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Perla Ribeiro
Publicado em 2 de junho de 2026 às 12:31
Um exame simples, realizado com poucas gotas de sangue nos primeiros dias de vida, pode ter impacto decisivo no futuro de um recém-nascido. O teste do pezinho é uma das principais ferramentas de triagem neonatal e permite identificar, de forma precoce, condições genéticas, endócrinas, infecciosas e metabólicas que, se não tratadas a tempo, podem comprometer o desenvolvimento infantil. >
Integrado ao Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), o exame é recomendado para todos os recém-nascidos no Brasil. A coleta pode ser realizada com segurança a partir de 48 horas de vida do bebê e, preferencialmente, até o 5º dia após o nascimento, conforme orientação da equipe de saúde. Esse intervalo contribui para a qualidade da análise laboratorial e permite a investigação rápida de eventuais alterações.>
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O procedimento consiste na coleta de pequenas gotas de sangue. Apesar de simples e rápido, o teste tem grande relevância na medicina preventiva, pois funciona como triagem para doenças que, em muitos casos, ainda não apresentam sinais clínicos nos primeiros dias de vida. Em caso de resultado alterado, a criança deve ser encaminhada para avaliação médica e realização de exames confirmatórios, uma vez que o teste do pezinho não estabelece diagnóstico definitivo.>
Em 2021, a Lei nº 14.154 determinou a ampliação gradual do escopo do teste do pezinho no SUS, com previsão de rastreamento de até 53 condições, de forma escalonada. Entre as doenças contempladas ou previstas estão fibrose cística, doença falciforme, fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito e atrofia muscular espinhal (AME). Essa ampliação representa um avanço significativo na saúde neonatal, ao ampliar a capacidade de identificar doenças raras e graves ainda nas fases iniciais da vida.>
Segundo a pediatra neonatologista e responsável pelos berçários do Hospital e Maternidade Santa Joana, Clery Gallacci, a eficácia do exame depende do cumprimento rigoroso dos protocolos de coleta e acompanhamento. “O teste deve ser realizado após o bebê já ter sido alimentado com leite humano, podendo ser coletado com segurança a partir de 48 horas de vida e, preferencialmente, até o 5º dia.>
Em situações específicas, como prematuridade, baixo peso ao nascer, transfusão sanguínea ou outras condições clínicas, podem ser necessárias coletas adicionais em momentos distintos, conforme avaliação da equipe de saúde. Diante de qualquer alteração, é fundamental o encaminhamento imediato ao pediatra e a realização de exames complementares para confirmação diagnóstica e início precoce do tratamento”, explica.>
A importância do teste do pezinho está na capacidade de identificar doenças graves antes do aparecimento dos sintomas, quando ainda há tempo para intervenções capazes de evitar sequelas irreversíveis. Em casos como a fenilcetonúria, por exemplo, o diagnóstico precoce permite a adoção de dieta específica para prevenir danos neurológicos. >
No hipotireoidismo congênito, o início rápido do tratamento é essencial para garantir o desenvolvimento adequado. Já na atrofia muscular espinhal (AME), incluída no processo de ampliação previsto em lei, a identificação precoce pode ser determinante para o acesso ao tratamento e para o prognóstico da criança.>
No Sistema Único de Saúde (SUS), o teste do pezinho é oferecido gratuitamente em unidades básicas de saúde, maternidades, hospitais e pontos de coleta habilitados. Também pode ser realizado em laboratórios da rede privada ou por meio de convênios médicos.~>
Mais do que uma etapa de rotina após o nascimento, o teste do pezinho é uma medida essencial de proteção à saúde infantil. Ao permitir o rastreamento de doenças silenciosas antes do surgimento de sintomas, o exame contribui para decisões médicas mais rápidas, acompanhamento adequado e melhores perspectivas de desenvolvimento.>