Aos 83 anos, morre o cineasta baiano Guido Araújo

Além de ter dirigido diversos filmes, Guido criou a Jornada Internacional de Cinema da Bahia

Publicado em 27 de setembro de 2017 às 09:20

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Morreu nesta quarta-feira (27), aos 83 anos, o cineasta baiano Guido Araújo, criador da Jornada Internacional de Cinema da Bahia, um dos mais importantes eventos voltados à sétima arte no estado e responsável pela formação de diversas gerações de realizadores do audiovisual. Guido estava internado no Hospital Português, em Salvador. Ele sofria de Mal de Parkinson e teve falência de múltiplos órgãos. O sepultamento será realizado na manhã desta quinta-feira (28), no Cemitério Jardim da Saudade.

Natural da cidade de Castro Alves, no Recôncavo Baiano, Guido também foi professor da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Como documentarista, dirigiu filmes focados no interior da Bahia como Maragogipinho, Feira da Banana, A Morte das Velas do Recôncavo, Lambada em Porto Seguro, Raso da Catarina e Festa de São João no Interior da Bahia. Guido Araújo recebe troféu do ator Nelson Xavier durante homenagem dedicada a ele pela Associação de Produtores de Cinema do Norte e Nordeste, durante o 24º Cine Ceará, em 2014 (Foto: Rogério Resende/ Divulgação) Em 2015, ele foi homenageado na sexta edição do CachoeiraDoc com a Mostra Clássicos do Real. Na programação, que contou com a presença do diretor, foi exibida a Trilogia do Recôncavo, formada pelos filmes Maragogipinho (1968), Feira da Banana (1974) e A Morte das Velas do Recôncavo (1975).  No ano anterior, tinha sido homenageado pela Associação de Produtores de Cinema do Norte e Nordeste, durante a 24ª edição do Cine Ceará.

Recentemente, a  série O Senhor das Jornadas, dirigida por Jorge Alfredo Guimarães (Samba Riachão), e transmitida pela TVE, lembrou a trajetória de Guido desde os tempos em que ele integrou o Coletivo Moacyr Fenelon, ao lado de Nelson Pereira dos Santos, Jece Valdão, Zé Keti e Hélio Silva e, juntos, realizaram os filmes Rio 40 Graus e Rio Zona Norte. A série também acompanha a vida do cineasta anos depois, quando ele foi viver e estudar na Tchecoeslováquia.Em Praga, ele também ajudou a difundir o cinema baiano através do festival Karlovy Vary. Nas redes sociais, diversos amigos lamentaram a morte do cineasta. O também professor da Universidade Federal da Bahia, Albino Rubim, escreveu: "Perdemos mais um amante do cinema, da democracia e da justiça social. Guido sempre esteve à frente destas lutas. Sua vida foi uma jornada de jornadas pelo cinema e por um mundo melhor. [...] Toda uma geração deve sua formação cinematográfica à Guido Araújo, um verdadeiro mestre e doutor, sem tais formalidades universitárias. Sua vida, sua dedicação ao cinema e à luta por um mundo melhor, continuam a nós dar esperança nestes tempos novamente desafiadores".

O diretor e ator Bertrand Duarte disse que "o cinema [está] em fade out com a partida de Guido Araújo". Já o também cineasta José Araripe Jr. agradeceu a Guido e o descreveu como "herói do cinema brasileiro".