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Da Redação
Publicado em 11 de agosto de 2012 às 10:38
- Atualizado há 3 anos
Victor Albuquerque, Victor Longo e agênciasmais@correio24horas.com.br>
A greve dos servidores federais já mobilizou mais de 350 mil funcionários em pelo menos 36 categorias, de acordo com números dos sindicatos, e já afeta todo o Brasil. Quilômetros de engarrafamento nas estradas, filas nos aeroportos, estudantes sem aulas e portos parados são alguns dos reflexos dessas paralisações. >
Diante da radicalização do movimento, a presidente Dilma Rousseff pediu ajuda ao ex-presidente Lula para acalmar os ânimos dos sindicalistas e mediar as negociações. Em conversa com Lula, na terça-feira, Dilma queixou-se da relação das centrais sindicais. Enquanto isso, os dirigentes sindicais, inclusive da Central Única dos Trabalhadores (CUT), também se queixam do tratamento recebido do Palácio do Planalto. >
Segundo eles, após ser eleita, Dilma não teria retribuído o apoio que teve na campanha eleitoral. E não teria cumprido a promessa de manter um diálogo permanente com a central, ligada ao PT. A ideia da presidente é de que Lula possa administrar a impaciência dos sindicalistas diante dos diálogos quase sempre sem um desfecho. >
Presidente quer que companheiro acalme os ânimos dos sindicalistas e mediar as negociações>
Atualmente, a intermediação com os movimentos sociais é feita por Gilberto Carvalho, chefe da Secretaria Geral da Presidência da República. Um dos vice-presidentes da CUT, José Vicente Feijó, foi chamado para assessorá-lo. Proposta A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, prometeu para a próxima semana uma resposta final sobre o reajuste aos servidores federais - algumas categorias pleiteiam até 22% de aumento. Ela não antecipou detalhes sobre quais carreiras ainda poderiam ser contempladas nem sobre a extensão do benefício, se ele ocorrer. >
De acordo com a ministra, se acatasse todas as reivindicações, a equipe econômica teria de desembolsar R$ 92 bilhões, o equivalente à metade da folha atual de pagamento e 2% do Produto Interno Bruto (PIB). “É impossível. São duas vezes o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) deste ano”, comparou a ministra.>
Na avaliação do sindicalista Pedro Armengol, coordenador do setor público da CUT, a demora do governo em apresentar uma proposta de reajuste para os servidores é uma “política equivocada” e vem aumentando o movimento grevista. “Não achamos esse discurso coerente. Não é dessa forma que entendemos que se administra a crise”, afirmou.>
Bahia Aqui no estado, a greve dos professores de instituições federais já chega a dois meses e 15 dias. Embora o sindicato nacional da categoria já tenha emitido indicativo de fim da greve, o Sindicato dos Professores das Instituições Federais de Ensino Superior da Bahia (Apub) decidiu manter a paralisação, na última terça-feira. “Até a próxima terça, decidiremos como fazer uma nova consulta aos professores, se por assembleia ou plebiscito”, disse a diretora da Apub, Silvia Ferreira. >
Em negociação com o governo federal, a categoria já conquistou a possibilidade de ascensão salarial sem necessidade de novo concurso para professores titulares e a correção salarial, entre 25% e 44% até 2015, com base nos salários de julho de 2010.>
Com a paralisação da Polícia Federal (PF), serviços como a emissão de passaportes e a fiscalização de carga nos portos estão temporariamente interrompidos. “Só estão mantidos casos de urgência. Quem for viajar agora deve levar a passagem junto para pedir o passaporte”, recomendou a presidente do Sindipol-BA, sindicato da categoria no estado, Rejane Teixeira. >
No Aeroporto de Salvador, os únicos três agentes de imigração lotados no terminal seguemtrabalhando. “Com o pessoal reduzido, tememos a entrada de terroristas na Copa do Mundo”, diz Rejane. Os PFs também pedem a reestruturação da carreira.>
Por sua vez, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) fará assembleia na segunda-feira para definir os rumos do movimento. No Porto de Salvador, as greves da PF, PRF, Anvisa e Receita Federal têm provocado atrasos no embarque de cargas de até cinco dias.>