Conheça Marília Gil, nova diretora do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA)

Gestora assumiu função no lugar de Pola Ribeiro. Marília é produtora cultural com mais de 30 anos de experiência e filha de Gilberto Gil

Publicado em 13 de junho de 2023 às 06:56

- Atualizado há 8 meses

. Crédito: Marina Silva/Correio

Criada em uma família ligada às artes e às letras, Marília Gil - filha de Gilberto Gil e da professora Belina Aguiar - até tentou ir contra a maré, mas não houve jeito: mesmo tendo se graduado em psicologia, não demorou muito para que fosse trabalhar com cultura. Logo depois de se formar, em 1991, montou um consultório para atender crianças e dividir seu tempo com os atendimentos infantis em instituições públicas.

Mas logo surgiu uma oportunidade na área de produção cultural e o consultório que ela havia acabado de comprar sequer foi aberto. Não demorou muito e ela o vendeu. A produtora que tinha com a sócia Piti Canella, fundada no mesmo ano da graduação dela, foi crescendo, tomando seu tempo, até que Marília decidiu se dedicar unicamente à empresa.

Passados mais de 30 anos e depois de muita experiência na área de eventos com a Gil & Canella Produções, Marília agora está na gestão pública: passou três anos como coordenadora do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) e assumiu há pouco o cargo de diretora geral da instituição, sucedendo a Pola Ribeiro, que a indicou para a função e foi assumir a diretoria de museus do IPAC."Pola me convidou para assumir, então não há um rompimento da gestão dele. Ele é um articulador, figura de relacionamento fácil e que trouxe essa marca na gestão dele. Conseguiu trazer uma nova alma para o Museu, que havia passado por uma desarticulação na pandemia", diz a nova diretora.Pola explica por sugeriu o nome dela para o cargo:  "Marília tem anos no mercado como produtora e tem um relacionamento externo muito forte com a área da cultura. Além disso, tem ótima relação com os servidores do MAM e foi parte muito importante do resultado na gestão passada. Então, o nome dela surgiu naturalmente [para a sucessão]".

História O primeiro show que Piti e Marília trouxeram para Salvador foi um de laceu Valença, na Concha Acústica. Trouxeram também, nos primeiros anos da empresa, espetáculos como Cambaio, de João Falcão e Adriana Falcão, além de um show de Gil e Caetano, no Parque de Exposições. "Pretendia trabalhar com psicologia, mas surgiu o convite para atuar na área de cultura, que foi me absorvendo cada vez mais. Eu curtia aquela vida dinâmica da produção, que não tem uma rotina". Nascida no Rio de Janeiro "por acidente" - segundo ela mesma - em 1967, Marília saiu ainda criança de lá. Gil foi exilado na Inglaterra em 1968 e a filha dele foi viver com os pais do cantor, em Vitória da Conquista, enquanto a mãe dela, Belina, concluía a faculdade no Rio. "Fiquei em Conquista com meus avós, para ter um suporte na infância. Quando minha mãe terminou a faculdade, voltou para o Rio. Fomos morar com ela, mas passamos dois anos lá e depois viemos para Salvador em 1974", recorda-se.

Na Bahia, viveu a adolescência como muitos de sua época:"Circulava pelos bairros da cidade e gostava de praia, principalmente o Porto da Barra. Vínhamos ao MAM com um violão depois das provas da escola e tive uma adolescência tranquila", lembra-se.A cultura, segundo ela, teve uma presença muito natural em sua vida. "Me envolvi e aprendi a lidar com essas coisas de produção artística sem perceber. Quando a gente vê, acontece!".

Marília diz que sua gestão no MAM deve manter as marcas da anterior, incluindo a preocupação de acolher e dar espaço a artistas de maneira democrática e diversa. "Não diria que tudo cabe no MAM, mas quase tudo. O pensamento da curadoria [de Daniel Rangel] é trazer esse fundamento de Lina [Bo Bardi, arquiteta que projetou o MAM], de unir o moderno ao popular. Por isso, vamos receber artistas baianos das mais diversas linguagens", promete a gestora.

Marília ressalta que hoje há cinco espaços expositivos no MAM e isso permite uma diversificação da programação. "Temos dois espaços permanentes e temos uma conquista muito importante, que foi a volta da coleção de arte popular". A gestora destaca também o MAM dará continuidade ao projeto de residência artística, que já recebeu instituições como o Musas (Museu de Street Art Salvador) e, a partir de hoje, recebe o Ilê Aiyê.

Residência Artística do Ilê

Começa nesta terça-feira (13) às 18h mais uma edição do programa de Residência Artística do MAM, que desta vez vai celebrar os 50 anos do Ilê Aiyê. A instituição que começou como bloco carnavalesco e hoje tem um importante papel social vai promover, nas dependências do Museu, rodas de conversa e oficinas gratuitas de práticas como dança, percussão e trançado de cabelo. No fim deste mês, haverá também um show no Pátio Pôr do Sol. O início das atividades terá a participação do artista plástico J. Cunha, que comemora nesta terça 75 anos de idade. Cunha foi responsável pela identidade visual e indumentárias do ILÊ durante 25 anos e está com a exposição de acesso gratuito Uanga, em cartaz no Casarão do MAM.

"O Ilê é um instituto completo e, desde que comecei a me relacionar com ele, em 1980, muita coisa aconteceu. Produzimos uma enorme visão da cultura negra na Bahia e uma dessas coisas foram os cadernos de cultura, que foram feitos para escolas e deveriam ser preservados", recorda o artista.