Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Da Redação
Publicado em 30 de novembro de 2009 às 14:54
- Atualizado há 3 anos
Seis empresas baianas de transporte investigadas pela Operação Expresso faturaram mais de R$3,6 milhões em contratos com o governo do estado entre 2006 e 2009. Os valores constam nos relatórios anuais publicados no site Transparência Bahia. O levantamento feito pelo CORREIO é concentrado em quatro empresas do Grupo Brasileiro, de propriedade dos irmãos Paulo e Ronaldo Carletto, deputado estadual pelo PP, e em mais duas sob investigação da Polícia Civil. Todas são citadas no inquérito que apura um esquema de cobrança de propina a empresários do setor por diretores da Agência Estadual de Regulação em Serviços de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba). De acordo com os dados do Transparência Bahia, mantido pela Secretaria Estadual da Fazenda, grande parte desses contratos foram abocanhados pelos irmãos Carletto, donos do segundo maior grupo de transporte público intermunicipal do estado. Somente as empresas Rota Transportes, Expresso Brasileiro, Águia Azul e Viação Jequié Cidade Sol faturaram mais de R$3,4 milhões. Os valores dos contratos, firmados através de licitações por concorrência ou pregão, foram pagos às empresas do grupo para serviços de transporte a órgãos e instituições do governo. Os mais volumosos são os das universidades estaduais de Santa Cruz(Uesc) e do Sudoeste da Bahia (Uesb). A lista inclui ainda a Polícia Militar e o Departamento de Infraestrutura de Transportes da Bahia (Derba). >
Analisadas ano a ano, as contas revelam um crescimento gradativo da fatia do Grupo Brasileiro nos contratos de transportes fechados como governo.No caso da Rota, ela conseguiu aumentar sua participação em quase quatro vezes. Em 2006, a empresa, que opera no sul e no sudoeste baiano, recebeu pouco mais de R$480 mil. No ano seguinte, o valor pago foi R$558 mil. Já em 2008, a Rota praticamente dobrou seu faturamento junto ao governo - R$944 mil. Até outubro deste ano, a maior empresa dos irmãos Carletto recebeu R$1,23 milhão. O aumento veio, sobretudo, após a empresa vencer a licitação para transporte dos educadores do programa Todos pela Alfabetização (Topa) vinculados à Uesb. >
O padrão de crescimento é verificado também nas outras três empresas do grupo. Entre 2006e 2008, a soma paga à Cidade Sol praticamente dobrou, saindo de R$37 mil para R$65 mil.A Águia Azul e a Expresso Brasileiro, cuja participação nos contratos é pequena em comparação com o restante, também tiveram aumento no valor pago. O restante da soma levantada pelo CORREIO foi pago à Expresso Alagoinhas e à Planeta Transportes.EscutasAs duas empresas estão sob investigação da polícia depois que escutas telefônicas autorizadas pela Justiça captaram o andamento de uma negociata para pagamento de propina à cúpula da Agerba. Até agosto deste ano, o órgão era dirigido por Antonio Lomanto Netto, um dos sete presos na operação realizada na última terça-feira pela Civil e ligado ao ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. A transcrição das escutas e a determinação judicial que embasou a ação da polícia, às quais a reportagem teve acesso, sugerem o pagamento de dinheiro para que a Agerba autorizasse a venda da Expresso Alagoinhas e da Planeta para a Rota.Aempresa é dirigida por Paulo Carletto, cujo irmão é da base aliada do governo na Assembleia. Os irmãos Carletto aparecem nas escutas agindo para pressionar a empresária Ana Dosinda Penas Ribeiro, então dona da Expresso Alagoinhas, a pagar R$400 mil, referente ao acordo para permitir a venda. As transcrições mostram ainda o uso dos gabinetes de Ronaldo e do deputado estadual Leur Lomanto Júnior (PMDB) para negociatas do Expresso da Propina. Polícia apura participação de empresas A polícia está investigando se houve mais pagamentos de propina para ex-diretores da Agerba, órgão estadual que regula o setor de transportes intermunicipais. Segundo uma fonte que atua no caso, as escutas indicam que não foi apenas a empresária Ana Dosinda que pagou para facilitar a venda da Expresso Alagoinhas para a Rota. Há fortes indícios de que a Planeta Transportes, também adquirida pelos Carletto, tenha participado do esquema.Valores da Rota3,2 milhões de reais é o valor aproximado dos contratos firmados entre 2006 e 2009 pelo governo do estado com a Rota Transportes, empresa pertencente aos irmãos Paulo e Ronaldo Carletto(PP), cujo partido, aliado de Jaques Wagner na Assembleia, comanda atualmente a Agerba. Os valores se referem, sobretudo, à prestação de serviços de transporte a servidores de universidades estaduais, Polícia Militar e órgãos do governo.(Notícia publicada na edição impressa de 30/11/2009 do CORREIO)Veja também>