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Carol Neves
Publicado em 9 de abril de 2026 às 09:02
A Universidade Federal da Bahia (Ufba) reconheceu a falta de professores no curso de Fisioterapia do Instituto Multidisciplinar de Reabilitação e Saúde (IMRS), após estudantes ocuparem prédios do Pavilhão de Aulas do Canela em protesto contra a suspensão de disciplinas obrigatórias. Um mês após o início do semestre letivo, parte das turmas ainda não foi ofertada, denunciaram os alunos. Pelo calendário da universidade, já se passaram 25% do semestre e ainda não há data prevista para essas aulas. >
De acordo com a universidade, um processo de contratação de professores substitutos está em andamento e, após a conclusão, algumas disciplinas poderão ser iniciadas ainda neste semestre.>
A mobilização dos alunos foi organizada pelo Diretório Acadêmico de Fisioterapia (DAFisio), após assembleia com participação de mais de 200 estudantes. O grupo afirma que aproximadamente 500 alunos são afetados pelos problemas estruturais do curso.>
Protesto de alunos
Entre as reivindicações apresentadas estão a contratação de novos professores, o retorno imediato de oito disciplinas obrigatórias suspensas, a reabertura da clínica-escola do instituto, que foi fechada por conta das problemas, e a definição de um prédio próprio para o IMRS.>
Segundo os estudantes, as disciplinas suspensas são essenciais para a progressão acadêmica a partir do terceiro semestre. Atualmente, o curso possui 16 professores efetivos e 9 substitutos, número considerado insuficiente diante da demanda.>
Universidade diz que contratações estão em andamento>
Em nota, a Ufba informou que a situação foi discutida em reunião do Conselho Universitário da Universidade Federal da Bahia (Consuni), realizada em 30 de março, quando estudantes apresentaram preocupação com a insuficiência de docentes e com a não oferta de disciplinas obrigatórias no semestre em curso.>
Segundo a universidade, em reunião posterior com os alunos, o reitor esclareceu que o processo de contratação de substitutos está em andamento e que, após sua conclusão, parte das turmas poderá ser iniciada ainda neste semestre.>
A administração central também afirmou que a suspensão de atividades de estágio está relacionada à greve dos servidores técnico-administrativos em educação (TAEs), o que inclui fisioterapeutas que atuam diretamente nessas atividades.>
Falta de vagas depende de liberação do MEC>
A Ufba reconheceu que há carência de docentes no IMRS e afirmou que o problema está relacionado à ausência de liberação de códigos de vaga para contratação de novos professores. Segundo a universidade, a situação não afeta apenas o curso de Fisioterapia, mas também outras unidades acadêmicas.>
De acordo com a instituição, a liberação dessas vagas depende do Ministério da Educação (MEC). A universidade informou que enviou ofício solicitando com urgência a autorização necessária e que a última solicitação formal foi feita em 30 de abril de 2025, incluindo as demandas do instituto.>
Ainda segundo a Ufba, o pedido será reiterado até o final deste mês, conforme o cronograma anual do ministério para esse tipo de solicitação. A pauta também é acompanhada pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), já que a ausência de vagas para professores e técnicos administrativos atinge universidades federais em todo o país.>
Clínica-escola permanece fechada>
Além da suspensão de disciplinas obrigatórias, estudantes afirmam que a clínica-escola do instituto permanece fechada, o que interrompe atendimentos gratuitos realizados à população.>
Segundo o diretório acadêmico, entre os públicos afetados estão pessoas com doenças pulmonares graves, crianças com condições neurológicas ou doenças raras e idosos em situação de fragilidade.>
Protesto levou ao cancelamento de sessões de cinema>
Durante a mobilização, o acesso ao campus foi afetado, o que levou ao cancelamento de sessões da Saladearte Cinema da universidade nesta quarta-feira (8).>
Não ocorreram as exibições dos filmes 13 Dias, 13 Noites (13h50) e Velhos Bandidos (15h50). Segundo comunicado do espaço, estudantes em manifestação impediram o acesso ao local.>