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O prédio icônico de 180 anos que esconde o passado e as tretas envolvendo grandes gênios brasileiros

Conheça a trajetória do Edifício Caetano de Campos, a obra de Ramos de Azevedo que foi berço de nomes como Mário de Andrade e Cecília Meireles, e quase foi demolida pelo metrô

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Foto do(a) author(a) Raphael Miras
  • Agência Correio

  • Raphael Miras

Publicado em 24 de abril de 2026 às 14:00

De reduto de intelectuais a símbolo da arquitetura neoclássica: descubra os segredos e a luta por preservação do icônico prédio das 225 janelas no coração de São Paulo
De reduto de intelectuais a símbolo da arquitetura neoclássica: descubra os segredos e a luta por preservação do icônico prédio das 225 janelas no coração de São Paulo Crédito: Wikimedia Commons

Localizado no centro de São Paulo, o edifício que domina a parte norte da Praça da República guarda mais do que traços da arquitetura neoclássica.

Sede da Secretaria da Educação do Estado desde 2003, o prédio foi o berço do Instituto de Educação Caetano de Campos, a instituição de ensino mais antiga em atividade na capital paulista.

As origens e o projeto de Ramos de Azevedo

A história da instituição começou bem antes do prédio atual, em março de 1846, com a criação da Escola Normal da Capital. Inicialmente instalada em um anexo da antiga Catedral da Sé, a escola tinha a missão de formar os primeiros professores da província.

O salto de prestígio veio em 2 de agosto de 1894, com a inauguração da sede própria na Praça da República. O projeto leva a assinatura de Ramos de Azevedo, o arquiteto que definiu a identidade visual da São Paulo do início do século 20.

O berço da educação em SP: projetado por Ramos de Azevedo, o icônico Caetano de Campos guarda 180 anos de história e o legado de gênios brasileiros por Wikimedia Commons

O edifício, um marco da educação republicana, destaca-se pelo estilo eclético e suas 225 janelas. O nome atual homenageia Antônio Caetano de Campos, o diretor que faleceu pouco antes de ver a obra concluída.

Um reduto de intelectuais e personalidades

Mais do que formar docentes, o "Caetano" tornou-se um centro de excelência acadêmica que atraiu jovens de diversas áreas. Pelo seus corredores, conhecidos como os "caetanistas", passaram nomes fundamentais da cultura brasileira.

Entre os ex-alunos ilustres figuram os expoentes do modernismo Mário de Andrade e Oswald de Andrade, a poeta Cecília Meireles e o industrial Francisco Matarazzo. Também passaram por lá Lygia Fagundes Telles e o historiador Sérgio Buarque. A escola também foi pioneira na inclusão, recebendo Dorina Nowill, uma de suas primeiras alunas cegas em curso regular. Os boletins da época resgatam o desempenho dos alunos ilustres, assim como anotações por bons e maus comportamentos.

Outras figuras públicas, como o ex-governador André Franco Montoro, a pianista Guiomar Novaes e o piloto Emerson Fittipaldi, também fazem parte da memória da instituição.

Resistência e preservação

A trajetória do prédio nem sempre foi garantida. Em 1970, durante as obras da Estação República do metrô, o edifício correu o risco de ser demolido.

A demolição só foi evitada graças à mobilização de professores e ex-alunos, que pressionaram o CONDEPHAAT pelo tombamento do patrimônio.

Embora o casarão histórico não esteja aberto à visitação pública por abrigar funções administrativas, o Núcleo de Memória e Acervo Histórico da Secretaria da Educação zela pelo mobiliário e documentos originais da época.

O legado atual

O Instituto de Educação deixou a Praça da República em 1978, mas a tradição não foi interrompida. Hoje, o legado da "Caetano de Campos" segue vivo em duas unidades da rede estadual localizadas na Aclimação e na Praça Roosevelt.

Ambas as escolas mantêm o nome original e o caráter público que definiu a instituição ao longo de quase dois séculos de história