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A saúde da Bahia em colapso

O problema da saúde na Bahia não é apenas financeiro. Falta gestão eficiente. Falta planejamento

Publicado em 2 de junho de 2026 às 05:30

A saúde pública da Bahia vive uma das situações mais delicadas dos últimos anos. O cenário é grave nos hospitais do interior. Pacientes aguardam atendimento por horas ou dias, muitos piorando seus quadros clínicos e, em casos extremos, indo a óbito pela demora no acesso a exames, leitos e cirurgias.

A realidade enfrentada pela população é dura. Hospitais regionais sofrem com falta de estrutura, escassez de equipamentos, déficit de profissionais e superlotação constante. Nas grandes cidades, as UPAs passaram a funcionar acima da capacidade. É importante lembrar: UPA não é hospital. Essas unidades foram criadas para estabilizar pacientes e realizar atendimentos de urgência de menor complexidade, não para substituir hospitais de média e alta complexidade.

Outro problema grave é o atraso no pagamento dos médicos e demais profissionais da saúde. Em diversos municípios e unidades estaduais, os relatos de salários atrasados se tornaram frequentes. Nenhum sistema de saúde consegue funcionar adequadamente quando seus profissionais trabalham sem segurança e valorização.

Também preocupa o crescimento das contratações precárias de jovens médicos recém-formados através de modelos como PJ e MEI. Muitos entram no sistema sem a devida experiência prática, enfrentando jornadas desgastantes e condições inadequadas de trabalho. A saúde pública exige planejamento, responsabilidade e equipes técnicas fortalecidas.

O problema da saúde na Bahia não é apenas financeiro. Falta gestão eficiente. Falta planejamento estratégico. E, sobretudo, existe uma excessiva politização na escolha de diretores e equipes administrativas das unidades de saúde. Hospitais precisam ser administrados por gestores capacitados tecnicamente, preparados para enfrentar crises, organizar fluxos e garantir eficiência no atendimento.

A modernização do sistema também é urgente. A implantação efetiva de prontuários eletrônicos integrados em toda a rede estadual poderia reduzir burocracias, acelerar diagnósticos e melhorar o acompanhamento dos pacientes. A tecnologia precisa ser usada como aliada da gestão pública.

A fila da regulação tem solução. É possível reduzir o sofrimento da população com gestão séria, descentralização dos serviços e fortalecimento dos hospitais regionais e filantrópicos. Construir novos hospitais é importante, mas tão importante quanto isso é reestruturar as unidades já existentes e garantir funcionamento adequado.

Mais do que inaugurar obras, é necessário assegurar condições reais de atendimento. Equipamentos funcionando, profissionais valorizados, leitos disponíveis e salários em dia são medidas fundamentais para recuperar a confiança da população no sistema público de saúde.

A Bahia não pode aceitar corredores lotados, pacientes sofrendo à espera de regulação e profissionais desmotivados pelo atraso salarial. A saúde precisa deixar de ser palco político e voltar a ser prioridade administrativa e humana.

Heraldo Rocha é médico e ex-deputado estadual