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Rodrigo Daniel Silva
Publicado em 30 de junho de 2026 às 06:00
Amigos, daqui a dois dias, as ruas do Centro Antigo de Salvador estarão novamente tomadas para celebrar a Independência do Brasil na Bahia. Haverá gente fantasiada e gente sem fantasia. Pessoas com trompetes, tambores, bandeiras e milhares de baianos que fazem do 2 de Julho uma das maiores manifestações cívicas do país. Neste ano, como acontece a cada dois anos, a expectativa é de que as ruas estejam ainda mais cheias por ser um ano eleitoral, com a presença dos pré-candidatos ao governo da Bahia e até à Presidência da República. >
A presença cada vez maior de militantes políticos e apoiadores tem incomodado muita gente, que avalia que a festa tem perdido parte do seu caráter de celebração da luta dos baianos contra os portugueses para se transformar em um grande ato de pré-campanha eleitoral. Não se pode negar que o desfile, que recentemente completou seu bicentenário, também se consolidou como um importante termômetro político e eleitoral. >
Jornalistas acompanham atentamente cada detalhe: quem foi aplaudido, quem foi vaiado, quem atraiu mais apoiadores, quem conseguiu mobilizar o público. Mas essa leitura também se tornou mais difícil. Com a organização de caravanas e grupos de militância, muitas manifestações acabam sendo planejadas, tornando menos espontânea a percepção da popularidade de cada liderança.>
Isso leva a uma reflexão interessante: a presença da militância política prejudica a festa?>
Muita gente responderia que sim. Por outro lado, fico me perguntando: se não fossem esses apoiadores, será que o 2 de Julho ainda reuniria tanta gente nas ruas? Se não fosse a presença dos políticos, a festa teria mantido a mesma força ao longo dos anos ou teria perdido relevância? >
A presença dos políticos tem sido relevante nas festas populares da Bahia, seja porque leva milhares de apoiadores às ruas, seja porque atrai a imprensa e amplia a cobertura da celebração. Quantas festas populares não perderam força justamente por falta de público e de visibilidade?>
Pelo bem ou pelo mal, prefiro que a chama da festa da Independência do Brasil na Bahia continue acesa. O desafio é fazer com que a política participe da festa, sem que a festa deixe de ser, acima de tudo, uma celebração da nossa história.>
Julgamento de contas>
As contas de 2025 do governador Jerônimo Rodrigues (PT) já têm data para serem julgadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). Segundo informou à coluna o presidente da Corte, Gildásio Penedo, a expectativa é que a apreciação ocorra no dia 30 de julho. A relatoria ficará a cargo da conselheira Carolina Matos, considerada nos bastidores uma magistrada de perfil mais técnico do que político.>