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Caça ao tesouro: como foi o primeiro dia do álbum da Copa do Mundo em Salvador

Vendas do álbum da Copa começam tímidas no feriado em Salvador

  • Foto do(a) author(a) Alan Pinheiro
  • Alan Pinheiro

Publicado em 1 de maio de 2026 às 18:27

Primeiro dia do álbum da Copa do Mundo em Salvador
Primeiro dia do álbum da Copa do Mundo em Salvador Crédito: Arisson Marinho/CORREIO

Enquanto boa parte da cidade aproveitou o feriado do Dia do Trabalhador para pegar uma praia, curtir a preguiça no sofá ou colocar o papo em dia com a família, também houve quem amanheceu na sexta-feira (1º) com uma convocação diferente. Com os shoppings fechados, quem quis garantir o recém-lançado álbum da Copa do Mundo teve que bater perna pelas ruas. Sem o ar-condicionado das grandes lojas, a busca se transformou em uma caça ao tesouro pelas tradicionais bancas de Salvador.

Nesse garimpo urbano, o clima pacato do feriado acabou jogando contra os vendedores. Em torno das 16h, Daniela Moraes atendia aos poucos clientes que apareciam na Banca King’s, localizada no Campo Grande. Vendeu refrigerante, cigarro, palavra-cruzada, mas álbum da copa? Somente um exemplar. “A nossa expectativa é de que as vendas melhorem muito nos próximos dias. Pessoal tá fraco no feriado, mas tenho certeza que vai ficar mais forte”, disse a mulher de 37 anos.

Primeiro dia do álbum da Copa do Mundo em Salvador por Arisson Marinho/CORREIO

No bairro de Ondina, o cenário já estava um pouco melhor, mas ainda envolto em frustração. José Carlos Cerqueira, da Banca Ponto Cultural, conseguiu vender mais de 20 kits. Ainda assim, ele desabafou que a procura foi muito aquém do esperado. Na última Copa, José chegou a vender mais de 100 álbuns logo no primeiro dia.

Segundo o vendedor, dois motivos podem explicar a baixa nas vendas. “Primeiro que é feriado e as pessoas estão aproveitando de outra forma. Outro motivo é que, por enquanto, só tem esse kit com o álbum de capa mole e 12 pacotes de figurinhas. Quando chegar o álbum separado e o de capa dura, que o pessoal gosta mais para preservar, aí sim a tendência é melhorar”, contou. Ele acrescenta que a tendência é de que esses produtos cheguem na segunda-feira (4).

José, inclusive, torce para que Neymar seja convocado, mas não por achar que o jogador possa ajudar o Brasil em campo. “Eu nem acredito que ele ainda tenha nível, mas as crianças adoram o Neymar e isso com certeza deixaria elas ainda mais animadas para comprar. Vai aumentar as vendas”, confessou. Essa é a primeira vez em quatro edições que o tradicional espaço reservado ao camisa 10 não aparece no álbum da Panini.

A magia e o peso no bolso

Enquanto os jornaleiros aguardam a clientela, há quem já viva o clima vibrante do Mundial. A criadora de conteúdo sobre futebol Raquel Maia, de 26 anos, representa perfeitamente essa empolgação. Para ela, os álbuns são uma parte da magia do torneio e uma das poucas tradições que ainda seguem fortes.

“É uma tradição em ano de copa e eu sou muito apegada a esse tipo de memória e em manter vivas as rotinas de algumas épocas. É que nem comprar uma camisa da Seleção. A cada quatro anos eu tenho que fazer isso. Estou bem empolgada e ver as pessoas que compartilham do mesmo interesse postando sobre isso contribui ainda mais. O álbum é como uma extensão dos sentimentos da Copa em si, uma forma de externar isso e começar a ter o gostinho do mundial antes dele começar”.

Ela está tão animada que já tem em mãos 80 figurinhas e pretende comprar ainda mais. No entanto, parte do processo de completar o álbum está na interação com outras pessoas que têm o mesmo objetivo. Após não participar da febre das trocas de figurinhas na Copa de 2022, devido à pandemia, ela decidiu retornar 100% com a tradição agora.

Por outro lado, os novos preços da coleção desanimaram alguns torcedores fiéis. O estudante de odontologia José Victor Claudino, de 22 anos, completou religiosamente os álbuns das Copas de 2014, 2018 e 2022, mas desistiu de brincar neste ano. Ele gosta de guardar as revistas pelo espírito do torneio, mas os altos valores atuais motivaram a família a não continuar a tradição.

Já o estudante Péricles Filho compartilha dessa mesma chateação. Ele avalia que a brincadeira passou a dar a sensação de ser um “investimento” em vez de uma simples diversão. Com os pacotinhos custando R$ 7, a tradição ficou extremamente trabalhosa e cara na visão dele. “Ao ver pessoas na internet gastando mais de R$ 300 por pouquíssimos pacotes, o desânimo bateu forte. Não se trata mais de uma diversão barata e acessível para todos”, desabafou.

Impactado pelo novo formato do torneio sediado por Estados Unidos, México e Canadá, ampliado para 48 seleções, esta é, de longe, a maior coleção de todas as edições. São 112 páginas para preencher com um total de 980 figurinhas. A editora buscou manter a média de R$ 1 por cromo, mas cada envelope vendido agora custa R$ 7, reunindo 7 unidades.

O álbum de “capa mole”, o mais comum de ser encontrado, sai por R$ 24,90, enquanto o de capa dura custa R$ 74,90. Já as versões prateada ou dourada chegam a R$ 79,90. Com a presença inevitável das figurinhas repetidas ao longo da coleção, o investimento total para completar as páginas pode facilmente ultrapassar a marca de R$ 1 mil. A tendência, inclusive, é ficar ainda mais caro para quem não se juntar ao movimento das trocas de figurinhas.