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Moyses Suzart
Publicado em 17 de maio de 2026 às 07:12
Já podemos sentir que o cheirinho da Copa do Mundo está chegando e não são apenas as figurinhas do Mundial que invadem o orçamento do brasileiro, sem dó, nem piedade. Além de completar o álbum, quem não quer vestir a camisa canarinha para torcer pela Seleção Brasileira, de preferência com o uniforme oficial? O problema que a camisa amarelinha, a que os atletas vão vestir a partir de junho, é o olho da cara: sua versão varia entre R$ 449 e R$ 749. Como o povo não desiste nunca, muitos estão apelando para os padrões, digamos, genéricos, que imitam a oficial, algumas quase imperceptíveis. Os preços, apesar de piratas, são mais convidativos. >
Circulamos no Comércio, Avenida 7 e Relógio de São Pedro, em Salvador, além do tradicional Feiraguay, em Feira de Santana. Até as réplicas possuem níveis distintos, o que contribui diretamente com seus valores. Quanto mais se aproximar da original, mais caro é. Em Salvador, o uniforme amarelo da seleção mais fiel ao vendido em lojas oficiais, conhecida como versão tailandesa, custa entre R$ 90 e R$ 200, podendo ter desconto no pix. E quem não pesquisa, pode pegar a mesma camisa, mas com o dobro do preço. Na Avenida 7, encontramos o modelo por R$ 95, com cinco reais de desconto se for à vista. Alguns metros depois, próximo ao Center Lapa, foi R$ 200, podendo chegar a R$ 180.>
“Estas versões até quem conhece de camisa tem dificuldade de diferenciar o que é original da tailandesa. O termo é este porque chegam da Tailândia, onde inclusive é produzida a original também. Então alguns funcionários produzem esta versão alternativa e revendem para o comércio informal”, disse um comerciante de Feira de Santana, que pediu o anonimato. No Feiraguay, a camisa mais fiel ao original custa R$ 150, o mesmo valor proposto na Rua dos Esportes, no Comércio. >
Com frisado, existem versões que imitam a original, mas não segue a mesma fidelidade da tailandesa. é perceptível que se trata de uma genérica. Estas variam entre R$ 40 e R$ 60, a depender do tecido. Em Feira de Santana, estas são as que mais saem. “Estas menos trabalhadas, faço por 40 e estou vendendo umas 10, todo dia. Quando se aproximar da Copa, triplica. Já a tailandesa, eu vendo no máximo duas por dia, pois, apesar de ser mais em conta que a original, não deixa de ser mais caro”, conta Simone Sampaio, vendedora no Feiraguay. Ela também vende versões retrôs bem fiés, ou quase isso. O uniforme do Brasil na Copa de 1998 está à venda, por R$ 90, mas atrás está escrito Ronaldinho, que não estava naquela Copa. “Eita, é? Nem sabia disso. Mas tem a do Ronaldo Fenômeno, quer?”, completa. >
Camisa genérica da seleção
Caríssimo? - Por incrível que pareça, alguns economistas apontam que a atual camisa original da Seleção, que custa R$ 449, é uma das mais baratas da história, se comparada ao salário mínimo e poder de compra do brasileiro. Por exemplo, a camisa da Copa do Mundo de 1998 custava 68,4% do salário mínimo, contra 27,7% do padrão atual. Mas a matemática também pode ser mentira, a depender do ponto de vista. Em 1998, o salário mínimo era R$ 130 e a camisa custava R$ 89. Mais barato que a genérica atual. >
“Estou comprando esta que lembra, mas custa R$ 40. Dá para comprar para meu marido, meu filho e para mim e ainda sobre dinheiro para o churrasco no dia do jogo. Camisa original eu compro do meu Bahia, que joga o ano todo. Eu compro uma da seleção pra usar apenas de quatro em quatro anos. É dinheiro jogado fora”, conta Zélia Mota, que estava na Avenida 7 procurando camisa do Brasil. “Eu amo Copa, mas já basta gastar com figurinha da Copa, né?”, completa. >
O preço alto da camisa da seleção brasileira é explicado pelas próprias fabricantes como resultado de uma combinação de tecnologia, licenciamento oficial e materiais de desempenho. As versões mais caras, chamadas de “player issue”, “authentic” ou com tecnologias como Nike Dri-FIT ADV, usam tecidos mais leves, respiráveis e com zonas de ventilação estratégicas para ajudar na evaporação do suor e no conforto em alto rendimento. A Nike afirma que essas peças contam com engenharia avançada no tecido, perfurações e modelagem voltadas para desempenho esportivo, além de acabamento premium e produção mais complexa. Além disso, entram na conta os royalties pagos à Confederação Brasileira de Futebol, custos de marketing, contratos milionários e o peso simbólico da camisa da seleção, que virou também um item de moda e coleção.>
Já a diferença entre a versão torcedor e a versão jogador está principalmente no material, no caimento e nos detalhes de construção. A camisa de jogador é a mesma usada em campo: mais justa ao corpo, mais leve, com tecido ultrafino, áreas de ventilação e escudos geralmente aplicados por termocolagem para reduzir peso. O escudo não é bordado e sua vida útil, apesar de mais cara, é menor. >
A versão torcedor, também chamada de “stadium”, é feita pensando em conforto e durabilidade para uso casual, com tecido mais grosso, modelagem mais solta e acabamento menos técnico. Em fóruns e análises de consumidores, muita gente aponta que a versão jogador oferece melhor respirabilidade e sensação premium, enquanto a torcedor costuma durar mais no uso cotidiano e custa bem menos. Só esqueceram de perguntar o que o bolso do brasileiro acha disso. >