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Moyses Suzart
Publicado em 11 de abril de 2026 às 05:00
Quando Sérgio Paulo Gonçalves nasceu, em 1945, o primeiro computador eletrônico com os moldes que conhecemos sequer havia sido inventado - era apenas um protótipo nos bastidores da Segunda Guerra. Na juventude, Cassia Maria Castro viu pela primeira vez uma transmissão de TV colorida, uma evolução nos anos 60. No passado, Maria Isabel Garrido precisava encontrar um telefone público na rua, os saudosos orelhões, para conseguir falar com alguém à distância. Quando Sônia Maria Kroll, hoje com 68 anos, queria pegar estrada, precisava comprar mapas de papel enormes, difíceis de dobrar, para conseguir chegar ao seu destino. Agora imagine toda essa turma nos dias atuais, na fase 60+, vendo que é possível fazer de um tudo com um aparelho celular na palma da mão. Isso sem contar outros benefícios, como companhia, distração e comodidade. Mas até que ponto toda essa tecnologia é companheira ou vilã da nossa galera 60+? >
O mundo não para de falar sobre os cuidados e perigos das crianças na frente das telas. Uma preocupação pertinente, mas não é a única. Uma pesquisa feita pela American Association of Retired Persons, dos Estados Unidos, apontou que, em 2016, 55% de idosos tinham celular. Ano passado já se tornaram 90%, sendo a faixa etária entre 70 e 79 anos quem mais está de frente para a tela, como Dinalva Neves. “Antes do celular, minha rotina era bem mais complicada”, resume, em seu depoimento que poderá ser visto ao longo dessa reportagem, com alguns embates interessantes, que também levam a uma reflexão: afinal, quais os efeitos para esta geração que conviveu com cartas, máquina de escrever e hoje consome uma tecnologia tão avançada? O uso excessivo também está entre um dos sinais de alerta. >
Especialistas apontam três pilares que merecem atenção. “Apesar de trazer benefícios como a ampliação da autonomia e o fortalecimento dos laços sociais na velhice, o uso do celular também expõe os idosos a novos riscos, especialmente em um ambiente digital marcado por excesso de informação, rapidez e pouca regulação subjetiva. Os principais riscos concentram-se em três dimensões: golpes digitais, desinformação (fake news) e uso excessivo”, explica a psicóloga Kátia Jane, coordenadora do curso de Psicologia da Unijorge.>
Não existe também uma fórmula mágica para saber quando o uso ultrapassou o limite. Cada caso é um caso. Vale, principalmente para os parentes, compreensão, respeito e, principalmente, paciência. “O uso é considerado saudável quando sustenta a vida, mas prejudicial quando começa a substituí-la. Ajudar uma pessoa idosa a usar o celular não é apenas ensinar ‘onde clicar’. É um trabalho delicado que envolve tempo, escuta e respeito ao ritmo do outro. O maior desafio está em apoiar sem infantilizar e sem invadir a privacidade”, completa Kátia. >
Enfim, vamos beber direto da fonte. Buscamos alguns jovens 60+ para mostrarem, sob sua ótica, o que sua vida mudou com o celular. Uma forma de companhia? E os cuidados com os golpes e fake news? Filhos e familiares também deram seus pitacos, principalmente quando as mudanças incluem viralização de conteúdo falso ou mesmo deixar queimar a comida porque ficou vendo TikTok. Com a palavra, os idosos digitais. >
“Antes do celular, minha rotina era bem diferente. Eu não tinha tanto acesso às pessoas, muitas vezes nem sabia onde elas estavam ou como encontrar. Hoje, isso mudou completamente. O celular me aproximou de muita gente que eu não via há muito tempo, virou um meio de reencontro.>
No dia a dia, eu gosto de mandar mensagem, principalmente, e também de jogar. Gosto daqueles joguinhos de prego, de tirar as pecinhas, essas coisas simples que distraem. Também uso o Facebook, onde mando mensagens, curto publicações e acompanho conteúdos, principalmente mensagens políticas e otimistas, que eu gosto bastante.>
Hoje, o celular acaba sendo uma companhia pra mim, principalmente nesse momento em que estou com dificuldade de enxergar por causa da catarata e não consigo ler como antes. Isso fez com que eu passasse a usar ainda mais o celular.>
Aprender a usar não foi fácil, não. Ainda tenho dificuldade. Quem mais me ajudou foi minha neta, mas como ela não tem muito tempo, eu acabo me virando do jeito que dá. Eu mesma digo que não sou muito focada com tecnologia, às vezes me perco, mando mensagem errada, apago o que não devia, ou tento apagar e não consigo. Essas situações acontecem direto, é até engraçado.>
Eu reconheço que estou usando até demais agora, justamente por não poder ler. O celular acabou ocupando esse espaço.>
Mas eu também acho que é preciso ter cuidado, principalmente para quem tem mais de 60 anos. O celular é muito bom para aproximar as pessoas, mas tem muita informação falsa circulando. Tem muita fake news, e as pessoas acreditam facilmente. Então é importante buscar fontes confiáveis e não sair compartilhando tudo. Hoje em dia, com inteligência artificial e tudo mais, a gente precisa redobrar a atenção, porque pode acabar se prejudicando ou passando algo que não é verdade.”>
O que diz a família:>
Minha avó é um caso sério com o celular. Ela passa literalmente o dia inteiro no celular. Eu sou bombardeada o dia todo por postagem que ela me marca de coisas que ela já postou há vários dias atrás. E ela cada vez mais pedindo novos joguinhos para ela jogar. E isso quando ela não fica vendo aqueles anúncios que aparecem nas redes sociais de coisa de roupa, de não sei o quê, e aí fica falando, eu quero comprar isso, eu quero isso. E são aplicativos que eu nunca vi na vida. O celular para os idosos veio pra poder ser uma companhia mesmo, né? >
Raphaella Castro, neta>
Antes do celular, a minha rotina era bem diferente. Hoje em dia, ele virou praticamente um órgão externo do meu corpo, porque eu preciso dele pra tudo. Uso para fazer ligações, mandar mensagens, pagar contas e, principalmente, para me comunicar com meus filhos. Tenho uma filha que mora no exterior, então a gente se fala sempre pelo WhatsApp.>
Teve uma vez que eu fiquei um mês sem celular, porque o meu quebrou, e foi horrível. Fiquei sem acesso a tudo, sem WhatsApp, sem comunicação. Depois que consegui comprar outro, tudo melhorou, porque voltei a falar com as pessoas e resolver minhas coisas.>
Eu também uso o celular para me entreter, entro no Facebook para ver coisas e passar o tempo. Mas, mesmo usando bastante, eu ainda tenho dificuldade com tecnologia. Não sei mexer muito bem e tenho medo de fazer algo errado, principalmente quando é para pagar contas. Por isso, sempre peço ajuda ao meu filho Matheus, que faz esses pagamentos para mim.>
Com o tempo, fui me adaptando ao uso do celular, mas no início foi bem difícil. No dia a dia, mesmo trabalhando, eu sempre dou uma olhadinha para ver se tem mensagem. Em casa, uso mais ainda. Quando estou assistindo TV à noite, o celular fica sempre ao meu lado, e eu olho sempre que posso.>
Também tenho muito cuidado com segurança. Já tentaram aplicar golpe, com ligações suspeitas, até dizendo que era de presídio. Por isso, hoje em dia não atendo números desconhecidos, só atendo quando reconheço que é algum dos meus filhos. Tenho medo dessas coisas, porque a gente fica exposta e pode ter os dados vazados.>
Sobre coisas engraçadas, o que mais me diverte são os vídeos e conteúdos que vejo na internet, como no Instagram e no Facebook, e também algumas coisas que as pessoas me contam nas conversas.>
O que diz a família:>
Minha mãe até hoje não sabe fazer um pix direito, mas pergunte as coisas que tem no Facebook que ela sabe tudinho. Eu tô aqui lembrando… minha mãe só usa o básico, viu? Não sabe fazer muita coisa, não. Mas isso de rede social, na verdade, eu acho que é uma questão que não é só dos idosos, não, é dos mais jovens também. É até uma pauta interessante, porque, por exemplo, minha filha não sabe informática básica. Não sabe mesmo. Em rede social ela mexe em tudo, mas o básico do computador ela não sabe.>
Minha mãe é a mesma coisa. Teve um dia que ela me pediu dois reais pra ir numa lan house imprimir um boleto pra pagar. Aí eu falei: ‘imprimir o quê?’. Não, pelo amor de Deus… eu disse logo que não ia dar esse dinheiro não.>
Rebecca Sandes, filha>
Antes do celular, minha rotina era bem mais complicada. Como eu tinha um buffet e precisava me comunicar com clientes e fornecedores, dependia muito do telefone fixo e, quando estava na rua, do orelhão. Não era nada fácil, exigia mais tempo e esforço.>
O celular entrou primeiro como uma ferramenta de trabalho, usei muito nessa fase. Depois que me aposentei, ele continuou presente no meu dia a dia, mas de outras formas. Hoje faço aulas de inglês, gosto de jogar alguns joguinhos e mantenho minhas redes sociais bem ativas.>
De certa forma, o celular também é uma companhia, sim. Mas solidão e tédio, graças a Deus, eu não sinto. Tenho uma rotina ativa e gosto de estar sempre ocupada.>
Aprender a usar não foi difícil, porque tive a ajuda dos meus filhos. E até hoje continuo gostando de aprender coisas novas, isso é algo que eu levo comigo.>
Não acho que uso o celular em excesso. Às vezes, inclusive, até me esqueço dele. Durante a pandemia, por exemplo, usei bastante para me expressar: gravei vídeos de receitas, mostrei um pouco do meu dia a dia sozinha na minha casa, no interior, e criei um blog para compartilhar com amigos. Foi uma experiência muito especial.>
O que diz a família:>
A maior mudança, desde que ela passou a usar o celular, foi a praticidade. Principalmente para fazer compras. Ela compra tudo pela internet, usa aplicativo de banco, além das redes sociais e do entretenimento.>
Acho que uma das melhores coisas foi justamente isso: ela não precisa mais sair de casa. Não precisa se expor com dinheiro, com questões financeiras, ir ao banco, enfrentar fila… ela resolve tudo pelo telefone, absolutamente tudo.>
Carla Souza, filha>
Eu sou do tempo do celular tijolão, aqueles primeiros que apareceram. Era tudo muito limitado, difícil de usar, vivia no carregador, mas ao mesmo tempo era algo impressionante. O que mais me marcou, nos de hoje, foi poder falar com alguém em tempo real, de qualquer lugar, sem precisar correr para um telefone fixo. Dava uma sensação estranha no começo, como se a pessoa estivesse ali do seu lado.>
Naquela época, ter celular também tinha um certo status. Nem todo mundo tinha, era caro, então a gente tinha um cuidado enorme. E, curiosamente, quem mais entendia do aparelho era meu filho, que mexia com facilidade, enquanto a gente tinha dificuldade. Até hoje, quando preciso, ainda recorro aos meus filhos ou a pessoas próximas para me ajudar.>
Com o tempo, o celular virou uma companhia. Serve para tudo: compartilhar momentos bons, desabafar nos dias difíceis, ouvir uma música, ver um vídeo, sentir mais perto quem está longe. Acho que isso é o mais importante, essa sensação de proximidade, de não existir mais tanta distância.>
Hoje, o que eu mais gosto é poder acompanhar a vida das pessoas, ver, ouvir, saber o que está acontecendo no mundo em tempo real. É como ter uma enciclopédia na mão. Mas, ao mesmo tempo, tento usar com equilíbrio. Tem dias que cansa, então eu prefiro usar só o básico e deixar o resto para depois.>
O que diz a família:>
Ver minha mãe com um celular na mão é presenciar a evolução da espécie em tempo real. Ela já passou da fase do ‘bom dia’ com glitter e hoje é praticamente uma curadora oficial de Reels e vídeos de receita. E olhe que ela já é quase uma influencer, com mais de 30 mil seguidores no Instagram.>
Mas tem um detalhe que é patrimônio imaterial da nossa relação: não importa se ela usa smartphone há dez anos ou dez dias, o grito de ‘Filho, venha cá ver um negócio no meu celular!’ é sagrado. Às vezes é um botão que ‘sumiu’ (ela só arrastou pro lado), às vezes é o Wi-Fi que ‘morreu’ (estava no modo avião).>
E quer saber? Que nunca mude. Ser o suporte técnico oficial dela é o meu jeito favorito de mostrar que estou por perto. É um prazer ajudar a ‘hackear’ o sistema, mãe!>
Filipe Garrido, filho>
A utilização do celular foi uma grande inovação. No começo, foi um pouco estranho, difícil de entender, mas, à medida que a tecnologia evoluiu e novos recursos foram sendo incorporados, ele passou a oferecer uma infinidade de possibilidades. Não apenas do ponto de vista científico, mas também de entretenimento, com indicações de livros, acesso à literatura, ao cinema, às artes, à música. Há jogos também, que não fazem muito o meu perfil, mas estão disponíveis.>
A facilidade de comunicação com familiares é algo muito importante. Poder falar com pessoas fora do país, ver, conversar pelo WhatsApp, isso tem uma utilidade enorme.>
Na minha rotina, o celular trouxe mudanças significativas. Passei a fazer leituras por ele, tanto de pesquisas científicas quanto de livros, além de acompanhar reportagens de diferentes fontes. Gosto de ouvir mais de um lado das histórias, diferentes pensamentos. Hoje, ele se tornou um elemento indispensável, não saio de casa sem o celular no bolso. Ali estão as informações que preciso, além de ser a forma das pessoas me localizarem e de eu localizar outras.>
Para pessoas idosas, acredito que essa evolução foi muito útil. Facilita muito a comunicação, o contato, a localização. Além disso, oferece opções de passatempo, como jogos e conteúdos diversos, que acabam substituindo até hábitos antigos, como assistir ao jornal na televisão.>
Vejo isso como um processo irreversível, que continua evoluindo. Por outro lado, ainda tenho algumas preocupações, principalmente em relação à invasão de privacidade que o sistema pode trazer. Mas, fora isso, é algo que veio para ficar e tem muito mais a contribuir do que a limitar.>
O que diz a família:>
Só uma coisa a dizer: O sacana já fez até teste de DNA pelo celular para descobrir os ancestrais dele.>
Marcelo Bogobil, genro.>
Meu primeiro celular foi da empresa onde eu trabalhava, há cerca de 30 anos. No início, eu não gostei. Achei que iria trabalhar além do horário, mas me enganei. Ele era usado só quando realmente necessário, para contatos profissionais.>
Só fui ter um celular pessoal em 2007, quando saí da empresa. Naquela época, não existiam redes sociais como hoje, o celular era basicamente um telefone.>
Hoje, está completamente diferente. Eu faço tudo pelo celular, ele me acompanha o dia inteiro. Quando acordo, já tenho várias mensagens de ‘bom dia’ no WhatsApp. Respondo todas, mando novenas, e isso vai até umas 10h da manhã. Depois entro no Facebook para ver aniversariantes e dar os parabéns.>
Também acompanho notícias, leio diariamente grandes portais de notícias, entro no LinkedIn para ver novidades do mundo corporativo e aproveito para jogar alguns joguinhos. À noite, volto aos jornais, vejo vídeos no YouTube, principalmente de política, e também entro no X. TikTok eu não gosto.>
Mesmo aposentada, ainda faço consultorias, então uso o celular para trabalhar, com WhatsApp, agenda e comunicação no geral. Não sei usar todos os recursos, mas não abro mão do celular de jeito nenhum.>
E o mais importante: todos os dias faço chamada de vídeo para ver meus netos, que moram na Espanha. São os amores da minha vida. Isso, pra mim, não tem preço.>
Uso bastante e continuo aprendendo, com ajuda das minhas filhas e do meu genro. Os aparelhos estão cada vez melhores, e eu sempre precisando de mais memória.>
Se teve algo que piorou? Eu não sei mais o telefone de ninguém de cabeça, dependo totalmente da agenda do celular.>
O que diz a família:>
Ela vem nos visitar aqui na Espanha a cada 6 meses para ver os Netos e não abre mão do Google Maps para conhecer os lugares mesmo sem saber falar a língua. Mas também já caiu num golpe que teve um prejuízo de mais de 20 mil reais. >
Marcelo Bogobil, genro.>
Antes mesmo do celular, eu já tinha interesse por tecnologia, por novas ferramentas. Então, quando ele chegou, não foi um choque tão grande. Eu já tive aqueles primeiros aparelhos, os ‘tijolões’, e sempre fui curioso para entender como as coisas funcionavam e como poderiam entrar no meu dia a dia.>
Hoje, o celular está muito mais presente na rotina. A gente usa para tudo: comunicação, compras, pagamentos, redes sociais. No meu caso, uma das coisas que mais me encantou foi a fotografia. É como carregar uma câmera cheia de recursos no bolso. Ao mesmo tempo em que isso até banalizou um pouco a fotografia, também permitiu que muita gente se descobrisse nesse campo.>
Outra coisa que tenho explorado é a música, principalmente com essas novas ferramentas de inteligência artificial. Eu gosto muito e já fiz algumas composições com ajuda dessas tecnologias. É algo que me anima bastante.>
Mas, ao mesmo tempo, eu acho que o celular pode ser invasivo. Ele ocupa espaço demais na vida da gente. Justamente por ser tão prático e oferecer tudo, acaba sendo difícil se desligar. Eu mesmo tenho tentado usar de forma mais racional, porque entendo que existem outras coisas importantes no dia a dia, como o contato direto com as pessoas.>
Já aconteceu de mandar mensagem para grupo errado, nada grave, consegui corrigir na hora. Mas isso faz parte.>
No geral, eu acho que o celular é extremamente útil, trouxe muitos benefícios, mas precisa ser usado com equilíbrio. As pessoas precisam tomar cuidado para não se prenderem demais a essa ideia de que o mundo está todo ali na tela. É importante lembrar que a vida também acontece fora dela.>
O que diz a família:>
Ele é viciado em tecnologia, adora novidades e vive buscando novas "tendências". O foco principal dele está nas artes, fotografia, edição fotográfica e principalmente música, ele é entusiasta em novas composições e vibra quando uma música que ele molda através de prompts chega no nível que ele deseja. O celular é uma das maiores diversões que ele tem, perdendo apenas para o cuidados com a família e brincadeiras com os netos.>
Armando Libório, cunhado.>
Hoje em dia, o que eu mais gosto de fazer no celular é jogar. Fico nos joguinhos de aplicativo, tipo Farmelo e Candy Crush. Vídeo, rede social, essas coisas, quase não vejo. Novela eu assisto é na televisão mesmo. No celular, às vezes eu vejo uma mensagem ou outra, mas é quando lembro.>
Eu sei que uso bastante o celular, mas nunca tentei diminuir. Uso muito quando não estou no computador, principalmente para jogar. E também gosto dessas animações de inteligência artificial, aqueles vídeos engraçados, de bichinho dançando, essas coisas. Acho divertido.>
Já aconteceu de eu pegar o celular para mandar mensagem e acabar ligando sem querer, ou fazer chamada de vídeo, até de noite. Eu prefiro ligar, não tenho muita paciência de esperar resposta de mensagem. Pra mim, se é urgente, tem que resolver na hora. Mas minha filha vive dizendo que hoje em dia as pessoas não funcionam assim, que é melhor mandar mensagem e esperar.>
Tenho Facebook, tenho Instagram, mas uso pouco. Entro mais quando alguém me marca. Já tive até dois celulares, um só para jogo e outro para comunicação, mas hoje nem sei explicar direito por que fiz isso.>
Sobre aprender a usar, não acho que tive exatamente dificuldade, mas também não entendo tudo. Às vezes leio o que está na tela e não sei bem para que serve. Acho que falta mais atenção ou paciência mesmo. Quem mais me ajudou foi minha filha, Sabrina, além de outras pessoas do dia a dia, como o porteiro e até o pessoal da assistência técnica, com quem converso quando tenho dúvida.>
O celular, pra mim, é uma companhia, sim. É minha distração quando estou sozinho. Fico bastante tempo nele, nem sei dizer quanto, mas é coisa de várias horas por dia.>
Agora, mesmo usando bastante, às vezes não respondo mensagem. Já me falaram isso várias vezes. Eu estou com o celular na mão, mas não vejo, ou o som está desligado. Aí o pessoal reclama, mas faz parte. Eu gosto mesmo é de usar do meu jeito.>
O que diz a família:>
Olha, eu já ensinei várias coisas para ele várias vezes, mas acho que, no fundo, é um pouco de preguiça mesmo. Ele não lê a tela, esse é o ponto. Está tudo ali, explicado, mas ele não presta atenção.>
Hoje, quando ele me pede ajuda, por exemplo para fazer um Pix, eu já não faço mais por ele. Eu mando ele fazer. Digo: ‘vá lendo aí e me diga o que está aparecendo’. Eu meio que obrigo ele a ler e interpretar, porque não adianta eu fazer sempre, senão ele não aprende nunca.>
É mais falta de paciência do que dificuldade, sabe? Porque quando ele realmente presta atenção, ele consegue.>
Queila Val, filha>