Editorial: uma festa complexa e democrática

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Publicado em 7 de fevereiro de 2016 às 04:32

- Atualizado há 10 meses

O Carnaval de Salvador ganhou fama como grande festa popular no tempo em que os blocos eram praticamente amadores e arrastavam multidões sem a organização de hoje. Com a explosão da axé music, profissionalização dos blocos e a criação dos camarotes no circuito Barra-Ondina, a partir da década de 1980, o Carnaval da capital baiana atingiu projeção internacional, atraindo turistas de todas as partes. Tornou-se um novo e grande negócio que trouxe benefícios - gerando renda e empregos - a nossa cidade que passou a ser reconhecida também por ter o maior Carnaval de rua do planeta.

Essa dimensão muito maior criou também novos desafios para seus organizadores. Por um lado, boa parte da população começou a se queixar de ficar excluída da festa com a disparada dos preços dos abadás dos grandes blocos e dos camarotes, cada vez mais luxuosos para atrair turistas. Por outro lado, a concentração de multidões cada vez maiores nos dois grandes circuitos da folia - relativamente próximos um do outro - tornava os desafios de infraestrutura cada vez mais complexos. A gestão amadora da cidade na década passada tornou esses problemas, cada vez mais críticos afetando moradores, foliões baianos e turistas.

Felizmente, os últimos carnavais mostraram uma mudança de rumo na gestão da folia, com o enfrentamento desses desafios. Iniciativas como o Furdunço e, agora, o Fuzuê criaram alternativas para o gigantismo dos blocos tradicionais, abrindo novos espaços para os foliões. O sucesso dessas iniciativas levou o poder público e também a iniciativa privada a patrocinar desfiles em blocos sem cordas de estrelas do Carnaval baiano, democratizando a folia. A prefeitura de Salvador tomou ainda a importante iniciativa de levar o Carnaval nos bairros, com atrações realmente populares, criando opções para os moradores da cidade que gostam da folia, mas ficavam longe pelas dificuldades de deslocamento ou pelo temor das multidões dos circuitos Dodô e Osmar.

No total, o Carnaval 2016 terá 260 blocos sem cordas - tendência que vem sendo aprofundada a cada ano. Com a folia espalhada por 10 bairros e mais circuitos, serão quase mil apresentações de blocos, trios, artistas e bandas pela nossa cidade.

Os números do Carnaval 2016 revelam muito mais que o sucesso da festa; mostram ainda o tamanho e a complexidade da operação na folia. A cada dia, estão rodando pela cidade três mil ônibus - 1.300 deles rodando 24 horas - e mais de 7 mil táxis. Foram criadas linhas especiais para ligar shoppings, onde há alternativa de estacionamento, aos circuitos. Praticamente toda a estrutura da prefeitura está mobilizada para dar suporte ao Carnaval: quase 2.000 profissionais de saúde, 600 funcionários da Transalvador, todo o efetivo da Guarda Municipal, 700 servidores da Saltur, além de uma coordenação permanente liderada pelo próprio prefeito ACM Neto, que faz reuniões diárias para a avaliação do trabalho.

A esse contingente, somam-se quase 20 mil policiais e bombeiros mobilizados para dar segurança à festa. Só em Salvador, foram montados 65 postos policiais em Salvador. Experiência bem-sucedida do Réveillon, a instalação de portais para abordagem foi repetida no Carnaval, aumentando o controle sobre objetos perigosos e também a sensação de segurança nos circuitos.

Essa operação complexa, enfrentada com profissionalismo nos últimos anos, garante um Carnaval mais democrático para os baianos - com os blocos sem cordas e as atrações nos bairros - e também estimula os tradicionais negócios relacionados à folia. A Secretaria Municipal de Cultura e Turismo estima um acréscimo de 20% na quantidade de visitantes em comparação a 2015 - o número deve chegar a 720 mil. No aeroporto, houve um incremento de 28% no número de voos.

As principais agências especializadas em vendas de camarotes e abadás registraram um aumento de 15% a 20% nas vendas.  Esses números apontam ainda para o acerto da prefeitura da capital em ampliar os dias de festa e estimular eventos pré-folia para que jamais  Salvador tenha ameaçada sua fama de ter o maior - e mais animado - Carnaval de rua do planeta.