta de ar, suor frio, náusea ou mal-estar, pode representar um infarto. Da mesma forma, sintomas neurológicos súbitos, como alteração da fala, perda de força em um lado do corpo ou assimetria da face, podem indicar um AVC e exigem atendimento de emergência”, reforça Gouvêa. Nessas situações, a orientação é procurar atendimento imediatamente. “No infarto e no AVC, tempo é músculo e tempo é cérebro”, salienta o cardiologista.

Os números que mostram o tamanho do problema

As doenças cardiovasculares continuam entre as principais causas de morte no mundo. Segundo os dados apresentados no material, 19,8 milhões de pessoas morreram por doenças cardiovasculares em 2022. Do total, cerca de 85% das mortes cardiovasculares são causadas por infarto e AVC.

Ao mesmo tempo, a atividade física aparece como uma das ferramentas de prevenção que podem ser incorporadas à rotina. A estimativa apresentada pelo material indica que alcançar cerca de 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada está associado a 23% menos risco de morte cardiovascular e 17% menos incidência de doenças cardiovasculares.