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Perla Ribeiro
Publicado em 5 de agosto de 2026 às 11:14
Receber o diagnóstico de hipertensão, diabetes ou artrose costuma gerar preocupação, principalmente entre pessoas mais velhas. Mas especialistas fazem um alerta: conviver com uma ou até mais de uma doença crônica não significa, necessariamente, envelhecer sem saúde. Segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), a forma de compreender o envelhecimento mudou nos últimos anos. Hoje, o principal indicador de um envelhecimento saudável não é a ausência de doenças, mas a capacidade de manter autonomia, independência e qualidade de vida.>
"A maioria das pessoas idosas convive com uma ou mais doenças crônicas e isso, por si só, não significa incapacidade ou perda de qualidade de vida. Atualmente, sabemos que é perfeitamente possível envelhecer com saúde mesmo convivendo com doenças, desde que essas condições sejam bem acompanhadas e não comprometam, de forma importante, a autonomia e a independência", explica Isabela Oliveira Azevedo Trindade, fisioterapeuta, especialista em Gerontologia e presidente do Departamento de Gerontologia da SBGG. >
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O que realmente define um envelhecimento saudável? >
Ter a mesma idade ou os mesmos diagnósticos não significa envelhecer da mesma forma. Segundo a especialista, fatores como alimentação, atividade física, escolaridade, vínculos sociais, acesso aos serviços de saúde e condições socioeconômicas influenciam diretamente a forma como cada pessoa envelhece. >
"Duas pessoas podem ter exatamente os mesmos diagnósticos e apresentar níveis completamente diferentes de saúde. Enquanto uma continua independente, ativa e socialmente participativa, a outra pode apresentar limitações importantes. Isso acontece porque a saúde da pessoa idosa é determinada, principalmente, pela sua capacidade funcional, ou seja, pela habilidade de fazer aquilo que valoriza no cotidiano", afirma. >
Na prática, esse conceito vai muito além das doenças. Também considera aspectos como mobilidade, força muscular, cognição, saúde mental, visão, audição e o ambiente em que a pessoa vive. "Quando preservamos as condições físicas e cognitivas ao longo da vida e oferecemos ambientes favoráveis, aumentamos as chances de manter autonomia e independência, mesmo diante de doenças crônicas", acrescenta. >
Perder autonomia não é consequência inevitável da idade >
Outro equívoco frequente, segundo a SBGG, é acreditar que perder independência faz parte do envelhecimento. Embora algumas mudanças sejam naturais com o avanço da idade, muitas limitações podem ser prevenidas, retardadas ou tratadas quando identificadas precocemente. "Mais importante do que perguntar quais doenças uma pessoa tem é perguntar se ela consegue viver da maneira como deseja", destaca Isabela. >
O que ajuda a envelhecer melhor >
Além do acompanhamento médico, especialistas destacam que preservar a capacidade funcional depende de uma série de cuidados ao longo da vida. >
Entre eles estão:
Segundo a especialista em Gerontologia, a atividade física talvez seja a medida isolada com maior impacto na preservação da força, do equilíbrio, da mobilidade, da cognição e da saúde mental. Ela ressalta, porém, que fatores frequentemente esquecidos também fazem diferença, como manter relações afetivas, participar da comunidade, realizar atividades culturais e cultivar um propósito de vida. >
"Mesmo pessoas que já apresentam doenças crônicas ou alguma limitação funcional podem melhorar sua capacidade, recuperar parte da autonomia e ganhar qualidade de vida quando recebem intervenções adequadas. O grande objetivo da Geriatria e da Gerontologia não é apenas aumentar a expectativa de vida, mas ampliá-la com saúde. Isso significa viver mais anos com autonomia, independência, participação social e dignidade. Envelhecer com saúde não é envelhecer sem doenças. É preservar a capacidade de fazer escolhas, manter vínculos e continuar realizando aquilo que dá sentido à própria vida", afirma Isabela.>