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Perla Ribeiro
Publicado em 20 de fevereiro de 2026 às 13:47
Um levantamento feito pelos Correios aponta que nenhuma das unidades estaduais atingiu a meta de entregas dentro do prazo estabelecida para o período até setembro de 2025. Ao todo, a empresa conseguiu alcançar o índice de 90,18%, abaixo da meta de 95,54% que havia sido definida. Os dados fazem parte de documentos obtidos com exclusividade pelo G1. >
Entre todas as unidades analisadas pela estatal, a que teve o pior resultado foi a de Roraima (64,84%), com desempenho 30 pontos percentuais abaixo da meta estimada (94,84%). A Região Norte é responsável por seis dos sete piores índices de entrega no ano. A avaliação leva em consideração o cumprimento dos prazos estabelecidos junto aos clientes finais dos principais serviços postais — Encomenda, Logística e Mensagens.>
Correios anuncia empréstimo de R$ 20 bilhões e demissões na empresa
O índice é calculado pela razão entre os objetos entregues no prazo e o total de objetos entregues (dentro e fora do prazo), além dos extraviados e roubados nas Superintendências Estaduais. "O acompanhamento dos registros no sistema SIAT e das ações direcionadas evidenciam carga represada nas origens e destinos", justificou a estatal.>
Mesmo abaixo do esperado, os Correios afirmam que o resultado ainda foi ligeiramente melhor — 0,71 ponto percentual acima — do que o registrado no mesmo período de 2024.>
"O cenário de backlog ao longo do tempo revela lacunas no processo de tratamento nos principais centralizadores exportadores de carga das Superintendências Estaduais (SE) do Grupo I e II, motivadas pela falta de mão de obra contratada por Execução Indireta de Serviços – EIS e necessidades de ajustes no processo produtivo, somadas as dificuldades iniciadas nas operações", ponderou a empresa.>
Para contornar a situação e reduzir os atrasos no processo de entrega das encomendas, a estatal informou que adotou as seguintes medidas: reestruturação do fluxo de caixa, priorizando pagamentos a fornecedores logísticos; negociação de parcelamentos com fornecedores para retomada dos serviços; contratação emergencical de operadores logísticos regionais.>
Também vai haver implementação de matriz de criticidade, priorizando encomendas urgentes e clientes estratégicos; otimização da malha de transporte (superfície nacional/regional e aérea), com revisão do guia de transporte e planos de paletização; contratação de viagens extras nas rotas de Linha de Transporte Nacional e da Rede Postal Noturna.>
Ao longo do último ano, a empresa deixou de pagar fornecedores de logística responsáveis pelo transporte de encomendas por aviões ou caminhões pelo país. Em função disso, até julho, as transportadoras estão cobrando na Justiça R$ 104 milhões em faturas atrasadas. Ao todo, eram 58 processos envolvendo 41 empresas.>
Parte dessas empresas assinou, em março, duas cartas públicas informando que, a partir de 1º de abril, paralisariam a prestação dos serviços de transporte de cargas para os Correios. Mesmo assim, os pagamentos não foram regularizados. E as paralisações ocorreram. Ao longo de 2025, a estatal deixou de pagar R$ 3,7 bilhões em obrigações com fornecedores; com o fundo de pensão, o Postalis; com o plano de saúde dos funcionários, o Postal Saúde; e em tributos federais.>
Os Correios fecharam, no final de dezembro de 2025, um empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco dos principais bancos do país para reforçar o caixa da estatal em meio à crise financeira enfrentada pela empresa. A assinatura do contrato foi publicada no dia 27 de dezembro, no Diário Oficial da União (DOU) e envolveu os bancos Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
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O acordo tem validade até 2040 e conta com garantia da União, o que significa que o governo federal dá respaldo à operação e reduz o risco para as instituições financeiras que concederam o crédito. O empréstimo bilionário foi autorizado pelo Tesouro Nacional e faz parte do plano de reestruturação dos Correios, após cinco bancos apresentarem proposta de financiamento.
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