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Felipe Sena
Publicado em 9 de abril de 2026 às 19:08
O Bombar, um dos points mais conhecidos de Salvador, encerrou as atividades e não voltará a funcionar. O anúncio foi feito através do perfil oficial do bar no Instagram, onde já não é mais possível encontrar publicações relacionadas a eventos. >
Na publicação, Gabi da Oxe, proprietária do bar e DJ, explicou detalhes da motivação para o fechamento do bar. “A partir de hoje o Bombar não existe mais, ali era onde estava dedicado os meus esforços, o meu tempo, a minha vida pessoal dedicada a isso”, começou. Gabi explicou que mesmo com as dificuldades e percalços no empreendimento decidiu continuar, mas não o suficiente para manter o negócio de pé. >
Bombar RV
O acúmulo de problemas financeiros que não reverteram em retorno suficiente para manter o Bombar funcionando normalmente, o desgaste pessoal, o acúmulo de funções e as dificuldades de administração culminaram no fechamento do bar icônico que marcou baianos e turistas durante oito anos, no bairro boêmio. >
“Além de ser um sonho, além de ser tudo que eu construí esse tempo todo, era a minha cara ali estampada e eu precisava, de certa forma, preservar isso. E eu realmente tentei. Eu assumi tudo sozinha, sem suporte, sem grana, sem uma grande rede de apoio empresarial para me ajudar, sem experiência no que eu estava fazendo. A minha experiência sempre foi cultura, sempre foi produzir. Escolhi ficar porque eu achei realmente que trabalho se resolvia com trabalho”, desabafou.>
Gabi explicou que "caiu num abismo financeiro", o que revela acúmulo de dívidas para manter o Bombar funcionando. “Por muitas e muitas vezes vocês viram o mar cheio, lotado de gente, lotado de pessoas, lotado de vida, lotado de alegria, lotado de tudo que vocês possam imaginar. Só que isso não se refletia, de fato, no dinheiro deixado. Um dinheiro de um fim de semana, ele não serve só para o fim de semana, ele serve para toda uma cadeia, uma estrutura que envolve custos, que envolve aluguel, que envolve tudo mais”, explicou.>
Para manter o bar, Gabi revelou que pediu empréstimos, e trabalhou em múltiplas funções como DJ, com o objetivo de conseguir dinheiro e investir no bar. A proprietária também ressaltou as dificuldades de empreender “na noite” sendo mulher.>
“Foram muitas e muitas vezes tendo que me provar exaustivamente, muitas e muitas vezes sofrendo assédio moral, muitas e muitas vezes tendo que gritar, me esgoelar para ser respeitada, para que minha voz pudesse ser ouvida. Foram infinitas as vezes tendo que parecer uma pessoa grosseira, uma pessoa insuportável, para que dessa forma eu pudesse ter pelo menos um pouco de respeito dentro daquele trabalho que eu fazia com tanto esmero e com tanta dedicação”, afirmou.>
“O Bombar acaba hoje, junto com ele acaba muita coisa dentro de mim. Acabam muitos sonhos, acabam muitas alegrias, muitos momentos. Mas eu espero que em breve eu possa estar vindo aqui de novo, falar coisas boas e positivas e que as coisas se ajeitem, se ajustem”, finalizou. Gabi da Oxe desativou seu perfil no Instagram>
Nos comentários da publicação, frequentadores do bar e famosos lamentaram o fechamento. “Sinto muito, Gabi! O Bombar era uma das casas mais queridas da cidade e você fez um trabalho foda ao longo desses anos, parabéns por ter sido tão persistente com seu sonho ao longo de tantos anos. Você e o Bombar deixam um legado foda na cidade! Sinto muito de verdade!”, comentou o estilista Hisan Silva. >
“Sinta meu abraço, meu amor , você é gigante demais. Força, sinta meu abraço”, escreveu o estilista Junior Rocha. “Sinto muito, amiga! O bombar escreveu capítulos muito importantes na noite e na cultura de Salvador! Você sustentou um trabalho bonito e árduo durante muitos anos! E o fez com maestria! Sei exatamente o que você está sentindo! Compartilho desse sentimento! E acima de tudo, ser mulher, empresária, e trabalhar com cultura!”, lamentou a cantora Aila Menezes. >
Em julho do ano passado, a administração do Bombar pegou frequentadores desprevenidos após mudar a localização. Das proximidades da Rua Canavieiras, o bar passou a funcionar no Largo de Santana, nos andares superiores ao Parador Z1, em frente ao acarajé da Dinha. >