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Escolas nordestinas têm até quatro vezes mais ultraprocessados e venda de álcool na vizinhança

Levantamento nacional aponta predominância de refrigerantes, guloseimas e salgadinhos no comércio ambulante próximo a instituições de ensino

Publicado em 3 de abril de 2026 às 10:00

Escola particular
Escola particular Crédito: Arquivo/Agência Brasil

Estudantes de escolas particulares de todo o país estão até duas vezes mais expostos a alimentos ultraprocessados e até bebidas alcoólicas, vendidos por ambulantes, do que a opções saudáveis. Na região Nordeste essa diferença pode ser até quatro vezes maior, segundo estudo liderado pela Universidade Federal de Pernambuco, publicado nesta quinta-feira (2) na Revista da Saúde Pública.

Na lista dos itens ultraprocessados mais encontrados à venda por ambulantes nas proximidades das escolas estão refrigerante (46,2%) – predominante em quatro regiões, exceto no Sul – seguido de guloseimas (29,6%) e salgadinho de pacote (21,5%). O Nordeste liderou a venda de bebidas alcóolicas (7,5%) no entorno das instituições educacionais.

Já entre os alimentos considerados saudáveis ou minimamente processados estão a água mineral (55,2%) – majoritária em todas as regiões -, café (12,2%) e o bolo de preparação culinária (11,6%).

A pesquisa, que faz parte do Estudo Comercialização de Alimentos em Escolas Brasileiras (Caeb), realizado de 2022 a 2024, teve como base 2.180 escolas privadas de todas as regiões do país e quase 700 ambulantes.

Além dos dados sobre os tipos de alimentos a que estudantes do ensino fundamental e médio são expostos no comércio de rua, o estudo mostra também o perfil dos vendedores informais: a maioria são homens (57,78%), negros (68,8%) e com ensino médio completo (35,8%). Mostra também que a opção pelo comércio em barracas ou carrinhos – que se mostra como a principal fonte de renda – foi impulsionada pela crise econômica iniciada em 2017 e pela pandemia de covid-19, em 2020. Apenas na região Nordeste, as mulheres são maioria (52,6%). Outro destaque é que quanto maior o porte do comércio, maior é a quantidade de ultraprocessados à venda.

Para a pesquisadora Sabrina Clark (UFPE), e uma das autoras do artigo, o estudo reflete questões estruturais relacionadas à desigualdade social e revela uma problemática com o registro do comércio de bebidas alcóolicas nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste. “Bebidas alcoólicas na proximidade de instituições de ensino aumentam o risco do consumo por parte dos estudantes, apesar da legislação proibitiva para menores de 18 anos. Este é um dos grandes desafios na abordagem ao comércio ambulante que ocupa tanto o ambiente alimentar comunitário quanto o ambiente escolar”, alerta.

Clark destaca ainda que o levantamento mostra a urgência na elaboração de políticas públicas para regular o comércio informal no entorno escolar e que garantam a segurança alimentar de crianças e adolescentes. “Já temos feito uso dessas informações nas ações de advocacy para a proposição e aprovação de dispositivos legais em parceria com entidades como a Unicef e representantes da sociedade civil”, diz. “Importante mencionar também o PL 4.501/2020, em vias de votação no Senado, que representa um importante avanço regulatório do ambiente alimentar escolar ao proibir a comercialização de ultraprocessados, frituras e gordura trans nas cantinas de escolas públicas e privadas. A partir do avanço dessa discussão temos ganhado espaço para abordar também o ambiente alimentar informal.”

Tags:

Escolas Saúde Crianças Educação