Todo mundo on-line: cresce 14% o número de assinantes de banda larga na Bahia

salvador
06.04.2021, 05:00:00
Atualizado: 06.04.2021, 14:51:17
Internet de fibra óptica foi a que mais cresceu na Bahia, com um aumento de 41% em comparação com 2020 (Paula Fróes/ CORREIO)

Todo mundo on-line: cresce 14% o número de assinantes de banda larga na Bahia

Mais 161 mil baianos passaram a usar internet mais rápida; número de reclamações sobre qualidade do serviço dobrou

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Com tudo fechado e vários meses de medidas restritivas em vigor, muitos baianos não puderam sair de casa neste último ano de pandemia da covid-19. Alguns tiveram que transformar a sala em escritório e o quarto em sala de aula, pois tudo foi feito à distância. Com isso, a quantidade de pessoas que passaram a acessar a internet na Bahia aumentou. O número de contratos de banda larga fixa cresceu 14,4% em janeiro de 2021, quando comparado a janeiro de 2020.  

Foram 161 mil pessoas a mais na rede em relação ao ano passado. A densidade de acesso cresceu: a cada 100 domicílios baianos, 25 agora têm acesso à uma banda larga fixa. Esse número era de 22 em janeiro de 2020. Os dados são da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a partir de um levantamento feito pelo CORREIO.

A maneira como os baianos passaram a consumir o serviço também mudou. Houve um aumento significativo do acesso por tecnologia de fibra óptica - mais veloz e de fácil instalação. Do total de mais de 1 milhão de acessos, 594.879 eram por fibra em janeiro de 2021 – quase metade. Em janeiro de 2020, esse número estava em 345.869. O aumento foi de 41%. Na contramão, o acesso por cabo caiu 31%.   

No caso da telefonia móvel - dados de internet pelo celular - houve um aumento de 16% do uso do 4G, que tem a velocidade maior que o 2G e o 3G. Foram 10.661.279 acessos em janeiro de 2021 contra 9.173.746 em janeiro de 2020. Da mesma forma, os baianos deixaram de usar o 2G e 3G. A queda no número de acessos foi de 4,3% e 26%, respectivamente. 

O crescimento do uso do plano pós-pago também foi maior em relação ao pré-pago. Mais de 40 mil pessoas na Bahia passaram a entrar na internet pelo pós-pago e houve um aumento de 0,4% de janeiro de 2021 a janeiro de 2020. A queda em relação ao uso do pré-pago foi 16,4%. No entanto, o maior número de contratos pré-pagos com as empresas de telefonia ainda é maior, mais que o dobro do número de pós-pago - 9.184.411 contra 3.893.774.  

No geral, o número de pessoas que usam telefonia móvel aumentou 6,2%, e 89,3% dos domicílios baianos agora têm um número de telefone – mas não necessariamente usam internet móvel. Em 2020, essa capilaridade era de 86,9%. Ao todo, a Bahia teve 12,4 milhões de acessos nas redes móveis pelos dispositivos. 

A empresa com mais contratos em banda larga fixa no Brasil é a Claro, com 9.839.089 clientes, o que representa 27,4% do total do mercado. Já na Bahia, é a Oi com 313.853 contratos, ou seja, 24,6% do marketshare (quota de mercado). Em segundo lugar, está a Vivo (11,4%), seguida da Claro (11,1%) e Tim (3,4%). Em relação à telefonia móvel, a Vivo é quem lidera, com 33,4% dos contratos. Depois vem a Oi (25%), Claro (22,6%) e Tim (18,7%).  

Reclamações aumentam 

Com o aumento de pessoas na internet, as reclamações aumentaram. O pico foi atingido em maio do ano passado, quando a Anatel recebeu 3.590 solicitações da Bahia. Foram 44% a mais do que fevereiro de 2020, mês em que a Agência recebeu 2.009 pedidos. A maior parte, 98%, é de reclamação. Os assuntos mais demandados são em relação à cobrança - muitas vezes indevida - e à qualidade de funcionamento da internet. É nessa última categoria que entram a velocidade, quedas e interferências. 

Desde março desse ano, a engenheira civil Mariana Cardoso, 33, tem enfrentando oscilação na internet de sua casa. Ela saiu da casa dos pais em dezembro de 2020, mas manteve a mesma operadora para a rede sem fio. “Às vezes ela apresenta lentidão, mas, o que mais tá me incomodando é que ela vive caindo”, conta Mariana. Ela passou a trabalhar de casa e precisa do serviço com boa qualidade. Antes, só usava durante a noite, para lazer. O inconveniente não é só no wi-fi de casa, mas também no telefone. “A ligação sempre fica caindo e a vivo era uma operadora que eu nunca tinha tido problema”, adiciona.  

A jornalista e produtora de conteúdo Jeniffer Santos, 32, e sua mãe, Zuleide, que é professora, também passaram a usar mais a rede de casa. Jeniffer sempre trabalhou de forma on-line, mas a mãe, que é professora do ensino médio da rede pública estadual de Alagoinhas, passou a usar muito mais a internet por conta das aulas. Agora são três turnos conectada, entre classes e reuniões pedagógicas.  

Os problemas eram frequentes e tinha até horário para cair a conexão. “As aulas começaram agora e tudo passou a ser on-line, eu sempre trabalhei pela internet, faço mestrado, e há duas semanas que começou a instabilidade. Sempre caía por volta de 12h e 20h. A gente passou por poucas e boas, tinha dias que eu não conseguia me conectar no Zoom. Até achei que o programa era mais pesado e que seria um problema com o computador”, narra Jeniffer.  

Ela tentava ligar para a empresa, mas não era atendida pelos telefones. Então a mãe foi lá resolver o impasse. Foi aí que descobriu que a sociedade não existia mais e tinha sido comprada por outra e que o pacote de internet que elas contrararam não tinha capacidade para suportar a quantidade de aparelhos conectados – eram nove, entre computadores, tablets, smart TVs e celulares. Como eram clientes antigas, a nova empresa fez a migração do plano de 12 para 100 mega, pelo mesmo preço. “A gente estava lá com a internet ruim, pagando caro pelo que não é oferecido e nem sabia que a empresa tinha deixado de existir”, relata a produtora, indignada. Além da nova velocidade, a família trocou de roteador e até então, nesses dois dias, não houve instabilidade.  

No caso do estudante Nielson Machado, 21, morador de Feira de Santana, cidade a 100 quilômetros de Salvador, a internet ficou tão ruim que ele precisava rotear os dados do celular para o computador para assistir às aulas e trabalhar.  

“Antes da pandemia, eu usava mais para redes sociais e entretenimento. Agora é trabalho, estudo, entretenimento, tudo e começou a cair a internet. Atrapalha muito porque não tem estabilidade, você não tem confiança de assistir a aula, de apresentar um trabalho”, diz Machado, que estuda engenharia civil na Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). No trabalho, que ficou todo on-line, a oscilação também era grande. A empresa que ele trabalha, que passou a dar os cursos de software de forma remota, precisou aumentar a velocidade para 400 mega.  

O designer gráfico Lucas Queiroz, 25, morador de Salvador, passou por poucas e boas. A partir de fevereiro de 2021 que os problemas começaram. “Ela tem caído com uma frequência absurda. O sinal dos três pontinhos do Wi-fi nos aparelhos permanece lá, mas sempre cai. A última vez que o técnico veio aqui nesse período, ele disse que estava tudo bem, deu uma mexida e disse que não tinha nem necessidade de trocar o modem", conta Queiroz.  

Lucas usa a internet mais por diversão, como forma de escape por não poder sair de casa. "Eu mal tenho saído, então o que me resta é ficar dentro de casa usando a internet, para assistir um filme, uma série, ler algo, ouvir música, etc. Então o uso se intensificou até como forma de escapismo mesmo. 

Depois do pico de maio, os números de queixas voltaram a se estabilizar no final do ano. Para Livia Caruline dos Santos Lima, coordenadora na Gerência Regional da Bahia da Anatel, as situações podem estar ocorrendo, mas não são notificadas. “Esses índices são os que a Anatel colhe a partir das reclamações dos consumidores. Pode ser que não reflita a real situação, porque eles não reclamaram no nosso sistema, mas não temos como adivinhar. O que aconteceu foi que as pessoas reclamaram mais que em 2019”, esclarece Lívia. 

Procon-BA recebe mais reclamações, mas números não refletem realidade 

De acordo com o superintendente do Procon-BA, Filipe Vieira, as queixas dos consumidores em relação à internet de banda larga, seja fixa ou móvel, têm aumentado no estado. “Aumentando o número de pessoas usando a internet, inevitavelmente aumenta o número de reclamações. Temos mais gente frequentando”, diz Vieira. 

O número, porém, não reflete o levantamento do órgão. O superintendente acredita que, pelas unidades físicas estarem fechadas, o consumidor teve menos um meio para reclamar. Por isso, os números de 2021 se mantiveram quase iguais aos de 2020. De 1 de março de 2020 a 26 de março de 2021 foram 1.152 queixas. Já entre o mesmo período de 2019 e 2020, foram 1.772.  

As reclamações ainda tiveram uma sazonalidade, segundo Filipe. “Houve, no primeiro momento de 2020, uma espécie de sazonalidade das reclamações dos consumidores. Víamos fortemente no radar reclamações sobre passagens aéreas, serviços de TV por assinatura e internet, porque foi o momento de ficar em casa e todo mundo estava de home-office, com aulas em casa, a internet passou a ser o meio de trabalho, compras, lazer e encontros familiares”  

As campeãs de reclamação no Procon são a Oi (internet móvel), Telemar (telefonia fixa), Tim, Claro e Vivo. As queixas podem ser feitas no portal do Procon (consumidor.gov.br) ou pelo site da Anatel (gov.br/anatel).

Reclamações recebidas pela Anatel (Bahia) 
Janeiro 2020 – 2.512  
Fevereiro 2020 – 2.009  
Março 2020 – 2.948  
Abril 2020 – 3.146  
Maio 2020 – 3.590  
Junho 2020 – 3.274  
Julho 2020 – 2.962  
Agosto 2020 – 2.850  
Setembro 2020 – 2.626  
Outubro 2020 - 2.378  
Novembro 2020 – 2.392  
Dezembro 2020 – 2.122  
Janeiro 2021 – 1.902  
Fevereiro 2021 – 2.004  

1) Acessos banda larga fixa  
Janeiro 2020: 1.116.917 de acessos e 22,5 de densidade (acessos/100 dom.) 
Janeiro 2021: 1.278.018 de acessos e 25,7 densidade 

- meios de acesso 
Fibra: 594.879 em janeiro de 2021 contra 345.869 em janeiro de 2020 
Cabo: 562.505 em janeiro de 2020 para 382.632 em janeiro de 2021 

2) Acessos telefonia móvel 
Janeiro de 2021: 13.885.641 acessos, densidade de 89,3 (acessos/100hab) 
Janeiro de 2020: 13.078.185 acessos, densidade de 86,9 

- Aumento de acessos pela tecnologia 4g (10.661.279 em janeiro de 2021 contra 9.173.746 em janeiro de 2020) e queda do uso de tecnologia 2G (1.468.525 em janeiro de 2021 contra 1.534.804 em janeiro de 2020) e 3G (1.755.837 em janeiro de 2021 contra  2.369.635 em janeiro de 2020) 

- Aumento dos planos pós-pagos em relação aos pré-pagos. 9.224.693 usavam pré-pago em janeiro de 2021 contra 9.184.411 em janeiro de 2020. 4.660.948 usavam pós pago em janeiro de 2021 contra 3.893.774 em janeiro de 2020 

- Aumento dos acessos/densidade da telefonia móvel. em janeiro de 2020, foram 13.078.185 acessos e em janeiro de 2021 13.885.641 

*Sob orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro  

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