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Perimenopausa: estilo de vida moderno pode ser responsável por antecipação dos sintomas

Especialista explica sobre a fase de transição para a menopausa, que tradicionalmente se inicia após os 40 anos, e alerta: 'desconfortos não podem ser normalizados'

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 3 de abril de 2026 às 12:42

O diagnóstico da menopausa costuma ser clínico, com base nos sintomas da paciente (Imagem: Monkey Business Image | Shutterstock)
Perimenopausa: estilo de vida moderno pode ser responsável por antecipação dos sintomas Crédito: Imagem: Monkey Business Image | Shutterstock

Insônia, irritabilidade, cansaço extremo, lapsos de memória e, principalmente, irregularidade no ciclo menstrual. Muitos desses sintomas são frequentemente atribuídos à rotina agitada e ao estresse do dia a dia, mas podem ser os primeiros sinais da perimenopausa, a fase de transição que antecede a menopausa. Esse período, que marca o declínio natural da função ovariana, pode começar anos antes da última menstruação e tem se tornado um tema de crescente interesse e debate, quebrando tabus e levando mais pessoas a buscar informação e cuidado.

“É fundamental que esses desconfortos não sejam normalizados. Uma avaliação clínica detalhada, aliada a exames laboratoriais, é essencial para confirmar a fase da perimenopausa e descartar outras condições, como distúrbios da tireoide, que podem apresentar sintomas semelhantes. Esse diagnóstico permite orientar as melhores abordagens, que vão desde ajustes no estilo de vida até a terapia de reposição hormonal, quando indicada”, detalha Deborah Goulart Ferreira, endocrinologista do Sabin Diagnóstico e Saúde.

A peça “Cenas da Menopausa” por Edgar Machado

A perimenopausa geralmente se manifesta na faixa dos 40 anos, mas especialistas observam que fatores do estilo de vida contemporâneo podem influenciar sua manifestação. “No Brasil, a idade média da menopausa é por volta dos 51 anos. A perimenopausa, por sua vez, é a janela de tempo que a antecede, durando em média de 8 anos antes da última menstruação. Durante essa fase, os níveis de estrogênio e progesterona começam a oscilar de forma imprevisível, causando uma série de mudanças físicas e emocionais que muitas vezes não são imediatamente reconhecidas”, explica a especialista.

Além dos fatores genéticos, que são determinantes, o estilo de vida moderno tem um papel crucial. “Estresse crônico, má alimentação, sedentarismo, obesidade e tabagismo são fatores que podem desregular o eixo hormonal e, em alguns casos, contribuir para uma transição mais sintomática ou precoce. Hoje, as pessoas estão mais informadas e dispostas a discutir o tema, o que aumenta a procura por um diagnóstico preciso para garantir qualidade de vida”, reforça.

A importância do diagnóstico preciso

A irregularidade menstrual costuma ser o primeiro e mais evidente sinal, com ciclos que se tornam mais curtos, mais longos ou com fluxos variáveis. No entanto, são os outros sintomas, como ondas de calor (fogachos), dificuldades para dormir, alterações de humor e queda de energia, que mais impactam o bem-estar.

Para uma avaliação completa do status hormonal e da saúde geral nesta fase, a especialista recomenda os principais exames:

  • FSH (Hormônio Folículo-Estimulante): Seus níveis tendem a aumentar com a diminuição da função ovariana.
  • Estradiol (E2): Principal hormônio feminino, cujos níveis oscilam e depois caem.
  • Hormônios da tireoide (TSH, T4 livre): Para descartar hipotireoidismo ou hipertireoidismo.
  • LH (Hormônio Luteinizante), Progesterona, Testosterona total e livre, e SHBG: Para uma análise abrangente do perfil hormonal.

A endocrinologista finaliza reforçando que a perimenopausa não é uma doença, mas uma fase natural da vida. “Com acompanhamento médico adequado, prática regular de atividade física e uma alimentação equilibrada, é totalmente possível atravessar essa transição com saúde, bem-estar e qualidade de vida, mantendo a produtividade e a disposição.”