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"A guitarra baiana é a alma do Carnaval", dizem mestres

Instrumento aparece em clipe da Apple e alimenta debate sobre sua importância. Confira a opinião de guitarristas e roteiro da guitarrinha na folia

  • Foto do(a) author(a) Laura Fernades
  • Laura Fernades

Publicado em 20 de fevereiro de 2017 às 06:05

 - Atualizado há 3 anos

A Apple gravou, pela primeira vez no Brasil, um videoclipe especial de Carnaval para divulgar o seu iPhone 7 Plus. Eis que, em meio a confetes, serpentinas e fantasias que colorem o bloco na rua, surge um elemento genuíno da Bahia: a guitarra baiana. O instrumento criado na década de 1940 por Dodô (1920-1978) e Osmar (1920-1997) aparece nas mãos do guitarrista Roberto Barreto, da BaianaSystem, banda que faz a trilha do clipe com a rapper paulista Yzalú.

“O clipe da Apple vai rodar o mundo, as pessoas vão pirar, e de repente vai aparecer a guitarra baiana. Quem não conhece vai pensar ‘que diabo é isso?’, então vai pesquisar e descobrir a nossa história. Isso é um ponto muito positivo”, aprova o guitarrista Morotó Slim, 44 anos, a “voz” da guitarra baiana no Retrofolia, projeto de Carnaval com integrantes da banda Retrofoguetes.

O “cavaquinho elétrico” ou “pau elétrico”, como o instrumento era chamado, aparece no clipe da Apple em um contexto sonoro que foge da sua tradição no Carnaval. Ao contrário do frevo que marca sua origem, a guitarra baiana flerta com rap, eletrônico, dub jamaicano e outros gêneros na versão contemporânea da música Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua, de Sérgio Sampaio.

“A BaianaSystem faz o diálogo de instrumentos que já têm uma história no Carnaval e elementos que não fazem parte disso. Isso perpetua o instrumento de uma forma legal. Sou fã dos meninos. É um trabalho de qualidade, mundial e baiano”, elogia o cantor e multiinstrumentista Luiz Caldas, 54, pai da axé music e entusiasta da guitarra baiana.

Herdeiro de Osmar Macêdo e mestre da guitarra baiana, junto com o irmão Aroldo, Armandinho afirma que o protagonismo desse instrumento foi fundamental no início do trio elétrico, mas sofreu abalo com a ascensão da axé music. Porém, para ele, o fôlego que se vê hoje é vital e a BaianaSystem é “um exemplo bacana de que a guitarra baiana é universal, moderna e pode integrar outros estilos musicais”.

“Robertinho prova isso, fazendo sucesso numa banda com Russo Passapusso, grande cantor, levando toda essa informação do funk, rap... Um exemplo para todos verem a nossa guitarra”, comemora Armandinho Macêdo, 63, ao citar o músico e o cantor que formam a linha de frente da BaianaSystem, ao lado do baixista SekoBass.

Roberto Barreto, 45, que tem Armandinho e Luiz Caldas como inspiração e referência, conta que a ideia quando a BaianaSystem começou era “trazer de volta o instrumento para se comunicar com as pessoas, porque ficou bem claro esse distanciamento”.

“Quando se falava de guitarra baiana, era sempre de forma muito nostálgica e isso não comunicava mais. Então, a ideia era dialogar com o sound system, com o cantor interagindo e a guitarra como uma voz”, explica. “É emocionante ver como eles entenderam o que o Baiana está fazendo. Isso é muito inspirador”, agradece Robertinho.Roberto Barreto e sua guitarra baiana estão na linha de frente da BaianaSystem com Russo Passapusso(Fernando Naiberg/Divulgação)  Lá vem o trioUm misto de cavaquinho e bandolim, com captador e distorções da guitarra tradicional, a guitarra baiana é o primeiro instrumento elétrico maciço brasileiro, com o qual é possível tocar o “frevo pernambucano com sotaque baiano”, brinca Armandinho. Primeira voz do trio elétrico, antes de Moraes Moreira assumir o posto, a guitarrinha era ligada, onde quer que fosse, e todo mundo gritava “lá vem o trio elétrico!”.

Armandinho lembra que, nessa época adorava pregar uma peça nos vizinhos de Itapagipe. O músico, que começou a tocar ainda criança e fez do cavaquinho elétrico a sua guitarra, inspirado em astros do rock, ligava o amplificador na porta de casa e começava a tocar. Minutos depois, sua rua estava cheia de gente dizendo “oxe, achei que fosse o trio elétrico”, conta, rindo.

“O trio elétrico começou a partir deste cavaquinho elétrico, que substituiu as bandas das ruas. Meu pai, um virtuose, meu mestre, resolveu tocar os frevos em cima de um carrinho, a Fobica, com o som amplificado para todo mundo. No segundo ano passou para uma caminhonete, no outro, um caminhão, depois começou a crescer. Esse som da guitarra baiana foi a marca do trio elétrico até os anos 70”, conta Armandinho.

A partir dos anos 80, ressalta, a voz dos cantores passa a comandar o trio e coloca a guitarra baiana em segundo plano. Até que, passado o auge do axé, o instrumento começa a ser resgatado por músicos como Fred Menendez, Julio Caldas, Julio Moreno, Paulinho Chamusca, Mintcho Garramone, além dos já citados Morotó Slim e Roberto Barreto e tantos outros que mantém essa chama acesa.Morotó Slim e Armandinho Macêdo estão entre os músicos que mantém a chama acesa da guitarra baiana(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

“A guitarra baiana só existe porque existiram pessoas como Dodô, que construiu o captador junto com Osmar, que gerou uma linguagem nova e passou para os filhos. Não existiria guitarra baiana se não fosse Armandinho, Aroldo... Ela é, sim, a alma do Carnaval, junto com seus compositores, seus músicos, criadores. Deve ser dado valor a essas pessoas que fazem, fizeram e continuam fazendo o instrumento cantar, falar e passar tanta energia”, ressalta Morotó.

'SÓ QUERO CORDA NA GUITARRA PRA TOCAR’, DIZ ARMARINHO; CONFIRA

Siga a guitarra baiana na folia:

QUINTA (23)19h50: Luiz Caldas (Campo Grande)

SEXTA (24)15h: Fred Menendez e Rixô Elétrico (Campo Grande)16h: Banda Armandinho, Dodô e Osmar (Campo Grande)17h: BaianaSystem (Campo Grande)22h: Retrofolia (Largo Pedro Archanjo/Pelourinho)

SÁBADO (25)17h: Banda Armandinho, Dodô e Osmar (Campo Grande)20h: Luiz Caldas (Camarote Caixa)Horário não divulgado: BaianaSystem com BNegão (Pelourinho)

DOMINGO (26)18h15: Banda Armandinho, Dodô e Osmar (Barra/Ondina)Pôr do sol: BaianaSystem (Praça Castro Alves)

SEGUNDA (27)18h45: Banda Armandinho, Dodô e Osmar (Barra/Ondina)22h15: BaianaSystem (Barra/Ondina)

TERÇA (28)16h30: Luiz Caldas (Campo Grande)17h45: Banda Armandinho, Dodô e Osmar (Barra/Ondina)0h: BaianaSystem (Palco Skol/Farol da Barra)