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Maysa Polcri
Publicado em 22 de maio de 2026 às 17:30
A modelo e personal stylist Karen Seabra, de Minas Gerais, usou as redes sociais para denunciar o que classificou como abuso sexual cometido por um obstetra durante consultas de pré-natal. Em vídeos publicados no Instagram, ela relatou episódios de constrangimento, comentários de cunho sexual e exames de toque feitos, segundo ela, de maneira inadequada ao longo da gestação. >
Karen contou que era paciente do médico desde 2022 e que, antes da gravidez, nunca havia enfrentado qualquer situação desconfortável. Por confiar no profissional, fazia as consultas sozinha, sem a companhia do marido ou de familiares.>
Segundo o relato, a postura do obstetra mudou após a confirmação da gravidez. Ela afirma que o médico passou a fazer “brincadeiras” com insinuações sexuais durante as consultas. “Quando eu chegava lá, ele falava: ‘essa barriga marcando, hein? As pessoas vão saber o que você anda fazendo’”, disse.>
A influenciadora também relatou que, a partir do terceiro mês de gestação, passou a ser submetida a exames de toque em todas as consultas. Sem experiência por ser mãe de primeira viagem, ela acreditava que os procedimentos faziam parte da rotina do pré-natal.>
“Ele mandava eu colocar o roupão, deitar na maca e fazia os exames. Pegava na minha barriga, no meu peito e fazia o exame de toque em todas as consultas”, afirmou. "Eu tentava ignorar, porque eu não estava preparada para lidar com isso agora. Não esperava viver isso durante a gestação. Infelizmente, a mulher não tem um momento de paz, nem na gestação", lamentou. >
Karen disse que só descobriu que os exames frequentes não eram comuns após contratar uma enfermeira obstétrica. Durante uma conversa, a profissional teria explicado que o toque costuma ser realizado apenas na fase final da gravidez, quando há sinais de trabalho de parto. “Ela falou: ‘O médico não tem que ficar fazendo toque em você’. E aí eu percebi que em todas as consultas ele fazia isso”, contou.>
A modelo afirmou ainda que saía das consultas sentindo dores e com pequenos sangramentos. “Eu sempre saía sangrando, um sanguinho rosa, e sentia cólica por causa do desconforto”, relatou.>
No vídeo, Karen descreveu um episódio específico que a levou a formalizar a denúncia. Segundo ela, durante uma consulta motivada por sintomas de candidíase, o médico realizou um exame ginecológico e, sem explicação prévia, introduziu dois dedos nela.>
“No que eu gritei e falei ‘ai, o que é isso? Tá me machucando’, ele não parou. Continuou fazendo o movimento enquanto olhava para o meu rosto”, disse. A identidade do médico não foi revelada. >
Ela afirmou que o médico não explicou a necessidade do procedimento naquele momento e apenas repetia expressões no diminutivo, como “deixa eu ver se está fechadinho”, algo que passou a lhe causar desconforto. Ela denunciou o caso ao hospital onde era atendida e ao Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais. >
Ao compartilhar a experiência, a modelo afirmou que o objetivo é alertar outras mulheres, especialmente grávidas de primeira viagem, sobre possíveis sinais de abuso em consultas médicas.>