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Da Redação
Publicado em 5 de maio de 2023 às 17:45
- Atualizado há 3 anos
Considerado peça-chave no 'êxito' de fraude na carteira de vacinação da mulher do tenente-coronel Mauro Cid - ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro - Ailton Gonçalves Moraes Barros foi expulso do Exército após o Superior Tribunal Militar entender pela 'imperiosa impossibilidade' de sua permanência na caserna. Dezessete anos depois, a PF encontrou mensagens do militar, hoje advogado, com 'tratativas de um golpe de Estado'.>
A decisão de expulsão foi proferida em julgamento realizado em 2006. Por maioria de votos, o STM entendeu que as havia 'robusto' conjunto de provas que indicaram que o comportamento e as atitudes do então capitão não eram 'condizentes' com sua situação de oficial. À época, Ailton era capitão, mas ao ser reformado, mudou a patente para major, seguindo as normas militares.>
Ailton foi acusado de uma série de 'graves irregularidades', sendo que parte delas, o STM nem chegou analisar, em razão da prescrição dos episódios - eles eram anteriores a 1999. A expulsão levou em consideração casos em que o então capitão desacatou outros oficiais e fez críticas ao Exército em entrevistas.>
Entre as 'irregularidades' prescritas está o caso em que o militar, em 1997, teria tentado abusar sexualmente de uma 'senhorita' em acampamento do Exército em Natal. Ao STM, o então capitão negou as acusações. Na esfera disciplinar, ele recebeu punição de oito dias de prisão.>
Outro episódio que prescreveu antes de Ailton ser julgado pelo STM ocorreu no Rio, quando o então militar 'empurrou com seu automóvel' um soldado e atropelou um outro oficial, lhe causando 'graves lesões no joelho esquerdo'.>
Já entre os casos que foram considerados pelos ministros da corte castrense para expulsar Ailton do Exército está o episódio em que, em 2002, Ailton se envolveu em ocorrência de trânsito na Vila Militar no Rio e desacatou soldado da Polícia do Exército, tentando intimidá-lo.>
O STM também analisou a situação em que Ailton concorreu ao legislativo estadual, em 2002, como militar da ativa, e distribuiu panfletos em que aparecia com uniforme do Exército e criticava a instituição e seus superiores.>
Na avaliação da Corte militar, o então capitão, 'por diversas vezes procurou diminuir a autoridade de soldados que, cumprindo serviço de escala, zelavam pela segurança em áreas militares'.>
"Assim aconteceu na Praia Vermelha, disso resultando um Inquérito Policial Militar e uma ação penal; assim aconteceu na área residencial da Vila Militar, quando, distribuindo panfleto, negou-se a identificar-se; assim aconteceu novamente na Vila Militar, quando trafegando em velocidade acima da permitida, não se identificou adequadamente, jogou seu automóvel contra um militar do Exército, disso resultando IPM e ação penal na qual veio a ser condenado", registra o acórdão de condenação de Ailton no STM.>
"Por diversas vezes faltou com a verdade, procurando atribuir a prática de racismo àqueles que apenas cumpriam com seus deveres como militares", seguiu o documento.>
Agora Ailton entrou na mira de um inquérito que tramita em outra Corte superior - o Supremo Tribunal Federal. Ele foi preventivamente pela Polícia Federal na Operação Venire, que também fez buscas contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação mira um possível esquema de fraudes em dados de vacinação da covid-19 nos sistemas do Ministério da Saúde.>