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Larissa Almeida
Publicado em 22 de dezembro de 2023 às 05:30
Quem cruza o Largo Terreiro de Jesus encontra, na intersecção entre o largo e a Praça da Sé, uma mulher simpática e sorridente que quase sempre está conversando com clientes. Trata-se da ambulante Natiane Silva, 48 anos, que diariamente, há 18 anos, atua no local vendendo água, refrigerantes, bebidas alcoólicas, doces e salgados. Naquele canto da calçada que já tem sua marca, ela conta que costumam passar locais e turistas todos os dias, mas na última semana, após a implementação da decoração de Natal, um fluxo novo passou a movimentar o comércio do Centro Histórico de Salvador e a beneficiou. >
“Antes da decoração de Natal ser colocada, eu estava tirando por dia uns R$50. Agora, estou conseguindo faturar entre R$150 e R$200. Para mim melhorou demais, porque vem turista visitar a Casa do Papai Noel e o coral. O movimento aqui começa 17h e acaba às 22h, mas dá para lucrar um dinheirinho bom”, comemora.>
Na barraca da Lucidalva, na Praça da Cruz Caída, o faturamento após os enfeites e iluminação do Natal Luz registrou crescimento de 30%. A vendedora Sheila Conceição, 39 anos, diz que o movimento maior é ocasionado pelo público local e pelos turistas de navios, que não resistem ao pirão de aipim, roska, pastel e batata frita, alguns dos itens mais pedidos na barraca. “Com essa festa, aumentou muito a procura de clientes. Antes, mal estava dando dinheiro, porque estava tudo parado. Mal levávamos R$20 para casa. Agora, estamos tirando um bom trocado.Já teve dia de levar mais de R$100 para casa”, afirma.>
O clima natalino no Centro Histórico também trouxe bons resultados para a barbearia Seu Barbex, localizada em frente a Praça da Cruz Caída. De acordo com o proprietário Alax dos Santos, 35 anos, a procura por cortes de cabelo com tranças, especialidade do local, gerou uma expansão de aproximadamente 70% na busca por serviços. “Aumentou demais a demanda em dezembro, arrisco dizer que em 70%. Quem chega aqui procura corte de cabelo com a nossa tendência, que é a trança. Procuram também produtos, querem fazer barba e sobrancelha. Vem muito turista aqui”, conta.>
Por sua vez, o comércio de lojas de roupas e artigos de decoração, o serviço de trancista de rua e os hotéis da região sentiram pouco ou nenhum impacto positivo no aumento de clientes e de renda em função da decoração natalina. Segundo Isaías Oliveira, 59 anos, gerente da loja Paulo Axé Artesanatos, o crescimento observado em dezembro girou em torno de 15% em relação a novembro, o que não representou muito além do esperado, mas foi uma vitória para ele.>
“Aqui eu vendo roupas, quadros, licores e artesanatos em geral. Sempre tem alguém querendo uma lembrancinha, porque as pessoas que vêm de fora sempre querem levar algo. Em dezembro, houve uma melhora dessa procura, apesar de que todo ano sempre tem esse aumento quando se aproxima o verão. Mas, com a programação de Natal, atraiu mais pessoas”, diz Isaías.>
Para a trancista Luzinete da Silva, 57 anos, a demanda por tranças nas ruas do Pelourinho decaiu no mês de dezembro. “Tem muita gente de bairro trançando cabelo, então a maioria das pessoas daqui estão paradas. Mesmo depois da decoração de Natal, que trouxe muita gente para cá, quem disser que teve aumento de clientela para trançar o cabelo vai estar mentindo”, pontua.>
No que diz respeito ao setor hoteleiro, Luciano Lopes, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis da Bahia (ABIH), explica que a falta de impacto direto do Natal Luz na demanda de pousadas e hotéis do Centro Histórico de Salvador se deve ao fato de que a inserção da capital baiana na rota de destino para o Natal ainda é nova. “Não há um aumento expressivo na taxa de ocupação dos hotéis, mas logicamente a iniciativa do Natal Luz é importante porque o Centro Histórico é um dos locais mais visitados pelos turistas de Salvador”, ressalta.>
“Esse pode ser um movimento que a Prefeitura poderá estudar para criar um produto, que é o Centro Histórico no Natal, e entrar para o calendário, da mesma forma que foi com o Réveillon. Quando o Réveillon começou nos primeiros anos, não havia um incremento direto na taxa de ocupação dos hotéis, diferentemente do que é hoje, que a ocupação chega entre 95% e 100%. Com o tempo, se continuar por mais três ou quatro anos, a tendência é transformar o Natal em um produto turístico”, aposta.>
Presidente da Federação Baiana de Turismo e Hospitalidade do Estado da Bahia (Fetur-BA), Silvio Pessoa aponta que, apesar da baixa procura por estadias no período do Natal – que é quando as famílias costumam se reunir em casa –, as decorações da época vão ajudar a economia do Centro Histórico. “É uma novidade esse local onde fizeram esse Natal de Salvador, então a prefeitura, diretoria de iluminação e os órgãos envolvidos estão de parabéns. Esperamos, logo após o Natal, ter um Réveillon com mais de 100% de ocupação”, frisa.>
Em nota conjunta, o presidente e o diretor da Associação Brasileira de Agência de Viagens (Abav-BA), também elogiaram a implementação do Natal Luz no Centro Histórico. “Impulsiona o comércio, lojas e restaurantes, com aumento significativo da população. Foi um gol de placa da prefeitura. Para os próximos meses, esperamos um aumento significativo no turismo, períodos marcados com grande fluxo de turistas e impulsos nas ocupações nos hotéis, o que aumenta atividades do receptivo e transporte aéreo, quando seremos contemplados com muitos voos extras no período”, diz a nota.>
*Com orientação da subchefe de reportagem Monique Lôbo>