Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Bruno Wendel
Publicado em 1 de janeiro de 2024 às 11:50
Agradecer pelo ano que passou e pedir benção pelas novas oportunidades que virão. Assim, devotos participaram da tradicional festa de Bom Jesus dos Navegantes, realizada na manhã deste primeiro dia de 2024, na Conceição da Praia, em Salvador. >
"Estou depositando a minha fé para que este ano seja abençoado", declarou a fonoaudióloga Juliana Sampaio, 26, uma das fiéis presentes na Basílica Santuário Nossa Senhora da Conceição da Praia. A celebração começou com uma missa às 8h, presidida pelo cardeal Dom Sérgio da Rocha. "É o segundo ano que venho. Sou da Ilha (Itaparica). No ano passado, me apaixonei pela demonstração da fé, que também me contagiou e resolvi voltar", disse a professora aposentada Maria da Conceição Santana, 66. >
Por volta das 09h a missa foi encerrada. "Participei no ano passado, gostei e estou aqui novamente. E levarei comigo a esperança de que o menino Jesus nascerá no coração dos homens", disse o aposentado paraibano Alexandre Macedo, 71. >
Cerca de meia hora depois, as imagens de Bom Jesus dos Navegantes e de Nossa Senhora da Conceição da Praia passam por um corredor de fiéis para o início da procissão. Alguns se esforçaram para tocar nas imagens. "Já consegui muitas graças. Toda vez que peço, consigo", declarou a camareira Cláudia Costa, 42, pouco depois de encostar na imagem de Bom Jesus. >
Às 10h, os fiéis deixaram a igreja em procissão rumo à Capitania dos Portos, onde posteriormente se dará o embarque da imagem do Senhor Bom Jesus na Galeota. "Há 20 anos faço parte da Equipe de Praia, que é responsável por colocar o santo no mar. Todo ano é uma emoção diferente", declarou Raimundo Pinheiro, 72, aposentado. A previsão que a imagem chegue por volta das 12h30 na igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem. >
Tradição>
A celebração da fé católica acontece desde 1750. "Mas não está como antes. Está cada a mais vazia. Isso porque os jovens não estão aderindo à fé. Se não há continuação, a tradição vai morrer", disse o professor Eduardo Dias, 38, um dos integrantes da Paróquia da Conceição da Praia. Segundo ele, pouco mais de 300 pessoas perticiparam da procissão.>
O pensamento de Dias é o mesmo de Roberto Carvalho, 77. "Antigamente, a escadaria da igreja era lotada. Hoje, você encontra bancos vazios. Isso se deve muito também pela situação do lado profano da festa. Não mais investimento em bandas, palco, que movimentavam um número maior de fiéis", pontou.>