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Enquanto luta para tirar documentos, morto-vivo de Alagoinhas ganha fama internacional

História do lavador de carros que assistiu ao próprio velório na Bahia é notícia em jornais e TVs nos EUA e Europa

  • D
  • Da Redação

Publicado em 25 de outubro de 2012 às 08:08

 - Atualizado há 3 anos

Alexandre Lyrioalexandre.lyrio@redebahia.com.br

Fixe bem essa imagem. Talvez seja a última vez que você vai ver no jornal um homem nessa situação. Depois de ser o primeiro ser humano a aparecer no próprio velório, Gilberto Araújo Santos, 41 anos, talvez também seja o primeiro a posar para uma foto ao mesmo tempo com suas certidões de nascimento e óbito. O homem que foi dado como morto e entrou no local onde o corpo que pensavam ser o seu estava sendo velado, agora luta para provar que está vivo. A irmã já o beliscou várias vezes. A mãe toda hora o procura para beijar-lhe a testa. O vizinho volta e meia aparece para ter certeza de tudo que aconteceu. Amigos, familiares e moradores de Alagoinhas, a 107 quilômetros de Salvador, estão convencidos de que Gilberto continua entre eles. Mas falta o fórum. Gilberto vai ter que ir à Justiça para apagar o seu nome do atestado que decreta a sua morte.Para piorar tudo, antes mesmo da confusão, o lavador de carros havia perdido a carteira com os documentos. “Para o cartório eu ainda estou morto. Tenho que reverter esse atestado de óbito de alguma forma. Vou precisar de um advogado”, afirma. “Como ele vai tirar documentos? E morto tira documentos?”, preocupa-se a mãe de criação, Marina Souza de Santana, 61 anos.Nos próximos dias, Gilberto vai à Defensoria Pública buscar um defensor que o ajude a fazer uma retificação de registro público. Antes, porém, vai à delegacia buscar o laudo do Departamento de Polícia Técnica (DPT) que comprova quem é quem. “Ele tem que vir aqui pegar a ocorrência, o conteúdo dos depoimentos e, principalmente, as identificações feitas através das impressões digitais”, aconselhou o delegado Glauco Suzart, responsável pelo caso. Mas ainda falta a identificação definitiva do verdadeiro morto. Agora sabe-se que se trata de Genivaldo Santos Gama, 34 anos. Uma nova família, de Dias D’Ávila, já reconheceu seu corpo. Mas, diante de tudo o que já ocorreu, a polícia preferiu enviar as impressões digitais para o Instituto Pedro Melo, em Salvador. “Só depois liberaremos o corpo”, disse o delegado. Genivaldo Santos Gama é natural de Salvador e morou por muito tempo em Dias D’Ávila. Lá, tem três entradas na delegacia, por ameaças e envolvimento em brigas. Há três anos, mudou-se para Alagoinhas, onde também já havia sido preso por ameaçar um homem com uma faca. “Sabe-se que também praticava pequenos furtos. Provavelmente por isso foi morto”, contou o delegado.Gilberto, por sua vez, é visto por familiares e vizinhos como um sujeito trabalhador e boa praça. Entre os 12 e os 19 anos, morou em São Paulo com a mãe verdadeira, onde se tornou palmeirense roxo. Não esconde de ninguém que, no passado, se meteu em confusão e também foi preso. Ontem, se dizia chateado com um apresentador de TV que o chamou de bandido. “Andaram dizendo por aí que eu já fui preso. Isso tem muito tempo. Eu era jovem e cometi algo ruim para defender minha família. Mas já paguei por isso e não devo nada à Justiça”.

Reportagem do diário britânico 'Guardian' sobre brasileiro dado como morto

Espanto Gilberto foi dado como morto no sábado, quando um outro lavador de carros muito parecido com ele foi assassinado. Seu próprio irmão reconheceu o corpo como sendo seu. A família atravessou a noite de domingo fazendo o velório. Na segunda-feira, quando todos se preparavam para levar o corpo para o cemitério, Gilberto causou espanto, desmaios, correria e muita festa ao aparecer vivo.    Não bastasse tudo, ainda tem o problema com a funerária, que não quer devolver um centavo dos R$ 300 de entrada que a família pagou pelo caixão. O estabelecimento ainda cobra uma das três parcelas de R$ 200 que falta pagar. “Tudo saiu R$ 900. Se a gente devolveu o caixão, por que eles não devolvem o dinheiro?”, questiona Gilberto. Realmente, o caixão voltou para a funerária. Algo que, provavelmente, também aconteceu pela primeira vez nesta vida.

BBC destaca em site história do brasileiro que foi ao 'próprio velório' (Foto: Reprodução) Reportagem do britânico 'The Telegraph' destaca a história do baiano Gilberto Araújo (Foto: Reprodução)