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Mariana Rios
Publicado em 2 de junho de 2026 às 16:36
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima publicou uma portaria que estabelece a primeira Lista Nacional Oficial das Espécies da Funga Ameaçadas de Extinção no Brasil. A medida reconhece 24 espécies de fungos sob risco de desaparecimento e amplia a proteção legal a organismos fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas, mas que historicamente receberam menos atenção nas políticas de conservação. >
A nova lista foi oficializada por meio da Portaria GM/MMA nº 1.696, de 28 de maio de 2026, e classifica as espécies de acordo com o grau de ameaça. Do total, 21 foram enquadradas na categoria Vulnerável (VU) e três na categoria Em Perigo (EN).>
Heteroradulum brasiliense está entre as espécies listadas como vulneráveis
Entre as espécies consideradas em maior risco estão o Tylopilus dunensis, o Lactifluus marielleae e o Sclerogaster araripensis, classificados como "Em Perigo" de extinção. >
Com a publicação da norma, as espécies listadas passam a contar com proteção integral. Isso significa que ficam proibidos atos como coleta, transporte, armazenamento, manejo, beneficiamento e comercialização dos exemplares encontrados na natureza.>
A portaria prevê exceções para pesquisas científicas, ações de conservação e atividades relacionadas ao licenciamento ambiental, desde que haja autorização dos órgãos competentes. Também não se aplicam as restrições a exemplares cultivados regularmente licenciados.>
Os fungos desempenham funções essenciais para a manutenção da biodiversidade. Eles participam da decomposição da matéria orgânica, da reciclagem de nutrientes e da manutenção da saúde dos solos e das florestas. Algumas espécies ainda estabelecem relações simbióticas com plantas, contribuindo para o desenvolvimento da vegetação nativa.>
Apesar da importância ecológica, a conservação da funga costuma ser menos conhecida pelo público do que a proteção de animais e plantas. A nova lista coloca oficialmente os fungos no conjunto de organismos monitorados pelas políticas brasileiras de conservação da biodiversidade.>
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, os critérios utilizados para definir o grau de ameaça de cada espécie serão disponibilizados nos sites do governo federal e do Centro Nacional de Conservação da Flora, ligado ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro.>
A portaria também prevê atualizações futuras da lista, à medida que novos estudos científicos e dados de monitoramento sobre as espécies se tornem disponíveis.>
O descumprimento das regras estabelecidas poderá resultar em penalidades previstas na Lei de Crimes Ambientais.>
As outras 21 espécies enquadradas como Vulneráveis (VU), são Acanthocorticium brueggemannii, Amanita viscidolutea, Heteroradulum brasiliense, Austroboletus festivus, Wrightoporia porilacerata, Antrodia neotropica, Amauroderma renidens, Gloeocantharellus aculeatus, Coltricia permollis, Phylloporia minuta, Trichaptum fissile, Skeletocutis roseola, Meruliopsis cystidiata, Trametopsis brasiliensis, Laetiporus squalidus, Morganella austromontana, Gerronema viridilucens, Marasmius horridulus, Blumenavia crucis-hellenicae, Phallus aureolatus e Phallus glutinolens. >
Criada em 2024 pelo projeto MIND.Funga, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a galeria Funga do Brasil funciona como um catálogo digital da diversidade de fungos do país e reúne registros que auxiliam pesquisas científicas, ações de educação ambiental e iniciativas de conservação.>
O termo funga foi proposto por cientistas em 2018 para designar o conjunto de espécies de fungos de uma determinada região, de forma equivalente aos conceitos de fauna, para os animais, e flora, para as plantas. >