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Moyses Suzart
Publicado em 2 de maio de 2026 às 05:00
Era a primeira vez de Tiane Fróes na trilha da Cachoeira da Ponte Velha, no Vale do Capão, Chapada Diamantina. Sim, foi cansativo e o momento final da trilha pedia um mergulho com os amigos. A paisagem, além de bela, trazia uma tranquilidade desconectada, offline, praticamente analógica. Dava até para ouvir os próprios pensamentos: “Será que é isso que as pessoas chamam de ser milionário? Porque, se não for, deveria ser. Eu me sinto muito rica agora”, pensou, tendo a certeza que nada lhe faltara, nem o maldito celular. A epifania de Tiane não é exclusividade dela. Em um mundo que exige respostas imediatas, disponibilidade constante e presença digital permanente, a verdadeira riqueza passou a ser outra: poder sumir. >
Desligar o celular, ignorar notificações, ficar horas sem responder mensagens ou simplesmente desaparecer das redes sociais se tornou um símbolo contemporâneo de luxo. Parece que ninguém aguenta mais a modernidade e o fato da internet ter aproximado as pessoas. Aproximou tanto, que não dá nem para tirar o telefone do gancho e fingir que não está em casa. Se antes todo mundo buscava um sinal de wifi, hoje colocar o celular offline é muito mais tentador, mas luxuoso que o Porsche na garagem. E, se existe um lugar perfeito para conseguir sumir e esquecer do caos da modernidade, este lugar é a Chapada Diamantina.>
“Existia uma escola antiga no Vale do Pati e, quando ela caiu, o pessoal aproveitou algumas coisas, inclusive um quadro. Aí escreveram com giz: ‘Wi-Fi’ e, embaixo, ‘Senha: liberte-se’. O povo ficava tentando encontrar o sinal e nada. Até que a gente fazia eles prestarem atenção na senha. Era justamente para se libertar daquilo, pois ali o celular era par ficar de lado”, conta Jumário Santos, guia das trilhas do Vale do Pati. >
Esta placa deixou de ser necessária e chamou atenção de JUmário. Ele aponta uma mudança interessante nos turistas que ele guia no paraíso. Se antes o perfil era apenas de pessoas que curtem a natureza e amam trilhas, agora a turma chega sem experiência nas longas caminhadas, mas com um propósito: se desconectar e sumir por um tempo. Ao menos a maioria, pois nem todo mundo consegue beber o detox digital.>
“Eu já guiei uma blogueira dizendo que não conseguiria viver lá sem internet. Falava que ia dar um jeito de conseguir sinal. Só que não tem como. Antes da trilha, a gente já avisa aos clientes: ‘Durante esses dias vocês vão ficar desconectados’. Era um roteiro de três dias e acho que foram os piores três dias da vida da blogueira”, lembra Jumário. A dita cuja passou os três dias tentando encontrar um sinal, sem contemplar as belezas naturais e a oportunidade de sumir do mundo online.>
Já tem gente com o sentimento contrário. Alguns, quando chegam num lugar com sinal, o primeiro desejo é jogar o aparelho na lata de lixo e nunca mais sair de lá. >
Assim como Jumário, Vitor Patizeiro é guia, mas também faz o papel de exorcista. O povo chega, literalmente, pretendendo se exorcisar de um instrumento que nem sempre é benéfico: o celular. “Hoje eu vejo muita gente indo para o Vale não só pela trilha, mas pela paz. Tem pessoas que nem querem caminhar tanto, ficam na própria Vila, em silêncio, contemplando aquele momento só dele. Elas querem ficar quietas, descansar, sumir do mundo um pouco”, resume Vitor. A cada experiência, segundo o trilheiro, é uma transformação. Como se a alma suja da tecnologia fosse perdida pela mata. >
“Tem muita gente que chega lá doente de ansiedade, cansada de celular, de tecnologia, de responder mensagem o tempo inteiro. E a ausência da internet faz toda a diferença. Então a gente acabou preservando isso. E eu acho que essa desconexão é o que transforma a experiência. Tem gente que chora no final da viagem. Tem gente que fala que estava precisando daquilo. De sentar numa fogueira, conversar olhando no olho, ir para o rio, deitar e ouvir só o barulho da água. Sumir do caos”, revela Vitor, que oferece uma experiência diferente. >
Quem chega lá vive uma vida simples, analógica, hospedados em casas de nativos, como do seu avô, Eduardo, um dos primeiros do Vale do Pati. É a vida de roça, de contemplações que podem durar de 3 a 15 dias, a depender de sua necessidade de se desintoxicar. “Tem gente que chega ao ponto de dizer: ‘Rapaz, eu não quero mais saber de cidade, não quero mais saber de internet. Quero ficar aqui’”, completa. >
O negócio de Vitor e Jumário se tornou tendência em meio a esta loucura da hiperconectividade. No relatório “Principais Tendências 2026”, a WGSN, consultoria internacional especializada em comportamento e consumo, destaca que a capacidade de se desconectar passou a representar um novo tipo de privilégio social. Segundo a análise, conseguir ficar offline sem comprometer a vida profissional ou o status social será cada vez mais associado a prestígio e qualidade de vida. >
Tem mais: Esse movimento já dá sinais claros no Brasil. Um levantamento realizado no ano passado pela Pluxee, empresa voltada para benefícios e engajamento corporativo, mostrou que 67% dos entrevistados diminuíram o tempo nas redes sociais ou chegaram a desativar suas contas. Entre os principais motivos apontados estão a sensação de desperdício de tempo, citada por 68,6% dos participantes, além do impacto negativo na saúde mental, como ansiedade e estresse, mencionados por 20,8%.>
Claro que a Chapada Diamantina é apenas mais um recurso para quem pretende escapar do caos da era digital. Mas não é a única. Uma meditação pode resolver, na sua casa mesmo, no modo avião. Mas, se precisar de ajuda, tem. É aí que entra o papel crucial do budismo neste momento de desintoxicação da hiperconectividade. Não importa se você é católico ou candomblecista. Buda só quer sua paz interior. O melhor de tudo é que o budismo não procura ter a tecnologia como a vilã para este desgaste. Somos nós mesmos que não sabemos como usá-los. É como o manuseio de uma faca na mão de um açougueiro ou na mão de um assassino. Não é a faca que determina seu próprio uso. >
Ansiedade, celular e exaustão: a geração que sonha em desaparecer por alguns dias
“A tecnologia é um meio, que pode ser utilizada de forma hábil ou equivocada. O que cabe a cada ser humano é cultivar o equilíbrio entre os avanços tecnológicos e os espaços de pausa e moderação nos ritmos, a fim de evitarmos os extremos de supervalorizar o que o progresso material oferece ou negar os benefícios que podemos, como indivíduos e coletividade, auferir do uso do que a ciência nos proporciona”, conta monge Koho, membro destacado da organização internacional Zen Peacemakers, focada em budismo engajado.>
Em Salvador, inclusive, há a possibilidade de se desconectar de um jeito bem peculiar. É o Retiro do Silêncio, em que a pessoa fica durante dias sem o seu celular, mas também sem falar nada. Uma experiência única, não apenas desconectado, mas também em completo silêncio, apenas com meditações e o contato com a natureza. O próximo será entre os dias 14 a 16 de agosto, no Convento Dom Amando, na Estrada Velha do Aeroporto.>
O ponto, neste caso, não é apenas desconectar num lugar bonito. É olhar para dentro de nós. Saber que a questão é sobre a dosagem e dedicação que cada um dá às tecnologias e a si mesmo. Uma questão de equilíbrio. >
“Precisamos aprender a lidar com a nossa mente. E isso ainda é muito negligenciado, porque as pessoas estão sempre procurando respostas fora de si e quase ninguém para e olhar para dentro. Eu conheço vários casos de pessoas com problemas graves de ansiedade, que já estavam sentindo isso fisicamente, com dificuldade para dormir, para realizar tarefas do dia a dia, ou até passando por burnout, mas que conseguiram se recuperar adotando uma vida mais simples e silenciosa. Às vezes, só precisamos deixar para trás aquilo que nos faz mal, os excessos de estímulos e de informações”, conta o monge Enjo, que conduz retiros de meditação e silêncio, no templo Taikanji em SP e virá para Bahia em agosto. >
Portanto, a arte de sumir não deixa de ser também uma forma de autocuidado. Contudo, as palavras luxo, tendência e engajamento podem acabar se tornando um hábito de consumo, o que pode piorar a situação. >
“O autocuidado também virou alvo da indústria farmacêutica, da indústria da beleza, do discurso medicalizante, da sociedade produtiva e, infelizmente, de muitos profissionais da saúde mental. O autoconhecimento virou um produto. Quando algo vira um produto, deixa também de ser um processo implicado num sentido particular, personalizado”, revela Cauan Reis, psicanalista, coordenador do serviço de Psicologia da Unijorge. Para ele, as pessoas estão apressadas até para passar pelo sentir, como se o sentir fosse um tempo curto de êxito, não um processo contínuo. >
“A contemporaneidade traduz uma nova configuração na dinâmica da vida. A gente vive sob ordem de uma cobrança permanente e constante, que não cessa, sobretudo devido aos meios de comunicação eletrônicos, que nos mantém conectados/ligados full time. Neste ritmo de vida é mais do que natural ou esperado que o resultado seja essa sensação absoluta e constante de exaustão”, conta.>
Casal>
Esta sensação que é necessário desligar se estende não apenas a um indivíduo, mas na relação de casal também. Quando ambos ficam no seu mundo dentro do celular, talvez seja hora de entrarem em modo offline também, pelo bem da relação. >
“A tecnologia faz parte da vida cotidiana e pode inclusive fortalecer vínculos. No entanto, ela começa a atrapalhar a relação quando passa a substituir momentos de conexão emocional real. Estudos em psicologia das relações mostram que a qualidade do vínculo está diretamente associada à presença atencional. Pesquisas conduzidas por John Gottman indicam que pequenos momentos de atenção e resposta ao parceiro, chamados de bids for connection, são fundamentais para a manutenção do vínculo. Quando o celular interrompe constantemente esses momentos, ocorre uma espécie de micro rejeição repetida, que pode gerar distanciamento emocional”, explica Sílvia Santana, psicóloga, neuropsicóloga e terapeuta de casal. >
Já tem até um nome para este fenômeno: ‘phubbing’. É o ato de ignorar o parceiro para olhar o celular. Segundo Sílvia, pesquisas publicadas no Journal of Social and Personal Relationships apontam que o ‘phubbing’ está associado a menor satisfação conjugal e aumento de conflitos. A solução nem é tão complicada assim. >
“Momentos offline, como viagens, jantares sem celular ou até pequenos acordos de desconexão no dia a dia, favorecem a liberação de ocitocina, hormônio associado ao vínculo e à confiança. A neurociência mostra que interações face a face ativam circuitos cerebrais relacionados à empatia e à regulação emocional, algo que as interações digitais não conseguem reproduzir com a mesma intensidade. Desligar-se, ainda que temporariamente, permite ao casal reconstruir o que chamamos de intimidade experiencial”, completa. >
O segredo, seja em casal ou sozinho, é saber o que priorizar. “Já percebeu como aquilo que vamos deixando de priorizar, acaba sendo visto como artigo de luxo? Costumo dizer aos meus pacientes: se estamos disponíveis o tempo todo para o outro… onde encontramos espaço para estarmos disponíveis para nós mesmos? Precisamos enxergar os momentos de pausa, o diminuir o ritmo, desacelerar como necessidade, como necessário e fundamental para nossa saúde mental”, conta a Psicóloga Niliane Brito, especialista em Psicologia Clínica. >
Trabalho>
Para o peão, um CLT raiz, como conseguir se desconectar do mundo dentro do contexto da hiperconectividade e a necessidade constante de produtividade? Como descansar se o chefe precisa falar contigo até fora do expediente e o medo do desemprego fala mais alto? Neste caso, se o lado externo é maior que a vontade, é preciso apelar para seus direitos. >
“Quando o trabalho, de forma habitual e sistemática, não permite que um empregado tenha o seu momento de desconexão, que descanse e se distancie mentalmente do trabalho nos intervalos de almoço, entre jornadas ou até mesmo nas férias, esse comportamento pode ser reconhecido pela Justiça do Trabalho como assédio e gerar o pagamento de indenização por danos morais, além da remuneração das horas trabalhadas como extras”, explica Aiana Gidi, advogada trabalhista. >
É um turbilhão de ideias e contextos que comprovam como o assunto é delicado. É só explicar como é, geralmente, a produção de uma matéria. Nela separamos duas fontes. A do especialista, que explica um fato, além do personagem com sua história dentro do tema. Aqui, tudo se misturou e ninguém escapou de ter uma experiência desgastante com a hiperconexão, nem mesmo os profissionais. >
“Como mãe, filha, esposa, sócia de um escritório e gestora de uma equipe é muito desafiador garantir tempo de desconexão, porque eu fico muito refém do celular. Dificilmente eu consigo ficar offline. A notificação de uma mensagem recebida, já fisga e tira o foco do que eu estava fazendo. Seja no trabalho, seja na vida pessoal”, revela a doutora Aiana. >
Nem nosso trilheiro Vitor Patizero escapa. “É desgastante, pois eu converso com meus clientes, de todo mundo, pelo celular. Então, quando não estou na trilha, estou conversando nas redes sociais. Chega vezes de dormir meia-noite e acordar às quatro da manhã. Na casa em que hospedo as pessoas, no Vale do Pati, tem um rio no quintal. Vejo as pessoas se banhando, mas eu já fiquei meses sem fazer isso. Então, até eu preciso me policiar, saber que também preciso desligar”, conta Vitor.>
Tiane Fróes, do início da matéria, também mistura vivência com profissão. Ela seria uma especialista, inclusive, mas sua vivência a transformou em personagem. Ela é psicóloga e resolveu desacelerar, procurando o tal luxo sem riqueza, mas com simplicidade. Um belo dia ela resolveu buscar a paz. Tentou se mudar para Buenos Aires, na Argentina, mas o caos de uma vida na metrópole continuava incomodando. Até que, sem nunca ter ido até lá, resolveu largar (quase) tudo e ir morar no Capão. Hoje atende seus clientes de forma remota, demonstrando que não largou a conexão por inteiro, mas soube usá-la com parcimônia. >
“Toda essa mudança, sem dúvida, fez muito bem para a minha saúde física e mental. Embora eu ainda sinta a pressão de viver em um mundo hiperconectado virtualmente, hoje>
também tenho mais possibilidades reais de descansar. A mente descansa quando não precisa chegar a algum lugar. Quando pode simplesmente permanecer em silêncio, apreciando o momento, sem pressa e sem pretensões”, conta. >
No papel de psicóloga, ela conta que a experiência pessoal é uma forma de inspirar seus clientes. Para ela, o luxo nem chega a ser o sumir ou desconectar. Pode ser impossível isso. Contudo, o saber descansar é libertador. “As pessoas estão cansadas, mas nem sempre entendem o porquê. Quando tentam descansar, pegam o celular e ficam rolando o feed de alguma rede social. Estamos consumindo muitas informações em pouco tempo, assistindo à vida de outras pessoas, nos comparando o tempo inteiro… isso não é descanso. É extremamente cansativo para o cérebro”, completa. >
Logo após o final do texto, vale a pena ler o depoimento completo de Tiane, que está no Capão há um ano e três meses. Para todos os efeitos, também é preciso uma pitadinha de coragem para conseguir beber o chá de sumiço.>
Para ser mais exato, estamos falando justamente disso, do cuidar de si. O budismo reforça a ideia de que os extremos fazem mal e não existe uma verdade absoluta na busca pela saúde espiritual. É o caminho do meio, do equilíbrio, que devemos traçar. Não vamos mais conseguir se desvencilhar da tecnologia e do mundo digital, é fato. Mas ele não é o tudo. Seja na Chapada, num retiro budista ou até mesmo no seu sofá olhando pro teto, você é, sem exceção, a fonte de todo o benefício e felicidade.>
Quando conquistei a liberdade geográfica, atendendo online como psicóloga, decidi começar a explorar lugares onde eu pudesse gostar de morar. Comecei por Buenos Aires, na Argentina, porque sempre imaginei que adoraria viver em uma cidade grande como aquela. Mas, com o tempo, fui percebendo que ainda faltavam coisas importantes para mim naquele lugar. Eu me sentia agitada e ansiosa, pouco conectada com o que estava à minha volta. Não conhecia muitas pessoas na cidade, e a internet acabou se tornando minha principal via de conexão com o mundo, mas de uma forma cansativa e vazia. Depois de oito meses morando lá, decidi repentinamente que era hora de partir. >
Eu já tinha até comprado passagens de ida e volta para passar as férias de fim de ano no Brasil. Mas a viagem agora seria só de ida. No mesmo dia em que decidi me mudar, comecei a escolher para onde iria. Alguns critérios eram muito importantes para mim, entre eles: viver em um lugar onde eu pudesse ter mais contato com a natureza e onde não fosse tão difícil construir relações profundas com as pessoas. O contato com a natureza se tornou essencial porque, durante os meses em que vivi na Argentina conhecendo diferentes atrações turísticas, o espaço que mais me trazia tranquilidade e paz era um parque perto de casa, onde eu sempre ia para relaxar. Essa experiência me fez perceber que, naquele momento da minha vida, eu precisava de mais da sensação que encontrava ali. >
Só de estar naquele lugar eu já me sentia mais presente e conectada com a vida. É difícil explicar exatamente o porquê, mas a natureza costuma provocar esse efeito na gente. Acredito que o nosso corpo reconhece algo de familiar no que é natural, especialmente em um mundo onde tantas coisas do cotidiano são artificiais. E, nesse sentido, cultivar relações íntimas e profundas também desperta em mim uma sensação parecida. O vínculo com a comunidade é algo essencial para o ser humano e tem um impacto profundo na nossa saúde mental. É através dele que nos sentimos seguros e pertencentes. Considerando tudo isso, o lugar que escolhi para morar foi o Vale do Capão, na Chapada Diamantina. O mais inusitado é que eu nunca tinha estado lá antes, mas isso não foi um impeditivo para mim.>
Conversei com pessoas que moravam no vale, fiz algumas pesquisas, percebi que o lugar atendia a muitos dos meus critérios e senti algo bom… como se o meu corpo estivesse dizendo “sim”. Então bati o martelo: vou para o Capão. No começo, demorei um tempo para realmente chegar ali por inteiro. Quero dizer: minha mente ainda estava tão barulhenta que eu não conseguia me conectar imediatamente com aquele ritmo diferente de vida. Mas, com o passar dos meses, fui criando intimidade com o lugar e só então consegui apreciar de verdade as coisas simples: o tempo lento, o silêncio das árvores, a beleza das serras. >
Certo dia, eu havia acabado de fazer pela primeira vez a trilha para a Cachoeira da Ponte Velha. Cheguei lá cansada, mas a paisagem era tão bonita e tranquila… Depois, eu e meus amigos entramos na água e ficamos conversando sobre a vida: o som da água correndo ao fundo, o céu bonito no horizonte. Naquele momento, lembro de ter pensado: “Será que é isso que as pessoas chamam de ser milionário? Porque, se não for, deveria ser. Eu me sinto muito rica agora.” Naquele instante de conexão com as pessoas e com a natureza, tudo parecia simples… e nada faltava. Toda essa mudança, sem dúvida, fez muito bem para a minha saúde física e mental. >
Embora eu ainda sinta a pressão de viver em um mundo hiperconectado virtualmente, hoje também tenho mais possibilidades reais de descansar. A mente descansa quando não precisa chegar a algum lugar. Quando pode simplesmente permanecer em silêncio, apreciando o momento, sem pressa e sem pretensões. Eu sei que ainda tenho um longo caminho na busca por uma vida mais tranquila, mas, pelo menos agora, sinto que já conheço a direção. >