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Helena Merencio
Agência Correio
Publicado em 2 de junho de 2026 às 19:19
A vontade de dormir mais no inverno nem sempre é preguiça. Quando os dias ficam mais curtos, as manhãs escurecem e a temperatura cai, o corpo recebe menos sinais de que chegou a hora de despertar. A cama parece mais pesada porque, em certa medida, o organismo ainda está tentando conservar energia e prolongar o repouso. >
Esse efeito tem relação direta com o relógio biológico. A luz natural ajuda o cérebro a iniciar o estado de alerta pela manhã, mas, nos meses frios, esse sinal chega mais tarde e com menos intensidade. >
Bom sono é fundamental para qualidade de vida
O resultado pode aparecer em forma de sonolência, lentidão para sair da cama e dificuldade maior para engrenar nas primeiras horas do dia.>
Por conta disso, o frio também atrapalha a transição do sono profundo para o estado de vigília. Para despertar bem, a temperatura corporal central precisa subir levemente. >
Em ambientes gelados, esse processo exige mais esforço, o que pode deixar o corpo mais lento antes mesmo de a rotina começar.>
A dificuldade para acordar costuma ser o primeiro sinal. Muita gente sente o corpo pesado, demora a se movimentar e tem a sensação de que levantar exige mais esforço do que em outras épocas do ano.>
O apetite também pode mudar. Nos dias frios, é comum surgir uma vontade maior de consumir alimentos ricos em carboidratos, já que o corpo busca energia rápida e calor para lidar com a queda de temperatura.>
Ao longo do dia, a fadiga pode continuar. Mesmo depois de uma noite aparentemente suficiente, algumas pessoas sentem sonolência, perda de foco e aquela impressão de que o sono não recuperou de verdade.>
Mudanças de humor entram na lista. Irritabilidade, desânimo leve e oscilações emocionais podem aparecer quando há menos exposição à luz solar pela manhã, especialmente em rotinas que já começam antes do dia clarear.>
A melatonina é uma das peças centrais dessa armadilha do frio. Produzido pela glândula pineal, esse hormônio avisa ao cérebro que é hora de dormir e costuma ser liberado em ambientes escuros.>
Como o sol nasce mais tarde no inverno, o corpo pode manter a melatonina circulando por mais tempo. Essa presença prolongada favorece a sonolência matinal, a sensação de mente lenta e a dificuldade de sair da cama.>
A temperatura baixa reforça o problema. Pela manhã, o organismo precisa elevar um pouco a temperatura interna para bloquear a melatonina e estimular a liberação de cortisol, hormônio importante para o despertar. Quando o ambiente está muito frio, essa ativação pode demorar mais.>
Como melhorar qualidade do sono
Sentir mais sono no inverno é esperado, mas a lentidão não deve impedir a vida de funcionar. Quando o cansaço atrapalha trabalho, estudos, compromissos ou tarefas simples, vale investigar se existe algo além da resposta natural ao frio.>
Na avaliação médica, especialistas costumam observar como a fadiga afeta a capacidade funcional da pessoa. Um dos quadros investigados é o Transtorno Afetivo Sazonal, um tipo de depressão com padrão ligado à menor exposição à luz.>
Exames laboratoriais também podem ser solicitados para descartar outros fatores. Entre os pontos avaliados estão deficiências nutricionais comuns no inverno, como a queda nos níveis de vitamina D, e alterações na tireoide. >
O hipotireoidismo, por exemplo, pode causar uma sensação de letargia parecida com o cansaço típico dos dias frios.>
A primeira estratégia é usar a luz a favor do corpo. Abrir bem as janelas ou acender luzes fortes logo ao despertar ajuda a frear a produção de melatonina e sinaliza ao cérebro que o dia começou.>
Manter o quarto minimamente aquecido na transição da madrugada para a manhã também pode ajudar. >
Com menos frio no ambiente, o organismo tem menos dificuldade para elevar a temperatura corporal e sair do modo de repouso.>
Horários consistentes fazem diferença. Dormir e acordar em períodos parecidos todos os dias fortalece o ciclo circadiano, principalmente quando não há mudanças bruscas nos fins de semana.>
Movimentar o corpo nas primeiras horas completa o processo. Mesmo exercícios leves ao sair da cama estimulam a circulação e favorecem a liberação de substâncias ligadas à disposição, como endorfina e cortisol.>
Se os novos hábitos não trouxerem melhora, ou se a fadiga vier acompanhada de tristeza constante e isolamento, o ideal é buscar orientação médica. >
Automedicação deve ser evitada, já que só uma avaliação profissional pode identificar a causa do cansaço e indicar o cuidado adequado.>
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