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Palácio egípcio: embarcação romana de 2 mil anos é descoberta nas águas de Alexandria e luxo surpreende

Embarcação cerimonial usada pela elite egípcia foi localizada a oito metros de profundidade e pode ter ligação com rituais dedicados à deusa Ísis

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Agência Correio

Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 20:00

Estátuas sendo retiradas do mar de Alexandria
Estátuas sendo retiradas do mar de Alexandria Crédito: Reprodução/Video/YouTube/The Guardian

Um verdadeiro “palácio sobre as águas” voltou à luz depois de mais de dois mil anos submerso. Arqueólogos localizaram, no antigo porto de Alexandria, os restos de um thalamegos, embarcação cerimonial associada à elite do Egito antigo e a celebrações luxuosas que marcaram a história da região.

A descoberta reforça o que registros históricos já indicavam: parte da nobreza egípcia desfrutava de estruturas flutuantes sofisticadas, usadas não apenas para deslocamento, mas como palco de festas, procissões e rituais religiosos.

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O que é um thalamegos

O thalamegos era uma embarcação de caráter cerimonial, descrita por estudiosos como um verdadeiro palácio flutuante. Projetado para navegar em águas rasas, tinha fundo achatado e pouca funcionalidade náutica convencional. Seu objetivo principal não era a navegação em alto-mar, mas servir de espaço para encontros da aristocracia.

Com cerca de 35 metros de comprimento, esse tipo de navio abrigava pavilhões destinados a banquetes, celebrações e eventos religiosos. No exemplar encontrado, aproximadamente 28 metros da estrutura original sobreviveram, em estado considerado surpreendentemente preservado.

A operação arqueológica em Alexandria

A embarcação foi identificada durante escavações conduzidas pelo Instituto Europeu de Arqueologia Subaquática, sob coordenação do arqueólogo francês Franck Goddio. O navio estava a cerca de oito metros de profundidade no antigo porto de Alexandria.

Feito majoritariamente de madeira, o casco apresentou um nível significativo de conservação. Entre os achados, especialistas identificaram caracteres em grego antigo gravados na estrutura, possivelmente instruções de montagem da embarcação — um detalhe raro que ajuda a compreender técnicas construtivas do período.

Registros históricos apontam que os thalamegoi foram utilizados entre os séculos I a.C. e I d.C., período de intensas conexões culturais entre Egito e Roma.

Festas, música e celebrações da elite

Relatos do geógrafo grego Estrabão descrevem essas embarcações repletas de música, dança e grandes celebrações. Os barcos funcionavam como centros móveis de festividade, reunindo membros da elite e convidados ilustres.

Um dos episódios mais conhecidos envolvendo um thalamegos remete a 47 a.C., quando a imperatriz Cleópatra teria recebido o líder romano Júlio César em uma embarcação desse tipo durante sua visita ao Egito. A imagem da rainha encontrando o general romano em meio ao luxo flutuante se tornou parte do imaginário histórico da Antiguidade.

Possível uso religioso ligado à deusa Ísis

Além do caráter festivo, a descoberta em Alexandria levantou outra hipótese relevante. O navio foi encontrado próximo às ruínas do Templo de Ísis, deusa associada à fertilidade e à proteção.

Segundo Franck Goddio, a localização sugere que o thalamegos pode ter desempenhado papel em rituais religiosos dedicados à divindade. Procissões aquáticas eram comuns no mundo antigo, especialmente em cidades portuárias como Alexandria.

O que a descoberta revela sobre o Egito antigo

O achado reforça a imagem de uma sociedade marcada por contrastes: enquanto parte da população vivia com recursos limitados, a elite desfrutava de estruturas monumentais até mesmo sobre a água.

Mais do que um simples barco, o thalamegos simboliza poder, devoção e ostentação. A embarcação encontrada amplia o entendimento sobre a vida cerimonial no Egito antigo e sobre as conexões políticas e culturais com o mundo greco-romano.

A cada nova escavação subaquática em Alexandria, a Antiguidade revela detalhes que ajudam a reconstruir não apenas eventos históricos, mas também os hábitos, crenças e luxos de uma das civilizações mais fascinantes da história.