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Carol Neves
Publicado em 18 de maio de 2026 às 10:42
A brasileira naturalizada norte-americana Camila Dias Briote é investigada no Brasil e nos Estados Unidos sob suspeita de aplicar golpes envolvendo joias de alto valor. Segundo reportagem exibida pelo Fantástico, da TV Globo, ela teria recebido peças consignadas para revenda, mas não efetuado os pagamentos nem devolvido os itens aos proprietários. >
De acordo com as investigações, parte das joias foi entregue por Camila a casas de penhor nos Estados Unidos. A polícia brasileira estima que o prejuízo total possa chegar a US$ 20 milhões, cerca de R$ 100 milhões.>
Uma das vítimas, que falou sob anonimato à emissora, afirmou que entregou aproximadamente 50 peças à investigada e nunca recebeu o pagamento, acumulando perda estimada em US$ 500 mil. Outra joalheira contou que recebeu um cheque sem fundos após negociar peças com Camila. "Eu não vi as joias e nem o dinheiro", declarou.>
Brasileira é investigada acusada de desviar joias
O advogado André Barbieri, que representa algumas das supostas vítimas, afirmou que apenas um de seus clientes sofreu prejuízo de cerca de US$ 7 milhões.>
Como funcionaria esquema>
Segundo os relatos reunidos pelas investigações, Camila obtinha joias de empresários do setor no Brasil e nos Estados Unidos para revendê-las mediante comissão. Conforme o advogado Arthur Migliari, o esquema seguia um padrão semelhante em diferentes negociações.>
Ela se apresentava como representante de joalherias e grandes empresas, retirava as peças e inicialmente realizava os pagamentos corretamente. Depois, segundo Migliari, começava a atrasar ou deixar de cumprir os acordos.>
"Até o ponto em que se descobriu que, efetivamente, ela estava pegando o dinheiro das pessoas, com as joias que ela vendia, e embolsando", afirmou o advogado.>
O inquérito também reúne mensagens e áudios atribuídos a Camila, nos quais ela promete quitar dívidas e apresenta justificativas para os atrasos. Entre as desculpas citadas pelas vítimas estaria até um suposto acidente envolvendo uma mordida de cachorro no nariz.>
"As coisas são muito mais complicadas do que parecem. Eu falo que a mulher é do financeiro praticamente por e-mail. Uma gorda que pesa, tipo assim, 120 quilos. Nunca vi um sorriso no rosto dela. Então, eu sei dessa responsabilidade e eu quero pagar logo, né?", diz um dos áudios atribuídos a Camila e exibidos pela TV Globo.>
Uma empresária do setor de joias em São Paulo relatou ter entregue cerca de cem peças para uma feira nos Hamptons, em Nova York. Segundo ela, Camila deveria repassar aproximadamente US$ 600 mil após as vendas, descontada a comissão, mas transferiu apenas US$ 200 mil. A joalheira também afirmou que peças enviadas para outro evento, no Texas, não foram devolvidas nem pagas.>
Ainda segundo a denúncia, Camila alegou que uma funcionária havia morrido e, por isso, o evento não teria ocorrido. A empresária, porém, descobriu depois que a feira foi realizada normalmente.>
A maior parte dos casos investigados teria ocorrido no sul da Flórida, onde Camila possui imóvel. O FBI passou a acompanhar as denúncias e identificou que diversas joias consignadas haviam sido penhoradas pela brasileira em estabelecimentos da região.>
Relatório obtido pela TV Globo aponta que centenas de peças foram localizadas em casas de penhor da Flórida. Algumas delas ainda estavam com etiquetas dos fornecedores originais. "Das 50 peças minhas que ela tem, cerca de umas 35 estão nessa relação do FBI", afirmou um dos denunciantes.>
Segundo as investigações, as joias eram penhoradas por valores muito abaixo do mercado. Um dos exemplos citados foi um colar de turmalinas avaliado em cerca de US$ 120 mil e que teria sido penhorado por apenas US$ 6 mil.>
Além do caso das joias, Camila também responde desde 2024 a um inquérito por estelionato relacionado a bolsas de luxo no Brasil. O prejuízo às vítimas ultrapassaria R$ 4 milhões.>
O FBI informou à TV Globo que não comenta investigações em andamento. Já a Polícia Federal disse estar ciente das denúncias envolvendo as joias, mas não se manifestou sobre o caso.>
O que diz a defesa>
Em nota enviada à emissora, os advogados João Eugenio Oliveira e Rafael Garcia Campos disseram que representam Camila apenas no Brasil e afirmaram não ter conhecimento de processos em andamento no exterior.>
"Sobre o inquérito em curso no Brasil, no momento processual adequado nos manifestaremos a respeito do uso indevido do processo penal para resolver questões estritamente comerciais. As supostas vítimas apresentam denúncia absolutamente sem respaldo jurídico e sem qualquer prova de ato ou fato acontecido em território brasileiro", declarou a defesa.>
Os advogados também afirmaram que Camila "está e sempre esteve à disposição das autoridades" e criticaram o uso da esfera criminal para tratar de disputas comerciais.>