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Vai fazer várias cirurgias plásticas de uma vez? Veja quando a combinação pode ser perigosa

Lipoaspiração, abdominoplastia e cirurgias das mamas podem ser associadas, mas decisão depende das condições do paciente, da extensão da operação e do tempo cirúrgico

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 8 de setembro de 2026 às 05:30

Cirurgia plástica
Cirurgia plástica Crédito: Shutterstock

Realizar mais de um procedimento plástico durante a mesma cirurgia pode ser uma alternativa para alguns pacientes. A combinação de técnicas como lipoaspiração, abdominoplastia, mastopexia e cirurgias das mamas permite concentrar o tratamento em um único período cirúrgico e de recuperação. Isso, porém, não significa que quanto mais procedimentos forem feitos de uma só vez, melhor. A indicação precisa considerar principalmente as condições do paciente, a extensão das cirurgias e o tempo necessário para realizar cada etapa com segurança.

Para o cirurgião plástico Josué Montedonio, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), cirurgias combinadas podem ser indicadas quando há planejamento adequado. “Eu sou favorável às cirurgias combinadas quando elas são bem indicadas e planejadas. Ao mesmo tempo, também sou favorável à preocupação com o tempo cirúrgico. Uma coisa não exclui a outra”.

Natália Cavanellas deixou uma filha de três anos por Reprodução/Redes Sociais

Por que o tempo de cirurgia importa?

O risco de uma operação não depende apenas da complexidade do procedimento. O tempo de permanência no centro cirúrgico também entra na avaliação. Cirurgias mais prolongadas podem significar maior exposição à anestesia, mais tempo de imobilidade e maior desgaste fisiológico. Esses fatores precisam ser analisados individualmente.

“O aumento do tempo anestésico, a maior permanência em uma mesma posição e o desgaste fisiológico provocado por uma cirurgia prolongada podem elevar a probabilidade de complicações”, explica o especialista. Isso não significa, entretanto, que uma cirurgia longa seja necessariamente insegura.

Cirurgia longa é sinônimo de risco?

Não necessariamente. Alguns procedimentos são naturalmente mais complexos e exigem mais tempo. A técnica utilizada, as características anatômicas do paciente e a experiência da equipe também podem influenciar a duração da operação. Por isso, não existe um número de horas que seja considerado seguro para todos os pacientes e todas as cirurgias, segundo o especialista.

“Existem cirurgias que exigem mais tempo pela própria complexidade. O mais importante é que o cirurgião conheça seus limites, saiba planejar cada etapa e tome decisões sempre priorizando a segurança”. Antes de definir quais procedimentos serão realizados juntos, portanto, é necessário avaliar se a combinação é adequada para aquele paciente.

Quando pode ser melhor dividir os procedimentos?

Uma das vantagens percebidas pelos pacientes nas cirurgias combinadas é passar por uma única anestesia e concentrar o período de recuperação. Mas essa estratégia nem sempre é a mais segura. Em determinadas situações, dividir o tratamento em duas etapas pode reduzir a duração de cada cirurgia e permitir uma recuperação mais tranquila.

“Como a cirurgia plástica é um procedimento eletivo, nós temos a vantagem de poder planejar. Se, durante a avaliação, entendemos que realizar tudo em uma única cirurgia aumentaria desnecessariamente os riscos, faz muito mais sentido dividir o tratamento”, afirma Josué. A decisão deve levar em conta as condições clínicas do paciente, a extensão dos procedimentos e a estrutura disponível para a realização da cirurgia.

Equipe também influencia na segurança

O planejamento não termina na escolha das técnicas. A organização do centro cirúrgico também é considerada parte importante do processo. Cirurgião, anestesista, instrumentadores e demais profissionais precisam trabalhar de maneira coordenada, seguindo uma sequência previamente planejada.

“O centro cirúrgico funciona como uma equipe muito bem sincronizada. Cada membro tem uma responsabilidade, cada etapa acontece em uma sequência planejada e tudo precisa fluir de maneira organizada.” Essa eficiência, porém, não deve ser confundida com pressa. “O objetivo não é terminar rapidamente. Também não é prolongar a cirurgia sem necessidade. É realizar cada etapa no tempo adequado, com técnica, precisão e segurança”.

Resultado estético não é o único objetivo

Para o paciente, o resultado visual costuma estar entre as principais expectativas. Mas, segundo o cirurgião, o sucesso de uma cirurgia plástica precisa ser avaliado também pela maneira como o resultado é alcançado. “Hoje entendemos cada vez mais que o sucesso de uma cirurgia não depende apenas do resultado estético. Depende também da forma como esse resultado é alcançado. A segurança precisa estar presente em todas as decisões”.

Antes de optar por procedimentos combinados, o paciente deve conversar com o cirurgião sobre riscos, tempo estimado de cirurgia, condições clínicas individuais e possibilidade de dividir o tratamento em etapas. “O verdadeiro objetivo nunca é realizar o maior número possível de procedimentos. É oferecer ao paciente o melhor resultado possível com o menor risco possível”.

Assim, a possibilidade de combinar cirurgias deve ser definida individualmente. Em alguns casos, realizar diferentes procedimentos em uma única operação pode ser adequado; em outros, dividir o tratamento pode ser a escolha mais responsável.