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Você dorme, mas acorda exausta? O problema pode não estar no sono

Rigidez, dor e fadiga ao acordar podem indicar que o problema vai além da hora de dormir

  • Foto do(a) author(a) Thais Borges
  • Thais Borges

Publicado em 28 de maio de 2026 às 09:26

Sonolência excessiva médicos indicam que o cansaço constante pode ter um caminho de cura
Rigidez, dor e fadiga ao acordar podem indicar que o problema vai além do sono Crédito: Banco Imagens

Se você dorme por sete ou oito horas e mesmo assim acorda com sensação de cansaço, saiba que essa é uma queixa cada vez mais comum — especialmente entre mulheres que conciliam trabalho, rotina doméstica e uma vida cada vez mais conectada. Muitas suspeitas recaem sobre a qualidade do sono: noites mal dormidas, ansiedade ou excesso de estímulos antes de deitar, mas o problema pode ser mais complexo.

Segundo especialistas, em parte dos casos, a sensação de cansaço ao acordar pode estar relacionada ao próprio corpo e à forma como ele se comporta ao longo do dia. Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificou que 72% dos brasileiros sofrem com distúrbios do sono, mas isso não significa que todas as queixas tenham origem exclusivamente neurológica ou emocional. Há também fatores físicos importantes envolvidos.

Para o neurocirurgião Ricardo Graciano, especialista em coluna e em tratamentos minimamente invasivos, a sobrecarga corporal acumulada ao longo do dia é um dos fatores capazes de influenciar diretamente a forma como o organismo se recupera durante o sono. “Muitas pessoas acreditam que o cansaço ao acordar está ligado apenas à qualidade do sono, mas o corpo também precisa estar em equilíbrio para se recuperar. Quando há tensão muscular, postura inadequada ou sobrecarga da coluna, esse descanso não acontece de forma completa”, diz.

A deficiência de magnésio pode prejudicar a qualidade do sono (Imagem: MAYA LAB | Shutterstock) por Imagem: MAYA LAB | Shutterstock

Cansaço do corpo

Hábitos como passar muito tempo sentado, usar o celular com a cabeça inclinada ou manter a mesma posição por horas provocam acúmulo de tensão na musculatura, especialmente na região cervical e lombar. O problema é que esse acúmulo não desaparece automaticamente durante a noite.

“O corpo entra em um estado de compensação. A musculatura fica mais rígida, a mobilidade diminui e, mesmo dormindo, o organismo não consegue relaxar completamente”, explica Graciano.

O resultado pode aparecer logo no dia seguinte, com sintomas como sensação de corpo pesado, rigidez ao levantar, dificuldade de se movimentar, dores leves ou difusas e sensação de que o descanso ‘não foi suficiente’.

Sono

Mas, de fato, além da sobrecarga física, há fatores relacionados à qualidade do sono que ajudam a explicar o cansaço ao acordar. De acordo com a farmacêutica Fabíola Faleiros, especialista em farmácia de manipulação à frente da La Pharma e da Unna Pharma, muitas pessoas até dormem o tempo adequado, mas não atingem um sono profundo e restaurador.

“Hoje vemos muitos pacientes que dormem, mas não descansam. Isso pode estar ligado ao estresse, excesso de estímulos antes de dormir, desregulação do ritmo biológico e até níveis elevados de cortisol”.

Segundo ela, costumes como o uso de celular antes de dormir ou horários irregulares podem interferir diretamente na qualidade do sono. “Não é só a quantidade de horas que importa, mas a qualidade desse sono. Se o organismo não entra em fases mais profundas, o corpo não consegue se recuperar completamente”.

Estilo de vida

Além desses aspectos, o estilo de vida tem impactos na forma como o corpo responde ao descanso. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), um em cada quatro adultos no mundo não pratica atividade física suficiente, o que compromete a saúde muscular e postural.

“A falta de fortalecimento faz com que o corpo dependa mais de compensações. Isso aumenta a sobrecarga da coluna e dificulta a recuperação durante o sono”, explica o neurocirurgião Ricardo Graciano.

Existem alguns sinais indicam que é importante buscar avaliação de um profissional, a exemplo da sensação de cansaço persistente ao acordar, dor frequente nas costas ou no pescoço, formigamento ou dormência, limitação de movimento e dificuldade para manter a rotina. “Se o corpo não recupera, ele começa a dar sinais. E quanto antes isso for investigado, mais simples tende a ser o tratamento”, alerta o médico.

Algumas mudanças simples podem melhorar significativamente a qualidade do descanso, como fazer pausas ao longo do dia, ajustar travesseiro e postura ao dormir, reduzir uso de telas à noite, manter rotina de atividade física e estabelecer horários regulares para dormir