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Perla Ribeiro
Publicado em 17 de julho de 2026 às 11:42
Coceira persistente, pele ressecada e irritação são sintomas que muita gente associa apenas ao clima mais frio ou à falta de hidratação. No entanto, esses sinais podem indicar dermatite atópica, uma doença inflamatória crônica que vai muito além da pele e pode comprometer o sono, a saúde mental, a autoestima e até a produtividade. >
A forma moderada a grave da doença costuma provocar crises recorrentes de coceira intensa, capazes de interromper o descanso e afetar a rotina de quem convive com o problema. Apesar disso, um dos principais desafios ainda é o diagnóstico, já que muitos pacientes acreditam estar lidando apenas com um ressecamento passageiro.>
Estresse provoca série de doenças que causam manchas vermelhas na pele
No Brasil, a dermatite atópica pode afetar até 2,3% dos adultos. Entre crianças e adolescentes, estudos apontam que a prevalência pode chegar a 20,1%. Durante o inverno, quando o ar fica mais seco e os banhos quentes se tornam mais frequentes, as crises costumam se intensificar. Como os sintomas podem ser confundidos com um simples ressecamento da pele, muitas pessoas deixam de procurar ajuda médica e acabam convivendo por mais tempo com o problema. >
“Muitos pacientes não se dão conta de que o sabonete comum pode ser um dos maiores problemas no inverno. Ele age removendo a camada lipídica que protege a pele e deixando-a vulnerável. A troca por um sabonete adequado é um passo simples que preserva essa defesa natural e previne o início de uma crise”, explica a dermatologista Analia Viana, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).>
A dermatologista explica ainda que, no inverno, a umidade do ar diminui, o que acelera a perda de água transepidérmica – ou seja, a evaporação natural de água através das camadas da pele. "Para um paciente cuja barreira cutânea já é comprometida, isso resulta em um ressecamento grave que alimenta o ciclo vicioso de coceira e inflamação. Por isso, a hidratação e a proteção da pele não são apenas um cuidado estético, mas uma parte crucial do manejo dessas condições”, esclarece.>
Um estudo realizado com pacientes com dermatite atópica moderada a grave no Brasil, México e Argentina mostrou que 48,3% relataram que problemas de sono interferiram na rotina diária na semana anterior à pesquisa. Além disso, cerca de 25% apresentaram sintomas de depressão. Segundo especialistas, a doença também pode estar associada à perda de confiança, dificuldades nas relações sociais e queda na produtividade, especialmente quando as crises são frequentes e não recebem tratamento adequado.>
Quando procurar um médico>
A orientação é procurar um dermatologista sempre que a coceira e o ressecamento forem persistentes ou recorrentes, principalmente quando os sintomas interferirem na qualidade do sono ou nas atividades do dia a dia. Somente o especialista pode confirmar o diagnóstico, avaliar a gravidade da doença e indicar o tratamento mais adequado para cada paciente.>
Os avanços da medicina têm ampliado as opções para o controle da dermatite atópica. Se antes os tratamentos eram voltados principalmente para aliviar as crises, hoje já existem estratégias que buscam manter a doença controlada por períodos mais longos, reduzindo o impacto dos sintomas e melhorando a qualidade de vida de adultos e adolescentes.>
Para especialistas, o acesso ao diagnóstico correto e ao acompanhamento médico é fundamental para evitar que pacientes continuem tratando a doença apenas como um problema de pele ressecada e convivam, sem necessidade, com sintomas que podem ser controlados.>