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Raphael Miras
Agência Correio
Publicado em 2 de junho de 2026 às 16:00
Se hoje criar filhos virou um exercício de vigilância constante e agendas cronometradas, especialistas olham para o passado para entender por que as gerações de 1960 e 1970 se tornaram tão resilientes. >
O que hoje o Instagram chamaria de "descuido" era, na época, apenas a vida comum: crianças com autonomia para explorar o bairro e resolver seus próprios B.Os.>
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A força emocional desses adultos nasceu nas brincadeiras de rua, longe da supervisão direta dos pais. Psicólogos chamam esse modelo de “negligência benigna”, um distanciamento saudável.>
Sem um adulto para intervir em cada conflito, as crianças aprendiam a negociar, lidar com frustrações e seguir em frente por conta própria.>
As “crianças de chave no pescoço” ilustram bem esse cenário: voltavam da escola, cuidavam da própria rotina e administravam o tempo até o fim do dia. Esse contexto exigia amadurecimento. Problemas eram resolvidos ali mesmo, sem o "colo imediato" que hoje muitas vezes impede o aprendizado.>
Enfrentar rejeição, medo ou pequenos acidentes sem proteção constante criava os chamados “calos emocionais”. Esses mecanismos ajudaram essas gerações a lidar melhor com desafios na vida adulta, sem paralisar diante da ansiedade.>
Estudos de Harvard reforçam que o brincar livre — sem intervenção de adultos — é essencial para a saúde mental. Ao superar desafios sozinha, a criança aprende uma lição central: confiar em si mesma.>
Hoje, o cenário é diferente. Entre telas e o receio da violência, a infância se tornou altamente controlada. Especialistas alertam que, ao eliminar qualquer desconforto, os pais acabam "roubando" da criança a chance de desenvolver resistência ao estresse.>
O resultado é uma geração mais protegida fisicamente, mas mais vulnerável emocionalmente. A tentativa de evitar riscos pode acabar reduzindo a capacidade de enfrentar o mundo real.>
Não se trata de expor crianças a riscos, mas de adaptar aquela liberdade ao contexto atual. Algumas práticas:>
Deixe a discussão acontecer: antes de intervir em conflitos, dê tempo para que as crianças tentem resolver sozinhas.>
Desplugue o tédio: ofereça tempo livre sem telas. O tédio estimula criatividade e autonomia.>
Permita erros simples: evite corrigir tudo. A criança precisa perceber sozinha as consequências.>
Pé na grama e olho longe: incentive atividades ao ar livre em ambientes seguros, mantendo apenas uma supervisão distante.>