Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Carol Neves
Publicado em 9 de abril de 2026 às 07:41
Estudantes do curso de Fisioterapia da Universidade Federal da Bahia (Ufba) ocuparam prédios do Pavilhão de Aulas do Canela em protesto contra problemas estruturais que, segundo o diretório acadêmico, comprometem a formação de cerca de 500 alunos. A manifestação, realizada no campus, levou ao cancelamento das sessões dos filmes 13 Dias, 13 Noites e Velhos Bandidos na tarde desta quinta-feira (9), após o bloqueio de acesso à Saladearte Cinema da universidade. Em nota, a Ufba reconheceu a falta de professores e afirmou que tenta resolver o problema (leia ao final da matéria). >
A mobilização foi organizada pelo Diretório Acadêmico de Fisioterapia (DAFisio), que decretou a ocupação após assembleia com participação de mais de 200 estudantes. O grupo cobra a contratação de novos professores, o retorno imediato de oito disciplinas obrigatórias suspensas e a reabertura da clínica-escola do Instituto de Reabilitação e Saúde (IMRS), além da definição de um prédio próprio para o instituto.>
Protesto de alunos
De acordo com os estudantes, cerca de 500 alunos são afetados pelos problemas estruturais apontados. As disciplinas suspensas são consideradas essenciais para a progressão acadêmica a partir do 3º semestre. Atualmente, o curso - que possui nota máxima (5) no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) - conta com 16 professores efetivos e 9 substitutos, cenário que, segundo o diretório, se agrava quando docentes entram em licença.>
A falta de pessoal também levou ao fechamento da clínica-escola do instituto, interrompendo atendimentos gratuitos prestados à população, denunciam os alunos. Entre os públicos afetados estão pessoas com doenças pulmonares graves, crianças com condições neurológicas ou doenças raras e idosos em situação de fragilidade.>
Segundo o DAFisio, ainda não há prazo definido para a contratação de novos professores nem posicionamento final da administração central da universidade sobre as demandas apresentadas.>
Em nota, a Universidade Federal da Bahia informou que reconhece a falta de professores no curso de Fisioterapia do Instituto Multidisciplinar de Reabilitação e Saúde (IMRS) e afirmou que já iniciou um processo de contratação de docentes substitutos, o que pode permitir a oferta de algumas disciplinas ainda neste semestre. A universidade também atribuiu a suspensão de estágios à greve dos servidores técnico-administrativos, incluindo fisioterapeutas que atuam nessas atividades.>
Segundo a instituição, a principal dificuldade é a ausência de liberação de novos códigos de vaga pelo Ministério da Educação (MEC), problema que afeta não apenas o IMRS, mas outras unidades. A Ufba informou ainda que enviou ofício solicitando a abertura dessas vagas e que o pedido será reiterado até o fim do mês. Leia a íntegra da resposta: >
O Conselho Universitário (Consuni) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em reunião realizada no dia 30 de março, recebeu um grupo de alunos do curso de Fisioterapia do Instituto Multidisciplinar de Reabilitação e Saúde (IMRS) que manifestaram preocupação com a insuficiência de docentes na unidade, apontando, inclusive, a não oferta de disciplinas obrigatórias no semestre em curso.>
O reitor da UFBA, em reunião posterior com o grupo, esclareceu que um processo de contratação de substitutos está em curso e, assim que for concluído, algumas turmas podem ser iniciadas, ainda neste semestre. Também lembrou que a suspensão de estágio está relacionada à greve dos servidores técnico-administrativos em educação (TAEs), o que abrange fisioterapeutas que atuam diretamente nessas atividades.>
É importante enfatizar que a UFBA reconhece e está atenta à carência de docentes no IMRS, ocasionado pela falta de códigos de vaga para a contratação de novos professores. A ausência de liberação de novas vagas aflige não apenas ao curso de Fisioterapia, como também alcança diferentes cursos de outras unidades. A liberação dos códigos de vagas é imprescindível para contratação de novos professores.>
Diante desse cenário, a UFBA tem adotado providências institucionais, entre elas o envio de ofício ao MEC solicitando, com urgência, a liberação dos códigos de vagas necessários, de modo a assegurar a regularidade das atividades acadêmicas. Atendendo a um cronograma anual do Ministério para este tipo de demanda, a última solicitação foi realizada em 30/04/2025, contemplando também as necessidades do IMRS e será reiterada por ocasião dos novos pedidos a serem formulados até o final do mês em curso. A ação é acompanhada também pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), já que a ausência de vagas para professores e técnicos administrativos atinge grande parte – para não dizer a totalidade – das universidades públicas federais.>
A Administração Central reafirma seu compromisso com a comunidade universitária e ressalta a importância da atuação conjunta entre gestão, direção das unidades e Consuni na busca de soluções efetivas, de curto e longo prazo. Ao mesmo tempo, alerta para o surgimento de falsas promessas que, ao invés de contribuir, buscam se aproveitar de demandas legítimas dos estudantes.>