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Todo mundo usa caneta emagrecedora? Saiba o perfil dos consumidores no Brasil

Estudo aponta que população que utiliza os medicamentos deve crescer até seis vez mais no país

  • Foto do(a) author(a) Maysa Polcri
  • Maysa Polcri

Publicado em 9 de junho de 2026 às 11:04

Canetas emagrecedoras
Canetas emagrecedoras devem ficar mais baratas no Brasil Crédito: Reprodução

Você provavelmente conhece alguém próximo que emagreceu com auxílio de canetas emagrecedoras. Se não conhece, deve lembrar de algum famoso que fez o uso do medicamento e, em pouco tempo, mudou a aparência. As "canetinhas" já são uma realidade para 4,6% dos lares brasileiros e o uso ainda deve aumentar muito no país. Especialistas avaliam que em até dois anos, o percentual deve atingir 30%. 

Para Domenico Filho, diretor de Atendimento ao Varejo da NielsenIQ, empresa líder em inteligência sobre o consumidor, dois fatores principais devem contribuir com a popularização do uso das canetas. "Acreditamos que o Brasil pode chegar a 30% porque mais de 26% das famílias que dizem ter interesse em usar o medicamento, não utilizam porque acham o produto caro ou porque faltam informações sobre os produtos", explica.

A patente da semaglutida, substância usada em medicamentos como o Ozempic e Wegovy, expirou em março, o que tem contribuído para o lançamento de novos produtos. A expectativa é que o aumento da oferta contribua para a redução dos preços. Na semana passada, a farmacêutica EMS anunciou que o preço da primeira caneta brasileira de semaglutida vai custar a partir de R$ 452 - quase metade do praticado hoje no mercado. O medicamento já deve chegar ao mercado a partir de 15 de junho.

Uso indiscriminado das canetas emagrecedoras tem preocupado especialistas por Reprodução

"A queda de patente deve aumentar o uso e, com isso, aumentar o nível de informações que as pessoas possuem sobre as canetas. É difícil precisar quando isso vai acontecer. Mas arrisco dizer que até o final deste ano, devemos ter cerca de 10% das famílias brasileiras fazendo o uso da medicação, desde que ocorra o barateamento. O percentual deve chegar, nos próximos dois anos, a cerca de 30%", acrescentou Domenico Filho. 

Qual o perfil de quem usa?

A pesquisa realizada em mais de 8 mil lares brasileiros sobre uso de canetas emagrecedoras no Brasil, em 2026, revela o perfil de quem compra os medicamentos. O uso é maior na região Centro-Oeste, onde chega a 8,2% das famílias. No Nordeste, o percentual de lares que afirma fazer uso é de 2,2%. 

Nacionalmente, 69,5% dos consumidores pertencem às classes de nível socioeconômico alto, percentual muito superior aos 29,8% registrados no painel geral da população. A maior concentração está na faixa etária de 36 a 50 anos, que representa 43,1% dos usuários.

Em relação à composição familiar, 46% vivem em residências com três a quatro moradores. Além disso, o consumo é mais comum em lares sem crianças, que correspondem a 61% dos usuários. 

Convenção ABAD 2026 em Atibaia (SP) por Divulgação/Luciana Cássia Foto

Aumento do uso no Brasil

O uso de canetas emagrecedoras no país e a consequência da popularização para o setor varejista foram debatidos durante coletiva de imprensa na Convenção Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad) 2026, em Atibaia (SP). Segundo o estudo apresentado, os brasileiros gastam, em média, R$ 800 com os medicamentos. 

Quem usa e paga caro por isso, muda a forma de consumo para economizar. A "Pesquisa em Lares sobre medicamentos injetáveis à base de GLP-1 em 2026" mostra que 62,3% dos brasileiros que fazem o uso das canetas diminuíram saídas a bares e 54,9% reduziram idas aos restaurantes. Metade diminuiu o dinheiro gasto com lazer e 16,4% reduziu as contas do supermercado. 

A mudança de rotina tem relação com o efeito da medicação, que gera sensação de saciedade e reduz o apetite, diminuindo a ingestão de alimentos. À primeira vista, a redução de idas aos mercados e a bares e restaurantes podem parecer prejudicial ao comércio. Mas dados da NielsenIQ revelam que 86% dos brasileiros já adotam ao menos um hábito saudável e que 11% dos consumidores "extremamente saudáveis" gastam 11% a mais em bens de consumo. 

"A gente começa a ter crescimento de categorias que geram uma maior margem para o setor varejista. Proteínas animais, vegetais, crescimento de venda de suplementos. Então, são categorias que tendem a deixar o negócio do próprio varejista mais saudável financeiramente. Pensando no médio prazo, as famílias tendem a reduzir gastos que hoje têm com outras medicações, o que pode ser revertido em mais consumo no varejo", detalhou Domenico Filho. 

A repórter viajou a Atibaia, em São Paulo, para a cobertura da Convenção ABAD 2026 a convite da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad).