Coleção 'Eu Vim da Bahia' reúne seis livros ilustrados sobre ícones da cultura local

Tia Ciata, Theodoro Sampaio, Ana Nery, Milton Santos, Castro Alves e Anísio Teixeira vão ficar mais próximos da garotada

Publicado em 20 de outubro de 2015 às 08:35

- Atualizado há 10 meses

Um dos maiores desafios dos professores, atualmente, é atrair a atenção dos alunos - munidos de smartphones e tablets - para histórias antigas de personagens importantes da cultura. Ligadas no presente e no futuro, muitas vezes, as crianças e os adolescentes não têm contato com personalidades que ajudaram a construir a sociedade em que vivem. 

É o caso de Tia Ciata (1854-1924), por exemplo. Nascida em Santo Amaro, ela se mudou para o Rio de Janeiro aos 22 anos, no êxodo chamado diáspora baiana, e foi em sua casa que nasceu o samba. E, embora o gênero genuinamente brasileiro seja conhecido por todos, a história de Tia Ciata se perdeu no tempo para muitas pessoas.Tia Ciata ganha belas cores e movimentos nos traços do artista Paulo Rufino para cativar os pequenos(Foto: Reprodução)Ela é uma das seis personalidades baianas que integram a coleção infantojuvenil Eu Vim da Bahia (Caramurê Publicações/ R$ 34 cada) que tem lançamento hoje, às 19h, no piso L4 do Shopping Barra. Junto com o lançamento, o espaço vai abrigar diversas atividades lúdicas relacionadas às publicações, além de uma exposição com as ilustrações originais dos livros - que segue em cartaz até dia 31.

Os homenageados da coleção, assim como Tia Ciata, celebrada com o livro Tia Ciata e Um Sonho de Menina, escrito por Lena Lois, são referências em diversas áreas de atuação. A educação está representada pelo pesquisador Anísio Teixeira (1900-1971).Neide Cortizo escreve e ilustra com tinta a guache o livro Quem Está Aí?, sobre Anísio Teixeira(Foto: Reprodução)Em Quem Está Aí?, a escritora e ilustradora Neide Cortizo traz um pouco da vida do educador, jurista e escritor através do personagem Zuza e de sua irmã.  

“Eu pensei em fazer uma história para motivar as crianças usando uma criança, como elas, como personagem e trazendo uma coisa de enigma no meio, meio policial. Não é uma biografia, é uma ficção baseada em uma história real, então fui colocando as informações sobre Anísio a partir da vivência do personagem”, explica Neide, que também fez as ilustrações do livro.

A vida do engenheiro Theodoro Sampaio (1855-1937) ganhou as páginas do livro Theodoro - Uma Viagem no Ontem, de Mabel Velloso. Já as  importantes  reflexões sobre a globalização do geógrafo Milton Santos (1926-2001) viraram enredo de O Menino e o Globo, assinado por Ayêska Paulafreitas. 

“As ideias de Milton são muito contemporâneas. A preocupação dele, nos seus últimos anos, era com a globalização e seus efeitos. Os vários tipos de globalização, as que trazem benefícios e as que são perversas. Mas ele era um otimista, acreditava que tínhamos como aproveitar o que ela tinha de bom e evitar os problemas”, afirma Ayêska. 

Ana Nery (1814-1880), pioneira na enfermagem no Brasil, é lembrada com o livro Ana, Meu Avô e Eu, de Maria Antônia Ramos Coutinho. E o poeta romântico e abolicionista Castro Alves (1847- 1871), que dá nome à cadeira de número sete da Academia Brasileira de Letras, tem seus 24 anos narrados em 24 poemas em Cecéu, Poeta do Céu, de Adelice Souza.

Natural da cidade de Castro Alves, Adelice explica que cresceu dentro desse universo de homenagear o autor de Navio Negreiro todos os anos.  “Então, ele esteve sempre muito presente na minha infância. Fiquei muito feliz com o convite porque eu me encantei por ele na infância e poder apresentá-lo a outras crianças é incrível”, afirma  Adelice, que também é diretora teatral.

Vitopaper “Para mim foi tudo uma surpresa. Porque a gente sempre ouve falar de Ana Nery, mas não vai fundo na história. Então, foi um prazer conhecer mais sobre quem ela foi. E eu consegui me identificar com ela, também sou um pouco guerreira, todo artista é um pouco assim”, brinca Janete.A viagem no tempo de Theodoro Sampaio ganhou cores pelas mãos de Rebeca Silva. Já Neide colocou a mão da massa, ou na tinta guache, e fez, também, os desenhos que acompanham o seu texto sobre Anísio Teixeira. E a cultura afrobaiana de Tia Ciata recebeu os contornos do ilustrador Paulo Rufino. 

“Fui trabalhando com materiais que as crianças usam normalmente: lápis comum e papel que tem nas salas de aula. Apenas agreguei alguns nanquins para valorizar alguns desenhos. Mas a intenção foi usar materiais acessíveis às crianças para que elas possam se identificar com as ilustrações”, conta Rufino. 

Ao pegar os livros, além das imagens, outra coisa que chama logo atenção é o papel que, na verdade, não é papel... Isso mesmo, os livros são impressos em Vitopaper, um papel sintético produzido a partir de plásticos reciclados pós-consumo pela empresa Vitopel, que consumiu três anos de pesquisa. Ele não rasga, não se danifica com a água e absorve 20% menos tinta na impressão. 

“Para mim, uma das principais vantagens é a durabilidade, muito importante para as escolas públicas”, avalia Cortizo. Já Adelice lembra da importância de se conscientizar as crianças para os cuidados com o meio ambiente. “Além de abrir a consciência no nível do conteúdo, abordando esses personagens, vai também para o conceito da forma, que está trazendo essa consciência da reciclagem”, diz.  

A Coleção Eu Vim da Bahia, idealizada pela editora Caramurê, tem patrocínio da Brakem e do governo do estado, através do FazCultura.