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Creatina não tem efeito anti-inflamatório comprovado, aponta estudo brasileiro

Revisão de pesquisas com humanos não encontrou redução significativa de marcadores de inflamação, mas confirma segurança e benefícios do suplemento

  • Foto do(a) author(a) Mariana Rios
  • Mariana Rios

Publicado em 11 de junho de 2026 às 06:33

O uso da creatina não se limita a atletas (Imagem: Erhan Inga | Shutterstock)
[Edicase]O uso da creatina não se limita a atletas (Imagem: Erhan Inga | Shutterstock) Crédito: Imagem: Erhan Inga | Shutterstock

A creatina, um dos suplementos mais consumidos por praticantes de atividade física, pode não oferecer um dos benefícios que ganhou fama nas redes sociais e no universo fitness. Uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) concluiu que não há evidências consistentes de que a substância tenha efeito anti-inflamatório significativo em seres humanos.

O estudo, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e publicado na revista científica Frontiers in Immunology, revisou dados de oito ensaios clínicos randomizados e controlados por placebo. O objetivo foi verificar se a suplementação de creatina era capaz de reduzir biomarcadores associados à inflamação no organismo, como a proteína C reativa (PCR) e a interleucina-6 (IL-6).

Creatina pode ser aliada no combate ao câncer por Freepik

Segundo os pesquisadores, embora alguns estudos realizados com animais e células em laboratório tenham sugerido propriedades anti-inflamatórias, esses resultados não se confirmaram de forma consistente em pesquisas com humanos. A análise mostrou que as reduções observadas nos marcadores inflamatórios foram pequenas e sem relevância clínica ou estatística.

Os autores destacam que houve resultados mais promissores em situações específicas, como em atletas submetidos a exercícios intensos e prolongados. Nesses casos, alguns trabalhos registraram diminuição de substâncias relacionadas à inflamação após provas de longa duração, sugerindo um possível papel da creatina na recuperação muscular. Ainda assim, os benefícios não se repetiram em outros grupos, como idosos e pessoas com osteoartrite.

Outro ponto levantado pela pesquisa é que parte das melhorias observadas em alguns estudos pode estar relacionada ao próprio exercício físico, e não necessariamente ao uso da creatina. Isso reforça a necessidade de cautela ao atribuir ao suplemento efeitos que ainda não foram comprovados cientificamente.

Apesar de contestar o suposto efeito anti-inflamatório, o trabalho não coloca em dúvida os benefícios já conhecidos da creatina. Os pesquisadores reforçam que o suplemento continua sendo considerado seguro para a maioria das pessoas e eficaz para melhorar força, desempenho físico e recuperação muscular quando utilizado de forma adequada.

Para os autores, a principal contribuição da revisão é justamente separar evidências científicas de percepções que se popularizaram nos últimos anos. Eles defendem a realização de novos estudos clínicos para esclarecer se existe algum efeito anti-inflamatório em contextos específicos, mas afirmam que, até o momento, as provas disponíveis não sustentam essa indicação.

Tags:

Pesquisa Creatina