Um ano após acidente, Paraíso do Tuiuti é vice do carnaval do Rio

brasil
14.02.2018, 16:45:00
Atualizado: 14.02.2018, 16:48:18
Desfile teve crítica ao presidente Michel Temer (AFP)

Um ano após acidente, Paraíso do Tuiuti é vice do carnaval do Rio

Desfile da escola, com críticas a Michel Temer e manifestantes, foi o mais comentado nas redes

Depois de um ano difícil, que teve um acidente com um carro desgovernado deixando um morto e 19 feridos, a Paraíso do Tuiuti conseguiu se reerguer e este ano conquistou o vice-campeonato do carnaval 2018 do Rio. Além disso, foi a escola mais comentada nas redes sociais e nas ruas desde seu desfile, que trouxe um presidente-vampiro, em alusão clara a Michel Temer.

A escola chegou ao grupo especial em 2017, depois de vencer a divisão de acesso em 2016. No ano passado, acabou ficou na última colocação geral, mas não caiu para a competição de acesso novamente porque a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa) resolveu não rebaixar nenhuma escola por conta dos acidentes na Sapucaí."Acho que foi a decisão mais sensata. Como você vai julgar uma escola em vários quesitos assim? Primeiro vem a vida", disse na época Leandro Machado, diretor de carnaval da Paraíso do Tuiuti.

“A Tuiuti veio de uma terra arrasada para provar que com trabalho, honestidade e dedicação pode ser competitiva“, comemorou hoje Thiago Monteiro, um dos diretores de carnaval da Tuiuti, em entrevista ao G1. O vice-campeonato foi bastante celebrado pela escola. “É muita emoção. Isso é fruto de muito trabalho que um grupo que começou o ano rebaixado e a gente chega a vice-campeão do carnaval. Parabéns à Beija-Flor, parabéns a todas as escolas“, acrescentaThiago.

A radialista Elizabeth Ferreira Joffe, 55 anos, a Liza Carioca, foi atropelada pelo carro da escola na Sapucaí e morreu dois meses depois. A fotógrafa Lúcia Regina de Mello Freitas, 56 anos, ficou gravemente ferida no acidente. Ela teve fratura exposta na perna e ficou em estado grave na UTI do hospital Miguel Couto. 'A luta foi pra eu ficar com a minha perna e eu estou indo para a casa com ela', comemorou, quando recebeu alta.

Desfile polêmico
Em seu desfile, a escola discorreu sobre a escravidão no Brasil e defendeu a ideia de que ela ainda não acabou, apenas mudou de forma.

O carnavalesco Jack Vasconcelos partiu dos navios negreiros do século 16 e chegou ao "cativeiro social" dos dias de hoje, marcado por desigualdades sociais e precarização do trabalho. As últimas alas e o último carro alegórico, bastante aplaudidos, faziam críticas à reforma trabalhista e sugeria o presidente Michel Temer (MDB) como vampiro.

(Foto: AFP)
(Foto: AFP)
(Foto: AFP)
(Foto: AFP)
(Foto: AFP)
(Foto: AFP)

Foi uma apresentação de início e fim fortes, mas que se perdeu no meio. A sequência de alas de escravos nos canaviais, nos cafezais, nas minas e nos quilombos foi cansativa.

A escola apresentou figurinos refinados e carros de beleza plástica, mas poucas inovações estéticas. A comissão de frente, com escravos acorrentados açoitados por um feitor, impressionou, assim como a menção às disparidades brasileiras, mostradas no último carro: o andar de cima, com banqueiros e aristocratas, e o de baixo, com o proletariado, domésticas, operários e motoristas.

A ala "Guerreiros da CLT" trazia carteiras de trabalho chamuscadas, alusão à reforma trabalhista, e a "manifestoches" debochava dos protestos contra a ex-presidente Dilma Rousseff  (PT) - os manifestantes foram representados como fantoches.

Ao final, os integrantes do Paraíso comemoraram o bom desfile - que talvez não possa ser repetido no desfile das Campeãs (reunião das seis melhores escolas das duas noites), mas deixa a escola distante do rebaixamento à segunda divisão.